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Discurso alinhado expõe insatisfação de Ancelotti e aponta ansiedade como erro maior do Brasil

Jogadores têm discurso único de que estreia na Copa do Mundo trouxe intranquilidade à equipe, especialmente no primeiro tempo do empate com Marrocos


calendar_month 14 de junho de 2026
6 min de leitura

Impaciente, com respostas curtas e expressão fechada, Carlo Ancelotti foi transparente sobre que sensações teve diante do empate por 1 a 1 com Marrocos. Os jogadores reforçaram a insatisfação do treinador, foram autocríticos e tiveram um discurso alinhado cuja palavra mais repetida foi “ansiedade”, eleita pela maioria como grande vilã de um Brasil errante na estreia da Copa do Mundo.

Danilo, do Flamengo, foi mais direto e repetiu diversas vezes que o Brasil “deu sorte” de ir para o intervalo com apenas 1 a 1 no placar. Seus companheiros, além de insistirem muito sobre a ansiedade, também mencionaram o que Ancelotti disse: “A Copa não termina no primeiro jogo”.

Danilo critica atuação da Seleção: “Tem que agradecer que foi 1 a 1”

Ancelotti, em conversa com Alex Escobar antes de se apresentar para a coletiva, foi o primeiro a mencionar a tal ansiedade.

— Um pouco de ansiedade acho que sim, na primeira etapa eles saíam da pressão e faziam transições perigosas. Podíamos ter mais controle.

Vini Jr., eleito melhor em campo e primeiro atleta a falar após o jogo, não a citou literalmente, mas usou outras palavras e, quando perguntado se a ansiedade atrapalhou, confirmou.

— Sem dúvidas, é o peso da estreia. É o jogo mais difícil da competição, onde temos que nos adaptar o mais rápido possível porque tomamos o gol muito cedo, acaba mudando completamente a nossa forma de jogar. Vamos ter que nos adaptar, porque para ganhar a Copa do Mundo você vai ter que sofrer, tomar gol, virar jogos. Temos que estar preparados para isso.

Vini Jr. analisou a partida da equipe contra o Marrocos

— O peso da estreia sem dúvida foi o que fez a gente jogar dessa maneira, mas acredito que temos pontos positivos depois de tomar o gol. Reagimos muito rapidamente, fizemos o gol, depois controlamos mais o jogo, o mister mudou o Raphinha de lado, onde abrimos o campo e conseguimos nos adaptar melhor nessa formação para esse jogo.

O goleiro Alisson, outra das importantes lideranças do Brasil, foi enfático ao dizer que o “Mister não gostou nada” e pediu autocrítica ao time, cobrança que ganhou eco em vozes de outros atletas do plantel canarinho.

Veja o que disse o grupo:

Alisson: “O Mister não gostou nada”

Alisson revela bronca de Ancelotti no intervalo de empate do Brasil com Marrocos

— Não foi nada bom da nossa equipe. Muitos erros técnicos, isso vai tirando um pouco a confiança um pouco do jogo. Foi uma partida muito aquém daquilo que poderia fazer, da expectativa, dos treinamentos. A gente sai com sentimento triste por não ter conseguido fazer aquilo que tinha que fazer dentro de campo e pelo resultado. Temos que olhar o lado positivo, saímos atrás e conseguimos o empate.

— Não deve tirar nossa confiança de maneira nenhuma. O Mister não gostou nada do que a gente fez no jogo. Temos que ser autocríticos e saber que podemos fazer muito melhor. Temos qualidade, temos time suficiente para fazer melhor. Isso é ponto de partida. Saber que poderia ser melhor e melhorar para próxima partida.

