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Frimesa reinventa produtos para atender nova era do consumo

calendar_month 20 de junho de 2026
25 min de leitura

Presidente fala sobre os desafios atuais, a concorrência com bets e “canetinhas” e a aposta em pratos prontos

Elias Zydek: “Hoje, os problemas são as guerras, os combustíveis, as jogatinas, os hábitos, o juro alto… A previsão para este ano é muito pessimista”

Com as obras do novo frigorífico em Assis Chateaubriand em ritmo acelerado – previsão de seis meses adiantada -, a Frimesa, cooperativa central focada em suínos e lácteos, volta os olhos para o mercado consumidor paulista e se atenta à revolução nos hábitos de consumo brasileiro.

Em entrevista à revista Pitoco, o presidente da cooperativa, Elias José Zydek, revela que a meta da Frimesa é ampliar sua participação no mercado nacional dos atuais 8,5% para 14% até 2032, com foco especial no Estado de São Paulo. “É onde se concentram o poder de compra e o volume de consumo. O primeiro mercado de alimentos do Brasil é a Grande São Paulo. O segundo é o interior de São Paulo. Necessariamente, você tem que estar presente nesses mercados. E, para conquistar esse mercado, estamos adequando os produtos ao novo consumidor”.

Com um investimento já aplicado de R$ 1,3 bilhão, a parte civil da obra da unidade de Assis – uma das maiores da América Latina para abate de suínos – já está concluída, restando a instalação de máquinas e equipamentos, devendo ser entregue na metade de 2027.

Apesar do crescimento em 2025, nem tudo são flores. Zydek afirma que os desafios para 2026 são imensos, especialmente devido ao câmbio e à perda de poder aquisitivo da população, decorrente das bets e do endividamento. Outro impacto na cadeia produtiva é a mudança de hábitos do consumidor com as “canetinhas” emagrecedoras. Mas, para isso, a Frimesa já está com a estratégia na mesa: aposta em alimentos mais nutritivos e pratos prontos de “comida de verdade”.

Confira tudo isso e muito mais nesta entrevista especial:

Pitoco – Em 2025, a Frimesa faturou R$ 7 bilhões, crescimento de 7% sobre o ano anterior. Como o senhor avalia esse resultado em um ano considerado desafiador para o agronegócio?

Elias Zydek – O ano de 2025 foi puxado! O agronegócio, especialmente a proteína animal, foi impulsionado pelo bom desempenho das exportações. O mercado interno manteve o nível de consumo, mas a exportação cresceu cerca de 12% na área de suínos. Isso absorveu o aumento da produção brasileira, que ficou em torno de 5%, e gerou certa estabilidade de preços, tanto no mercado interno quanto no externo. Esse fator representa 25% do faturamento da carne suína brasileira. Na Frimesa, representou 27% do faturamento no ano passado. Foi um dos principais fatores que nos permitiram ter um bom faturamento e cumprir o planejamento de resultados.

E qual a projeção para 2026?

Nosso planejamento era faturar R$ 8 bilhões, crescimento de 14% no faturamento. Nossa estratégia como empresa é 75% para o mercado interno e 25% para o externo, tanto na produção quanto no faturamento. Esse era nosso plano, mas… depois falamos mais sobre isso.

“O crescimento da Frimesa a partir de 2032 não será em abates nem em commodities. Serão produtos destinados a públicos e canais certos”

Houve mudança no destino das exportações?

Em termos de destino, não. Mas, em 2026, o mercado mudou totalmente. O volume permanece, mas o faturamento caiu drasticamente por causa do câmbio. Houve uma queda muito forte do dólar – de R$ 5,50 para R$ 5. Esses 10% de queda simplesmente inverteram o resultado positivo para prejuízo.

O acordo Mercosul-União Europeia entrou em vigor em maio. Há alguma influência?

Para o nosso setor, tanto faz. Talvez o frango tenha alguma vantagem, mas a suinocultura e o leite podem ser mais prejudicados do que beneficiados com o acordo.

