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Silvana Nardello Nasihgil

Imaturidade emocional leva as pessoas a enxergarem somente a si

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Um dos males do ser humano é não saber usar as palavras. Muitos acreditam que falando tudo o que pensam estão sendo verdadeiros, e para se tornarem ainda mais autênticos regulam o tom de voz no volume mais alto possível.

Tem gente (muita gente) que se relaciona com parceiros e filhos como se fosse o dono(a) da razão, como se fosse o centro do mundo, como se tudo girasse em torno de si. Basta um descompasso e gritam, passam o dia gritando por qualquer coisa, irritando todo mundo e nem se tocam que com isso estão deixando transparecer o pior de si. Gritam com parceiros e com os filhos, deixam tudo sair do controle, intimidando sem cessar, criando raiva e medos absurdos ao invés de respeito e amor.

Infelizmente, esse padrão de comportamento faz com que os outros percam totalmente a admiração, se sintam inseguros e despertem o desejo de se manterem afastados.

Quando isso acontece podemos facilmente perceber que é difícil demais continuar amando alguém que não tem o mínimo respeito nem por si, quem dirá por aqueles com quem convive.

Acreditar estar sempre certo(a) e desejar que os outros aceitem isso como verdade, além de ser uma atitude de extremo egoísmo, tem também muita falta de respeito e incapacidade de perceber que somos diferentes e que respeitar essas diferenças são as regras básicas para uma convivência sadia.

A imaturidade emocional leva as pessoas a enxergarem somente a si, desejarem ver satisfeitos todos os seus desejos sem dar a mínima importância àqueles com que dividem a vida. Esse tipo de pessoa é só aturada. No caso dos pares, muito facilmente pode levar à separação. Os amigos e familiares optam por se afastar e, em pouco tempo, o(a) cheio(a) de razão acabará sozinho(a).

Quem quer viver em pares precisa aprender a conversar, ouvir, se importar, deixar de querer ser o centro das atenções para ser parte da relação, entender que o outro também tem o direito de falar de si, de discordar, de ter um espaço pessoal, de conviver com outras pessoas… Entender que existe vida além da relação a dois.

Quem quer ser respeitado(a) e amado(a) pelos filhos, familiares e amigos precisa saber respeitar o espaço e os sentimentos dos outros, deixar de ser o(a) dono(a) da razão, baixar o tom da voz e saber ouvir compreendendo e respeitando as diferenças.

Quem não fizer por merecer estar na vida das pessoas pode estar fisicamente presente, mas perderá a admiração e o direto de ficar, passando a habitar muito longe do coração. Com o tempo e com a repetição de atitudes negativas, o afastamento acontecerá naturalmente, porque gente chata e dona da verdade não merece pena, precisa, sim, é se tratar.

Então, todos podem escolher como viver, se rodeados e amados pelas pessoas ou aquele que evoca pena e sentimentos negativos, do qual os demais querem distância.

 

Silvana Nardello Nasihgil é psicóloga clínica com formação em terapia de casal e familiar (CRP – 08/21393)

silnn.adv@gmail.com

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