Lucas Paquetá: “Ansiedade tomando conta do nosso jogo”

Lucas Paquetá: “Ansiedade tomando conta do nosso jogo”

— Acho que a gente fez um primeiro tempo ruim, muito nervosos nos primeiros 25 minutos, a ansiedade tomando um pouco conta do nosso jogo e acabamos tomando o gol. Acredito que depois do gol do Vini conseguimos começar a botar a bola no chão, no segundo tempo iniciamos muito melhor, com um controle muito melhor. Temos que melhorar, não dá para deixar essa ansiedade tomar conta. O primeiro jogo de estreia passou, vamos seguir melhorando que só está começando. Acho que estreia de Copa é sempre um nervosismo a mais, fizemos um primeiro muito muito abaixo do que a gente vinha demonstrando, é autoavaliar, não deixar com que essa ansiedade tome conta da gente.

— Ele (Ancelotti) passa muita tranquilidade para nós, jogar mal ou bem é do futebol. Nem sempre as coisas vão dar certo. É ter autocrítica, trabalhar e seguir crescendo porque é só o primeiro jogo. Se pudesse escolher um jogo para as coisas darem errado seria esse. É seguir evoluindo e melhorando porque a competição acabou de começar.

Luiz Henrique: “Estava um pouco ansioso”

Luiz Henrique fala sobre a estreia na Copa do Mundo: “Um pouco ansioso”

— Estava um pouco ansioso, mas depois que entrei na partida e dei o primeiro toque na bola me senti mais à vontade. Quando entro ou quando estou de titular, quero entregar meu amor, minha alegria, meus dribles e meus passes para ajudar nossa equipe sempre sair vitoriosa. Não conseguimos (ganhar), empatamos, mas foi importante não perder. Temos de dar parabéns ao Marrocos, que tem um bom time. O mais importante é que não saímos derrotados Vamos para o próximo jogo.

Bruno Guimarães, sobre ansiedade ou questão tática como erro maior: “Um pouco dos dois”

— Acho que um pouco dos dois. Estreia é sempre difícil, a gente sabia que eles queriam a transição, acabamos errando alguns passes que não costumamos errar. Isso que acabou nos frustrando um pouco. Um erro ali de muitos jogadores acabou abaixando nossa confiança bastante, mas acho que depois a gente melhorou na partida, mas enfim acho que a gente sai um pouco frustrado porque queria ter ganho o jogo.

Douglas Santos: “A estreia não define o final do campeonato”

— A ansiedade, né? Às vezes quando estamos com muita energia e vontade acaba atrapalhando um pouco, mas a estreia não define o final do campeonato. A gente tem que ter tranquilidade e maturidade, saber que a gente pode sempre melhorar. É seguir buscando confiança para desempenhar melhor o nosso papel no próximo jogo.

— A gente sabe que tem boas peças de reposição, não tem um time titular formado. Quem tá entrando sempre vai dar o melhor, assim como quem inicia. A gente conseguiu botar um mais de ritmo e intensidade no segundo tempo. É com essa cara que, se Deus quiser, vamos seguir trabalhando para desempenhar nosso melhor trabalho.

Marquinhos: “A pilha é natural”

— A pilha é natural. Nós que temos mais experiência sabemos o que é uma Copa do Mundo, principalmente com a seleção brasileira e essa camisa que tem tanta história, levamos isso com a gente. O Brasil tem sempre muitos olhares, muita euforia, para que comece sempre bem e ganhando, mas futebol é muito equilibrado. A gente vê Marrocos fazendo grande jogo, semifinalista da última Copa, jogamos contra um time muito qualificado. Basta analisarmos bem para o próximo jogo e focarmos no que podemos fazer. Isso que vem de fora faz parte, não podemos controlar. Podemos controlar treinamento, trabalho dentro de campo e preparação para os jogos. Nisso que temos que focar mais.

“Tentamos nosso melhor”, afirma Igor Thiago após empate contra o Marrocos

Igor Thiago: “Maioria na primeira Copa”

— Acho que posso dizer que sim (perguntado se a ansiedade atrapalhou), porque a maioria aqui está na primeira Copa, mas os mais velhos têm nos abraçado e nos colocado na direção certa. No final acho que tudo vai dar certo.

Com g1

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