O Mercado Comum Europeu é bom em negociação e o acordo tem muitas ressalvas. Por exemplo: na área de grãos e proteína, se o Brasil aumentar mais de 5% do volume que exportava antes do acordo, voltam a vigorar as taxas anteriores. Ou seja, eles limitaram o crescimento da exportação do agro para a União Europeia em 5%. E quanto estamos exportando hoje? 0,01%. Cinco por cento de 0,01% é nada! Ou seja, eles bloquearam a entrada. Talvez a única vantagem seja na importação de máquinas e equipamentos da indústria de processamento, com menos taxas. Do lado de exportar, não há benefício algum.

Os conflitos recentes no Oriente Médio impactaram as exportações?

O impacto é mais logístico. Houve aumento das taxas de risco e do seguro de transporte. Exportamos por contêineres, produtos congelados. O custo do contêiner dobrou: de 2 mil para 4 ou 5 mil dólares. No mercado interno, a subida dos combustíveis elevou o custo do transporte rodoviário. Em resumo, sofremos dois impactos: o custo logístico marítimo e o rodoviário interno.

Vocês já conseguiram mensurar esse aumento de despesa?

Sim, 12% nos fretes internos. Ainda tivemos o impacto dos pedágios nas rodovias paranaenses, que começaram a vigorar nos últimos meses, um valor que não existia há um ano.

E o preço da carne acompanhou a alta de custo?

Não. Caiu. No mercado interno, houve queda de 8,3% em relação ao ano passado.

Por quê?

Falta de poder aquisitivo. O povo não tem dinheiro e está endividado.

Nós temos três teses que já são realidade. A primeira é a busca pela saúde, o uso das “canetinhas” emagrecedoras. Isso representou uma queda de 13,5% no consumo de alimentos. Os mais afetados foram carboidratos e bebidas. A segunda é a jogatina, as bets. Hoje, o cidadão é influenciado por várias formas de jogo (e gasta sua renda com isso). O terceiro concorrente dos alimentos é a dívida, o cartão de crédito, o endividamento. Setenta por cento das famílias estão endividadas. Estimativas indicam que as canetinhas retiraram do consumo cerca de R$ 70 bilhões por ano. A jogatina, R$ 120 bilhões. E o endividamento com juros altos retirou R$ 130 bilhões. É lógico que o consumo está caindo.

Estamos diante de uma nova revolução. O problema não está dentro da cadeia produtiva. Não adianta eu trabalhar na propriedade rural, no frigorífico ou na indústria. Hoje, os problemas são as guerras, os combustíveis, as jogatinas, os hábitos, o juro alto… Por isso, respondendo à pergunta anterior sobre os planos para 2026, a previsão para este ano é muito pessimista. Não devemos atingir o planejamento de faturamento: se perdemos 10% na exportação e 8% no mercado interno, é lógico que não vamos atingir o previsto e a margem de resultado achatou, por causa dos custos de logística.

“O hábito de consumo está mudando. Hoje, o consumidor quer comida em casa e está deixando de ir ao supermercado fazer rancho. Isso impacta toda a cadeia produtiva”

Por que a carne suína, sendo uma das mais baratas, não cresce mais no consumo? Ainda existe preconceito?

Já mudou bastante, mas sempre existe um pouco. Na região Sul-Sudeste, nos últimos cinco anos, saímos de 16 kg per capita para 19 kg este ano. Se o brasileiro tivesse dinheiro, já estaria consumindo 25 kg. O problema não é preconceito, é falta de dinheiro no bolso.

O povo mais evoluído da Europa consome 40 kg per capita, e alguns países chegam a 60 kg. A carne suína é a mais consumida do mundo, mais que o frango. O frango cresceu pelo custo e pela acessibilidade, e vendeu a ideia do peito ser carne mais magra, mas a coxa tem mais colesterol do que os cortes suínos…

Além disso, o hábito de consumo está mudando. Hoje, o consumidor quer comida em casa e está deixando de ir ao supermercado fazer rancho. Isso impacta toda a cadeia produtiva. O preparo do alimento e a forma de apresentação são muito diferentes de uma indústria de cortes ou de pratos prontos. É uma revolução recente no setor de proteína animal.

