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Sombra e água fresca: bem-estar das vacas favorece a produtividade de leite

Irio, Neusa e o filho Ivan Griep: manejo e ambientes adequados favorecem o sucesso na atividade leiteira (Foto: Divulgação)

Sinônimo de bem-estar, “sombra e água fresca” resumem bem os principais elementos necessários para que os bovinos leiteiros tenham qualidade de vida. Mas o conforto a ser oferecido aos animais para que possam expressar sua produtividade vai além desses itens, abrangendo desde a alimentação até o controle de doenças. Parâmetros internacionais elencam cinco pilares para alcançar o bem-estar animal.

O animal deve ser:

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1) Livre de fome e sede;

2) Livre de desconforto;

3) Livre de dor e doença;

4) Livre para expressar seu comportamento natural;

5) Livre de medo e estresse.

 

Fome e sede

Os bovinos precisam de alimentação farta e que contenha todos os nutrientes necessários para sua manutenção corporal, sanidade e para a produção de leite, abrangendo componentes que sejam fontes de energia, proteínas e sais minerais.

Paralelamente, a disponibilidade de água deve ser abundante e acessível, além de ter qualidade e estar fresca. É desejável que os animais de um mesmo rebanho não precisem competir pela água (o recomendado é uma linha de cocho de pelo menos 15 centímetros por animal) e que o bebedouro fique próximo das áreas de circulação deles, pois caso esteja longe, a tendência é que as vacas não se desloquem para beber água, até mesmo em função do calor e do cansaço que poderiam sentir. A água deve estar limpa e livre de musgo. Em quantidade ideal, ela reduz a temperatura corporal e é fundamental para a produção de leite.

 

Desconforto

Os itens relacionados a conforto se referem aos ambientes onde os animais circulam, são alimentados e ordenhados. Para alcançar o conforto térmico é preciso que as áreas de pastagem tenham locais sombreados para eles se protegerem dos raios solares. As vacas adoram uma área arborizada. A recomendação para vacas em lactação em área de pastagem é de oito a 10 metros quadrados de sombra por animal. Em caso de barracões é preciso avaliar se o telhado não é muito baixo, pois ele aquece e torna o ambiente quente para o rebanho. A ventilação é outro ponto relevante para amenizar a temperatura e melhorar o bem-estar.

Deve-se evitar a exposição dos animais ao sol em períodos e horários muito quentes, o que pode gerar estresse térmico e afetar o sistema imunológico deles. Quando é muito quente, as vacas também tendem a comer menos. Animais holandeses são ainda mais sensíveis, já que naturalmente são mais adaptados ao frio, devido à sua origem.

As condições da propriedade e das instalações devem ser consideradas. O ideal é que os animais não permaneçam em locais com muito barro, pedras ou piso liso, que dificultam seu deslocamento. Recomenda-se fazer piquetes para possibilitar a recuperação da pastagem e evitar a formação de barro; e construir pisos com ranhuras para que as vacas não escorreguem.

É importante ter um ambiente adequado para alimentação e repouso para todos os animais, pois a tendência é que aqueles com comportamento dominante ocupem os melhores lugares e os demais fiquem de lado.

 

Dor e doença

Fatores que podem ocasionar situações de dor ou doença devem ser combatidos, como é o caso do excesso de barro, que pode ocasionar mastite; ou excesso de umidade, que pode gerar problemas de casco. A água é capaz de amolecer o casco, deixando-o frágil e causando dor. Locais com muitas pedras ainda podem machucar o miolo do casco.

No sistema de Compost Barn, o excesso de umidade na cama ainda é fator de predisposição para a proliferação de bactérias que causam mastite.

 

Comportamento

Proporcionar aos animais condições próximas às naturais de sua espécie é importante para alcançar condições para que eles expressem seu comportamento natural, bem como para obter melhores rendimentos. Os ruminantes possuem necessidade de interagir socialmente com demais indivíduos do rebanho, exercendo liderança ou submissão, criando laços, formando grupos. Sendo assim, eles não devem permanecer isolados, sob pena se sofrerem estresse.

 

Medo e estresse

Por serem animais de manada, os bovinos tendem a ser movidos pelo medo, estando sempre vigilantes em relação a possíveis predadores, o que pode ser fator de estresse. Portanto, é muito importante o papel de quem faz o manejo do gado, devendo evitar atos de violência com os animais, especialmente porque eles possuem memória.

A sala de ordenha, por sua vez, deve ser um local tranquilo para as vacas, visando favorecer o seu bem-estar no ambiente em que elas vão expressar o seu potencial produtivo.

 

Água pra que te quero

O bem-estar animal é uma premissa na propriedade da família de Irio, Neusa e Ivan Griep, localizada na Linha Guará, em Marechal Cândido Rondon. No local são criados 56 animais, sendo 46 vacas e 10 novilhas, as quais contam com locais arborizados para descanso e instalações arejadas no espaço de alimentação e na sala de ordenha. “Também sempre procuramos manter limpo o corredor de alimentação, para que elas tenham cascos saudáveis”, declara Ivan.

Foi construído um bebedouro revestido com cerâmica e devidamente dimensionado para ofertar água para todos os animais. “Fizemos uma linha de cocho adequada e procuramos fazer sempre uma boa higienização”, garante Irio.

A nutrição animal é balanceada, sendo fornecida ração mineral, feno, silagem, massa de mandioca, pasto e grama cortada.

Bem alimentadas, com sombra e água fresca, as vacas conseguem expressar sua capacidade produtiva e têm garantido bons rendimentos à família Griep.

 

Com Copagril 

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