Infelizmente, vivemos épocas difíceis, diante de tanto descompasso que atinge desde crianças até os idosos. Pensamos em como consertar tudo do nosso jeito e esquecemos que, muitas vezes, se faz necessário buscar ajuda profissional.
Diante de sofrimentos psíquicos, emocionais e mentais de toda natureza, nos sentimos, muitas vezes, enfraquecidos e sem rumo.
Quando a situação aperta, desregulando comportamentos, é comum que o primeiro pensamento seja: preciso consultar um psiquiatra.
Talvez muitos não saibam que a psiquiatria é de grande importância, mas a função dela é regular de forma medicamentosa, através dos sintomas, as disfunções neuroquímicas.
Diante dessa constatação, pergunto: quem ajuda a organizar os pensamentos e comportamentos que adoeceram? Quem auxilia no autoconhecimento e na condução de uma vida mais leve, reorganizando pensamentos e comportamentos?
Vivemos em pleno 2026 e, sem uma explicação lógica, presenciamos preconceitos infundados sobre a função da psicologia na vida das pessoas.
Sinto adultos perdidos nas suas atribuições, casais sem rumo e adolescentes sem conseguir se compreender.
Esquecemos que existem dificuldades em que amigos e família não conseguirão resolver. Muitas vezes, delegamos às pessoas ao nosso entorno a função de auxiliar na busca por soluções. Com isso, esquecemos que essas pessoas também têm problemas, estão envolvidas conosco e querendo ajudar, usarão aquilo que respinga nelas e nas suas dificuldades, muitas vezes potencializando aquilo que está em desequilíbrio.
Muitas vezes, recebi pessoas que fazem tratamento psiquiátrico, usando medicação, e sequer conseguiram melhora. Após um período de terapia conseguem olhar para si de outra forma, conseguem encontrar saídas onde tudo parecia embaçado e sem rumo. Com o tempo, com o auxílio do psiquiatra, reduzem a medicação e até desmamam totalmente.
Quanto aos adolescentes, o mundo hoje se apresenta imediatista, tudo está na ponta dos dedos, e lidar com frustrações está difícil demais. Hoje os adolescentes vivem uma imersão desenfreada sobre a sexualidade, estão confusos e se apoiam na internet e em outros adolescentes para buscarem o caminho a seguir.
Já não basta mais ser pais no modelo que conhecemos, se faz necessário se estender a um mundo difícil de compreender. Diante disso, a ajuda de um/uma profissional da psicologia, com escuta e acolhimento baseados na ciência e no conhecimento, ajudam a ajustar a rota, trazendo tranquilidade para um caminhar sem angústia, com clareza e segurança.
Nada disso se fala, e pouco sobre isso se leva a sério, mas já passou da hora de reavaliarmos o caminho que estamos seguindo.
As escolhas por um caminhar acompanhados quando nada parece fazer sentido faz toda a diferença. O investimento em saúde mental é a atitude mais acertada que alguém pode fazer. De nada adianta ter todos os bens materiais do mundo quando a mente não encontra o seu lugar de paz.
Diante das demandas que surgem todos os dias no consultório, sou testemunha de histórias incríveis e de vidas transformadas. Hoje senti a necessidade de falar sobre isso, pensando poder tocar a vida de pessoas que sentem não ter mais rumo.
Conheço o sofrimento humano, estudei e estudo para poder decodificar esses “mistérios”, e fico muito triste quando leio ou vejo situações que não precisariam estar acontecendo, sofrimentos que poderiam ser ressignificados e vidas que poderiam encontrar um novo sentido.
Achei essa reflexão necessária diante de tanto descompasso, de tanto sofrimento, muitas vezes do desconhecimento e de portas fechadas por preconceitos e medos de buscar um novo caminho.
Na dúvida, se arrisque, experimente uma história nova de autoconhecimento, autocontrole, autorrespeito e amor próprio. Quanto mais aprendemos sobre nós, mais leve será o caminho a seguir.

Por Silvana Nardello Nasihgil. Ela é psicóloga clínica com formação em terapia de casal e familiar (CRP – 08/21393)
@silnasihgil
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