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Silvana Nardello Nasihgil

Apelidos são depreciativos e geram confusão: pra que usá-los?

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Hoje me peguei pensando sobre os apelidos. Tem muito nessa história que sequer nos damos conta.

Quando uma criança está pra nascer, escolher o nome que iremos chamá-la geralmente é uma grande dificuldade para os pais.

Pensamos, repensamos e imaginamos um nome que achamos lindo e que venha a combinar com o bebê, a criança e o futuro adulto.

É comum que ao nascer a criança já tenha o nome escolhido, mas, muitas vezes, já ainda no ventre da mãe desconsideramos o nome e começamos a usar apelidos.

Existem nomes carinhosos que servem não pra mudar o nome escolhido, mas pra acrescer mais amor, e não são considerados apelidos, tipo: querido, fofo, amada, linda, amorzinho… e por aí vai.

Em contrapartida, existem nomes que servem pra mudar totalmente o nome escolhido.
Sem nos darmos conta já vamos chamando de nomes muitas vezes esquisitos, às vezes no diminutivo e outras mudando totalmente o nome original. Pela insistência o apelido vai ocupando o lugar do nome dado e as outras pessoas passam a conhecer o serzinho somente pelo apelido.

Muitas crianças sequer respondem quando são chamadas pelo nome verdadeiro, chegando na vida adulta confusas com a própria identidade.

Se passamos tanto tempo escolhendo um nome, qual a razão de criarmos um nome paralelo? Não seria melhor ter usado o apelido como nome e dar ao pequeno ser a sua identidade através dele?

O pequeno ser vai crescendo, construindo a sua história, a sua personalidade e se ligando ao mundo preso em um apelido que não o define civilmente.

Muitos apelidos são até depreciativos, gerando confusão e até bullying quando tiverem que partilhar a vida com outras pessoas.

Aquilo que pode parecer inofensivo e familiar se estenderá vida afora, criando um registro difícil de mudar.

É tão lindo chamar uma pessoa pelo seu nome e vê-la feliz e orgulhosa por ser alguém que possui uma identidade real. É tão lindo ver uma criança mesmo na mais tenra idade respondendo ao ser chamada e aprendendo a falar o seu nome. Então, qual a razão de complicarmos?

Pra gente pensar!

Por Silvana Nardello Nasihgil. Ela é psicóloga clínica com formação em terapia de casal e familiar (CRP – 08/21393)

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