Unidades instaladas operam com 95% da sua capacidade de produção

Como a Frimesa está se adaptando a essa mudança no padrão de consumo?

Estamos lançando cortes brancos que informam o teor de proteína em cada produto. Em breve, o consumidor também encontrará nossos snacks de proteína voltados para o consumo imediato. Temos que nos adaptar a essas mudanças.

Em agosto, lançaremos o “prato pronto”, com bastante destaque para a proteína. Fizemos uma pesquisa com o consumidor e descobrimos que: ele gostaria de ter um prato equilibrado, com a necessidade diária de proteína, carboidratos e fibras, por até R$ 30. Estamos falando das classes C, D e E, a massa consumidora.

Você não vai ver o corte isolado, vai ver o prato pronto. Desenvolvemos o produto com tecnologia. Basta usar o micro-ondas: em 7 minutos a comida está servida. Sem glúten, baixa gordura, baixo colesterol, sem nitritos. Trabalhamos com o conceito de “comida de verdade”. No prato, você enxerga o brócolis como in natura, o lombinho ou o peito de frango bem separados.

Esses produtos vêm com a marca Frimesa? Os demais alimentos serão vendidos em parceria?

Sim, em parceria. Fechamos contrato com uma empresa da Grande São Paulo. A estratégia é testar o mercado por um ou dois anos antes de construir uma fábrica.

O crescimento da Frimesa a partir de 2032 não será em abates nem em commodities. Serão produtos destinados a públicos e canais certos. Talvez viremos uma indústria de alimentos, não apenas um frigorífico. Esse é o grande desafio: acompanhar a revolução do mercado. Um corte de carne que precisa de duas horas no forno não faz mais sentido para quem não tem tempo.

Se o senhor pudesse destacar uma única conquista da gestão da Frimesa e um único desafio ainda não superado, quais seriam?

A grande conquista foi a profissionalização. Por trás disso, vieram as visões de olhar o mercado e o consumidor. Se eu não atender esse novo consumidor, nada se viabiliza. E o desafio que ainda falta transformar é exatamente esse: atender o novo consumidor.

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ENTRE O CHICOTE E O CORAÇÃO

Com o coração em uma mão e o chicote na outra, Paranhos tergiversa sobre o futuro, preserva Renato Silva, mas demarca território em Cascavel com antenas sintonizadas em 2028

O “animal político” vai às urnas pela 12ª vez neste ano, revelando em entrevista ao Pitocast como reage quando as pessoas pedem para ele voltar a ser prefeito

Para gravar o Pitocast, o podcast do Pitoco, Leonaldo Paranhos deslocou-se pouco mais de 50 metros pelo Calçadão entre a redação do jornal e o estúdio na rua Souza Naves no meio da tarde do último dia 9. A breve distância alongou-se. Eleitores abordavam o político. Em duas ocasiões, pediram para ele voltar à Prefeitura.

“Animal político”, o ex-prefeito estava em seu habitat natural. Entrou nas lojas, cumprimentou de mão estendida vendedores e clientes. Foi evasivo quando questionado pelos eleitores sobre 2028, atitude repetida no estúdio, quando confrontado com a possibilidade.

No entanto, quem o conhece mais de perto tem convicção absoluta que Paranhos virá para mais oito anos assentado naquela cadeira estofada do 3º andar do Paço Municipal.

E o Renato? E a mosca azul “imorrível” que frequenta o gabinete do Renato? “Não vejo essa foto, de deu disputando contra ele”, disse Paranhos, saindo pela tangente e pedindo mais tempo para a atual gestão resolver dilemas administrativos.

Disse que é legítima a candidatura do vice, Henrique Mecabô, a deputado federal, cadeira que Paranhos também irá buscar nas urnas deste ano. Porém deixou um recado sutil nas entrelinhas, que também serve para Renato: “A composição que fizemos deu muito certo eleitoralmente, mas precisa dar certo também administrativamente”.

