Fale com a gente

Silvana Nardello Nasihgil

Estamos perdendo a sensibilidade

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Quero partilhar com vocês uma reflexão, a meu ver, muito necessária sobre um tema bastante pertinente.

Tenho percebido ao longo dos tempos e mesmo no meu trabalho que estamos perdendo e deixando para lá muitas atitudes positivas. Andamos esquecendo ou mesmo fazendo pouco caso de uma forma crescente de praticar as gentilezas.

Vamos caminhando pela vida, circulando entre as pessoas e esquecendo de agradar, de agradecer, de surpreender e de gerar emoções. Ao invés disso, passamos a acreditar que a praticidade nos fará politicamente corretos, e na ideia minimalista da vida bloqueamos o melhor que podemos ser.

Alguém não gosta de gentilezas, de ser lembrado, surpreendido e de receber presente?

Eu só conheci pessoas que não gostam porque algo negativo marcou. No mais, ser surpreendido com um mimo, independente do valor, deixa o coração quentinho e faz com que a gente se sinta especial.

Falo isso porque tenho observado que essa atitude tão especial está se perdendo. Hoje, mesmo o Natal que vem marcado pelo presentear, está se tornando sem brilho e sem graça, onde pouca gente (principalmente as crianças) espera pelo dia de abrir um pacote e ser surpreendido.

Muito triste ver que se a parte religiosa do Natal já vem se tornado menos significativa, a parte humana e encantadora está igualmente caindo em desuso.

Então, tudo está se resumindo em comida, jantares, viagens e coisas que servem para sustentar o corpo. As emoções e o divino estão dando lugar ao comercial.

E o Natal (como outras datas festivas) vem perdendo os seus encantos.

Voltando ao presentear, é extremante comum as pessoas perguntarem o que o presenteado quer ganhar, levá-los a uma loja ou dar o cartão de crédito e pronto, resolvido o “problema”. O que estamos ensinando às nossas crianças quando tiramos delas o direito de serem surpreendidas e, para piorar, quando “presenteamos” com dinheiro ou com algo que seja somente necessário?

Canso de ver acordos (com vantagens para os adultos) do tipo: você precisa de um celular novo, um tênis novo ou seja lá o que for, então eu compro para você (no mês de maio) e já fica como presente de Natal. Gente, o que é isso, como assim?

Estamos perdendo a sensibilidade e o desejo de agradar tem dado lugar a praticidade. Nisso as emoções vão embrulhadas junto com o descaso, como se tudo se resolvesse no automático, sem importância e sem sentido.

Muito raro ver casais que se presenteiam, que buscam se surpreender mutuamente, agradando com mimos, buscando dizer ao outro com atitudes tão simples que se importam e que se lembraram um do outro. O mais usual, infelizmente, é o escolhe o que você quer e compra que eu pago.

O que isso agrega na vida e o que isso tem de positivo para uma relação de pares?

Que importância se dá ao outro quando se tem “preguiça” de pensar o que lhe agradaria?

Não falo de valores, mas de coisas simples que agradam, que aquecem o coração e que por gestos descrevem a importância e o valor das relações.

Sempre existirá uma flor que pode ser colhida pelo caminho, um chocolate, um brinquedinho desejado, uma lingerie, um creme hidratante, um batom… São infinitas as opções.

Se você conhece quem você ama, certamente saberá o que irá lhe agradar. Ao invés do tanto faz, não seria mais interessante se arriscar e surpreender?

É importante que revermos as atitudes que estamos tomando. O que estamos ensinando aos pequenos e o que estamos partilhando com as pessoas?

Se queremos gentilezas precisamos gerá-las, precisamos agir. Ser amável pode ir muito além de palavras, pode vir através de atitudes, de coisas simples, mas que se tornam grandiosas para quem recebe.

A vida não pode ser prática e sem emoção, porque se queremos tocar o coração das pessoas precisamos prestar atenção nos detalhes. É neles que ganhamos as pessoas e é neles que as perdemos.

Ainda dá tempo para surpreender de um jeito muito fofo quem sequer espera algo de nós. Ainda dá tempo de buscar algo significativo para encantar os olhos e alegar o coração dos nossos pequenos.

Ainda dá tempo de tudo!

Por Silvana Nardello Nasihgil. Ela é psicóloga clínica com formação em terapia de casal e familiar (CRP – 08/21393)

silnn.adv@gmail.com

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