Paranhos obteve, no último dia 25 de maio, autorização da certidão de nascimento para colocar o adesivo de idoso no para-brisas do carro. Completou 60 anos preocupado com a longevidade. 6h30 da manhã está na mini academia que montou em sua residência, no elegante condomínio Treviso, porção Oeste do município.

“Eu estava perdendo massa muscular, ficando igual o Fredy Flintstone, com a canelinha fina. Após morar 72 dias na Prefeitura no auge da pandemia, mudei o comportamento, percebi a finitude e nossas fragilidades mediante um pequeno vírus, então adaptei minha agenda para incluir religiosamente as atividades físicas”, disse.

Pitoco – Se era para escolher uma liderança do interior, de liderança e conhecimento limitados regionalmente para sucedê-lo, porque o governador Ratinho Junior optou pelo Sandro Alex de Ponta Grossa ao invés de Leonaldo Paranhos, de Cascavel?

Leonaldo Paranhos – Eu queria a indicação, desejava, sonhava. Era a grande oportunidade do Oeste do Paraná, mas é possível justificar. Pesquisas qualitativas encomendadas pelo governador avaliaram meu nome, do Sandro, Guto Silva, Greca, Alexandre Curi e Beto Preto. O questionário, entre outros itens, trazia um ponto fundamental: qual era o maior legado do governo Ratinho e que merecia ganhar continuidade? Deu infraestrutura. O secretário da pasta era o Sandro Alex, ele esteve a frente de obras fundamentais aqui na região, como duplicações, contorno Oeste, Terminal Rodoviário, Trevo Cataratas…

É meio forçado colar o Sandro Alex no Trevo Cataratas, não acha? É obra do pedágio, acordo de leniência…

Sim, mas quem estabelecia onde fazer as obras entre Foz do Iguaçu e Guarapuava era o governo do Estado em diálogo com o Ministério Público Federal. Gestionei inúmeras vezes junto ao secretário Sandro Alex para que essa leniência executasse o Trevo Cataratas. Até que em um encontro no Palácio Iguaçu o governador bateu-se o martelo. Naquela ocasião, o Sandro enfrentou barreiras para execução, já que a concessionária resistia em função da complexidade do trevo. Enfrentou os entraves e executou. O Sandro enfrentou outros desafios em que a coragem foi determinante, como a Ponte de Guaratuba, onde ele e o governador foram processados no CPF 36 vezes. Se fosse frouxo, Sandro jogava a toalha na primeira intimação, portanto tem perfil para chefiar o Executivo.

“As denúncias do Roman aconteceram na reta final, 15 dias antes da eleição de 2024. Ele assumiu um papel na campanha do Márcio Pacheco, por entenderem que estava desenhado para ganharmos no primeiro turno. O alvo escolhido não foi o Renato. O alvo fui eu.”

De toda forma, uma comparação direta entre o Sandro e você, apresenta assimetrias gritantes. Você foi eleito e reeleito no 1º turno em uma cidade da dimensão de Ponta Grossa. Depois reelegeu seu candidato também no 1º turno. Capacidade de comunicação, marqueteiro… É preciso insistir na pergunta com um adendo: não foram as denúncias que o ex-deputado Evandro Roman trouxe contra você e seu governo que tiraram seu nome do jogo?

As denúncias do Roman aconteceram na reta final, 15 dias antes da eleição de 2024. Ele assumiu um papel na campanha do Márcio Pacheco, por entenderem que estava desenhado para ganharmos no primeiro turno. O alvo escolhido não foi o Renato. O alvo fui eu. Não acredito que isso tenha afetado a decisão de agora do governador. Afinal, eu nem havia concluído ainda minha gestão na Prefeitura, e já veio a sondagem do Ratinho para que eu atuasse no primeiro escalão do governo. Acrescente a isso uma informação relevante sobre as denúncias: fui inocentado pelo Ministério Público e pelo Tribunal de Justiça do Paraná.

O governador tem citado o papel decisivo do Paranhos na eleição do Renato em Cascavel para dizer que ele, Ratinho, poderá fazer o mesmo em âmbito estadual. Sandro Alex reprisa Renato?

Acredito que sim. Não é uma pergunta difícil para a população. É simples: se o paranaense acha que o Paraná está indo mal, deve mesmo trocar o time e o modelo de governança. Mas se entende que o modelo vai bem e merece continuar, vai optar pelo que o governador está avalizando como sequência, vai optar pela indicação do modelo de continuidade.

Por falar em reprise, o prefeito Renato está sendo pressionado por pré–candidatos ao Congresso Nacional. Corre o risco de fragmentar forças e fragilizar o apoio? Não foi exatamente nesse ponto que nasceu sua desavença com o ex-aliado Roman?

Você traz a conversa para 2018, quando o Roman disputou a reeleição para deputado federal. Busquem no Youtube e irão encontrar meu apoio para um único candidato, exatamente o Roman. Outros amigos de outrora, também muito próximos, vieram pedir apoio, como o Carlos Moraes. Tive que dizer: não te apoiarei, tenho compromisso com o Roman.

Não é bem isso que o Roman fala…

O Roman perdeu a eleição no exercício do mandato, como incumbente. Eu sempre digo, mandato tem que cuidar, tem que regar todo dia. Fui eleito deputado com 27 mil votos, na eleição seguinte obtive 70 mil. Tem que ralar. Não digo que ele não trabalhou, pois trouxe recursos importantes para Cascavel.

O que faltou então?

Ele não conseguiu levar isso para a população apesar dos apoios que arregimentou. Houve também um voto que ele deu no Congresso em uma questão trabalhista, que gerou pesado desgaste. Perdeu e quis debitar para mim. E não rompeu somente comigo, rompeu também com o Sciarra, o Lange e o Ratinho, sempre procurando transferir responsabilidades que eram dele. Disputei 11 eleições, perdi muitas. No dia seguinte fui para a rua agradecer quem me apoiou.

Não foi o único amigo que você perdeu na caminhada, tem também o Carlos Moraes, o Moacir Vosniak, tudo gente que frequentou sua “cozinha” política. O Paranhos é um cara difícil ou cercou-se de amigos interesseiros?

Saí da prefeitura despido de qualquer ego com 87% de aprovação popular aferidos por três institutos diferentes. Elegemos o Renato no primeiro turno fechando um ciclo de três eleições que dispensaram o segundo turno. Isso comprova uma relação saudável com a maioria das pessoas. Mas não tem como passar pela prefeitura sem fazer inimigos.

Como assim?

Tem que trabalhar com o coração em uma mão e o chicote na outra. A prefeitura é um ímã para puxar interesses pessoais. O cara ganhava licitação e queria entregar sem qualidade. Eu ia pessoalmente fiscalizar, filmava, mandava fazer de novo, segurava pagamento, esse cara não vai gostar de mim. Contratamos asfalto de 5 cm, entregavam três. Mandei para o Tribunal de Contas. Contratei serviço de pavimentação que só pagava depois de provas laboratoriais comprovarem a regularidade.

“Saí da prefeitura com 87% de aprovação popular aferidos por três institutos diferentes. Elegemos o Renato no 1º turno fechando um ciclo de três eleições que dispensaram o 2º turno. Isso comprova uma relação saudável com a maioria das pessoas. Mas não tem como passar pela prefeitura sem fazer inimigos.”

Naturalmente alguns amigos querem ser prestigiados no governo…

Tem os interesses pessoais, alguns até legítimos. O cara apoia e quer cargo depois, quer ser secretário, e as vezes não dá para colocar. Outros querem benefícios tributários, isenção de IPTU, áreas para construir suas empresas sem passar pelos critérios estabelecidos. Tive esses problemas, mas é meia dúzia em uma cidade de 370 mil habitantes. Contabilizar uma dúzia de pessoas que odeiam você por não terem interesses pessoais atendidos, é saldo positivo.

Como sua família reage aos ataques que você sofreu e ainda vem sofrendo, inclusive envolvendo alguns dos seus consanguíneos?

Incomoda, a família sofre. Já disputei 11 eleições, machuca, mas minha família sabe que o jogo é pesado. Mais ainda quando os ataques partem de pessoas ligadas a mim. Por que atacam? Porque deixei de atender suas expectativas lícitas? Não, a grande maioria ficou comigo, nunca liguei para um secretário pedindo para fazer algo duvidoso para alguém, pagar tal nota. Ligava cobrando rapidez, transparência e qualidade. Me incomoda perder amigos, é ruim perder amigos. Moacir era meu amigo, Carlos Moraes era meu amigo, tiveram alguma frustração por interesse pessoal contrariado.

Preocupa os processos que você responde e que ainda poderá responder? Há ameaças legais para seu futuro político?

Vamos entender melhor isso: 2017, 18, 19, 20, 21, 22, 23 e 24. São os anos em que governei Cascavel. Em todos eles, minhas contas estão aprovadas no Tribunal e pela Câmara Municipal. Isso é inédito, e nunca aconteceu uma aprovação com essa velocidade.

Entre as obras que você executou nesse período, qual delas é a menina dos seus olhos?

Quando revitalizamos e ampliamos a avenida Gralha Azul, no Guarujá, logo percebemos que não é obra para impactar o Jardim Floresta, no outro lado da cidade. Então é preciso também ampliar e revitalizar a avenida Papagaios. Quero dizer o seguinte: a melhor obra é aquela que está mais perto das pessoas. É para isso que gestores são eleitos, foi o que fiz.

“Tinha que descer do avião minutos antes da decolagem, crise de ansiedade severa. Fiz tratamento, reposição hormonal. Fui a um nutrólogo embora tivesse vergonha de falar sobre síndrome de pânico, achava que era frescura dizer do medo de ficar fechado no elevador.”

Difícil citar uma obra, mas me realiza muito a construção de 25 escolas e revitalização de outras 65 escolas e CMEIs, muitas delas com histórico de interdição pelas péssimas condições em que as encontramos.

Uma passada rápida no turismo?

Claro, quando cursei hotelaria e turismo na Unipar, 25 anos atrás, jamais imaginava que um dia eu seria o Secretário de Estado do Turismo. Eu e minha equipe visitamos os 399 municípios do Paraná. Em 2024 havia 294 convênios da pasta com os prefeitos. Em 2025, fizemos saltar para 1.408 convênios, com R$ 333 milhões em eventos e R$ 700 milhões em obras de infraestrutura turística, resultando em investimento de mais de bilhão.

Precisou colocar muitas horas voo nisso. Sua síndrome de pânico permitiu?

De vez em quando dá uns piripaques ainda, tive problema muito sério quando era deputado. Tinha que descer do avião minutos antes da decolagem, crise de ansiedade severa. Fiz tratamento, reposição hormonal. Fui a um nutrólogo embora tivesse vergonha de falar disso, achava que era frescura dizer do medo de ficar fechado no elevador. Superei, agora estou voando com menos problemas.

A reportagem do Pitoco flagrou em breve caminhada com você no Calçadão de Cascavel as pessoas pedindo para você voltar a ser prefeito. É para 2028 essa demanda?

O Renato fará um bom governo, as pessoas tem que ter paciência. Vejo muito falarem de buracos nas ruas. Entre aqueles que passam pelos binários que recapamos, como da Recife e Kennedy, poucos lembram de como era antes, a buraqueira que era. Isso é natural. Agora, quando a roda bate no buraco, o primeiro nome que vem depois do palavrão é o nome do prefeito. Mas isso será resolvido, temos recursos liberados para atacar o problema. Agora, não é fácil, são 11 milhões de metros quadrados de asfalto, grande parte bem antiga já. Vai passar e teremos um bom governo.

“O apoio do Flavio Bolsonaro já teve mais peso. Hoje está prejudicando a campanha do Moro. Não tem como ignorar esse envolvimento com o banco Master. Isso cola, é um câncer político, está pegando forte na opinião pública e irá mais longe ainda…”

Você driblou a questão e deixou um buraco na resposta. Você é candidato a prefeito em 2028?

Não vejo essa foto, eu disputando contra o Renato. Salvo que o Renato não seja candidato a reeleição e o grupo me convoque para dar continuidade. Só se for assim, mas se o Renato for candidato com condições de ganhar a eleição, estaremos juntos.

E logo vem aquela conversa que beneficia você nessa equação: “quem pontuar melhor na pesquisa será o candidato do grupo…”

Pode acontecer isso, mas eu e o Renato temos que ter maturidade, fizemos campanha colados. Eu disse “votando no Renato tá votando em mim”. Não vejo eu e ele disputando. Já passamos esse filme aqui quando eu era vice disputando contra o Edgar que era o prefeito. Não foi bom para cidade. Quando líderes brigam é ruim. Uma eleição contra o Renato seria briga. Não trabalho com essa possibilidade, estaremos juntos.

Sua pré-candidatura a deputado federal colide com o projeto do vice, Henrique Mecabô…

Não haverá conflito. A composição que fizemos deu muito certo eleitoralmente, mas precisa dar certo também administrativamente. Disputar para deputado federal é decisão pessoal dele. Eu o apoiei para vice-prefeito, mas a decisão dele será respeitada. Jamais vou mudar minha percepção sobre o Henrique, jovem preparado, determinado que gosta do que faz, tem todo direito de ser candidato.

Por que o governador Ratinho Junior saiu do jogo presidencial?

Ele fez pesquisa qualitativa. Percebeu que não havia espaço para debater projetos, apenas Lula ou Bolsonaro, polarização. Ninguém discute saúde, educação, reformas, era só direita ou esquerda. Ratinho mostrou a pesquisa para o grupo e disse: Não existe isso, se vou falar do modelo Paraná para o Brasil, o cara vai perguntar: “você é Lula ou Bolsonaro?”. Também percebeu que para ganhar a eleição no Paraná a presença dele é insubstituível. Uma coisa é o Sandro vir a Cascavel na campanha, outra coisa é vir com o Ratinho.

O apoio do presidenciável Flávio Bolsonaro a Sergio Moro para o governo do Paraná será determinante na disputa ao Palácio Iguaçu?

Já teve mais peso. Hoje está prejudicando a campanha do Moro. Não tem como ignorar esse envolvimento com o banco Master. Isso cola, é um câncer político, está pegando forte na opinião pública e vai mais longe ainda, implicando gente grande do Judiciário, Executivo e Legislativo. É um quadro ruim para eles, momento difícil de superar.

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ALEMÃES AQUI E NA COPA

Não é falta de vontade, não é corpo mole, não é seleção mal escalada. É falta de bola mesmo. Não se pode exigir do jogador o que ele não tem para entregar

Eloi Jensen e Velci Kaefer, teimosia germânica mantém o marreco no prato

No último 30 de maio, a Sociedade Cultural Germânica (Clube Alemão), em companhia do Rotary e outros muitos voluntários, organizou a 25ª edição do jantar baile do marreco recheado.

É, antes de tudo, uma prova da teimosia alemã. Me recordo perfeitamente daquele distante outubro de 1993, quando participamos da fundação do Clube Alemão. Graças a abnegados como o Eloi Jensen, coordenador da marrecada, a entidade da alemãozada segue adiante, 33 anos depois.

Não se pode dizer o mesmo das congêneres criadas na mesma época com entusiasmado apoio do então secretário da Cultura, Luis Ernesto Mayer Pereira: as sociedades culturais italiana e polonesa. Até onde sei, as iniciativas foram descontinuadas. É aquilo: cabem dez alemães em um Fusca? Se duvidar, caberá. Alemão é teimoso mesmo.

ALEMÃES DE LÁ

A imprensa germânica não achou graça nos 7 gols aplicados em Curaçao. Preferiu criticar a atuação do goleiro Neuer, que segundo eles, falhou no gol solitário dos representantes da pequena ilha caribenha cuja população é menor que nossa vizinha Toledo.

Imagine aplicar esse grau de criticidade na seleção canarinho. Minha opinião: temos um problema de safra. Deu Proagro nos campos de futebol do Brasil.

Ouso dizer que nenhum dos atletas que vergam a camiseta da seleção em 2026 teria lugar sequer no banco de reservas dos escretes nacionais de 1970, 1982 e 2002. Talvez o Vini Junior, único sujeito diferenciado na escalação do Ancelotti, beliscasse o banco de uma das equipes mencionadas.

ESQUECERAM A BOLA

Não é falta de vontade, não é corpo mole, não é seleção mal escalada. Nada disso. É falta de bola mesmo. Não se pode exigir do jogador aquilo que ele não tem. Para ficar em um exemplo: titular absoluto, Rafinha correu incríveis 11,6 quilômetros contra o Marrocos. Correu mais que a bola. Mas não entregou nada.

Pelé, Tostão, Rivellino e Gerson de 1970; Falcão, Junior, Zico e Sócrates de 1982, os quatro “Rs” de 2002: Ronaldo Fenômeno, Ronaldinho Gaúcho, Rivaldo e Roberto Carlos. Tudo parece apenas uma miragem colada em figurinhas de antigos álbuns da Copa em meio ao deserto de talentos de 2026.

É de onde menos se espera que nada virá mesmo…

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NOVA GERAÇÃO ASSUME EXPANSÃO URBANA DO BIOPARK

Família Donaduzzi lança marca responsável pelo planejamento imobiliário do ecossistema

Com os fundadores Luiz e Carmen, a família Donaduzzi constrói mais um pouco do seu grande legado

A família Donaduzzi deu mais um passo importante em seu projeto de desenvolvimento regional com o lançamento da Urbizzi, nova marca responsável pelo planejamento e pela expansão urbana do Biopark, em Toledo. O anúncio foi realizado em evento no dia 15 de junho, na Central de Vendas do Biopark, e marca a entrada oficial da segunda geração da família na condução dos projetos imobiliários ligados ao ecossistema de inovação. A empresa foi criada por Victor e Sara Donaduzzi, filhos dos em preendedores Luiz e Carmen Donaduzzi, fundadores do grupo que transformou o Biopark em um dos principais polos de inovação do Paraná. A proposta da nova marca é assumir a gestão do crescimento urbano do território, com foco em desenvolvimento planejado, sustentabilidade e qualidade de vida.

Segundo os idealizadores, a Urbizzi surge como uma evolução natural do trabalho desenvolvido pela família ao longo das últimas décadas. “Levar um legado à frente significa materializar sonhos e transformar projetos históricos em realidade concreta. A Urbizzi é a evolução natural do compromisso que nossos pais iniciaram com Toledo e com a região”, afirmam Sara e Victor Donaduzzi.

Urbizzi: proposta é assumir a gestão do crescimento urbano do território

PRINCIPAL MISSÃO

A empresa terá como principal missão estruturar a expansão urbana do Biopark, conciliando crescimento econômico, desenvolvimento imobiliário e bem-estar. A proposta é criar um ambiente capaz de atrair moradores, empresas, estudantes e profissionais, fortalecendo ainda mais o ecossistema instalado em Toledo.

A criação da Urbizzi representa uma nova etapa no processo de urbanização do Biopark, que nos últimos anos ampliou sua atuação para além da inovação empresarial e educacional, consolidando–se como um projeto de desenvolvimento urbano integrado.

MORE NO BIOPARK

Outra iniciativa anunciada foi a campanha “More no Biopark”, voltada à comercialização de terrenos para moradia. A proposta busca estimular a ocupação residencial do território por meio de condições diferenciadas para quem pretende construir e viver próximo ao ambiente de inovação.

MERCADO

O evento também registrou a assinatura do contrato para implantação de um mercado dentro do Biopark. O empreendimento terá investimentos dos empresários Matheus José Cabral Campos e Eliandro Anholeto Costa e será administrado por Gilson Moraes Rodrigues. A inauguração está prevista para janeiro de 2027.

A estrutura contará com panificadora, açougue, setor de secos e molhados e estacionamento, ampliando a oferta de serviços para moradores, trabalhadores e estudantes que circulam diariamente pelo complexo.

Por Jairo Eduardo. Ele é jornalista, editor do Pitoco e assina essa coluna semanalmente no Jornal O Presente

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