Terminou na noite de quinta-feira (03), no Fórum de Marechal Cândido Rondon, a segunda audiência de instrução do caso Edna Storari, empresária rondonense que desapareceu em setembro do ano passado.
Foram ouvidas oito testemunhas de acusação arroladas pelo Ministério Público e cinco testemunhas de defesa. Os quatro denunciados por envolvimento no homicídio também foram interrogados: o marido da vítima (principal suspeito da morte de Edna), o filho dele (apontado como partícipe intelectual na morte e autor do desaparecimento do corpo), bem como a filha dele e o genro, que, conforme investigação da Polícia Civil, teriam ajudado no desaparecimento do corpo e na tentativa de apagar provas do crime.
O promotor Caio Santana explica que foi encerrada a fase de instrução do processo e que agora estão sendo preparadas as alegações finais escritas, para que a Justiça Criminal local decida se o caso irá a júri popular. “Vamos preparar as alegações finais escritas, depois as defesas poderão fazer as suas alegações, dando subsídios para que o juiz criminal da comarca tome uma decisão. O Ministério Público espera que seja de pronúncia que os quatro réus sejam levados a júri popular ainda este ano”, ressalta.
Santana diz que a linha produzida na fase policial foi integralmente confirmada nas audiências de instruções. “Ou seja, os depoimentos prestados na fase policial que ampararam a denúncia do Ministério Público foram integralmente confirmados em juízo. O Ministério Público está convicto que a linha sustentada na denúncia aconteceu conforme descrito na denúncia, que é pública. Agora vamos colocar isso no papel, formalizar as alegações finais e aguardar serenamente o término desta primeira fase. O Ministério Público espera, novamente insisto, que seja de pronúncia e que ainda este ano os réus sejam levados a júri popular e julgados pelo soberano conselho de sentença, que são os jurados da comarca”, pontua.
Conclusão da investigação
A Polícia Civil de Marechal Rondon encerrou o inquérito do caso Edna Storari no dia 10 de dezembro. A investigação ocorreu ao longo de 75 dias e se iniciou uma semana depois do desaparecimento da empresária, que aconteceu no dia 20 de setembro.
Ao todo, mais de 20 pessoas foram ouvidas e diversos relatórios foram elaborados, além de perícias em telefones e perícias com luminol na residência da vítima. Áudios da vítima e filmagens de câmeras de segurança referentes à investigação foram divulgados durante a coletiva de imprensa feita pelo delegado Rodrigo Baptista dos Santos, clique aqui e veja os materiais.
Entenda o caso
A empresária rondonense Edna Storari, de 56 anos, foi dada como desaparecida no dia 27 de setembro por uma das filhas. A mulher morava em Marechal Rondon há oito anos e suas duas filhas residem em Tapejara e Pérola do Oeste, no Paraná.
Tão logo o caso chegou à Polícia Civil, a situação foi tratada como desaparecimento. Contudo, com o andamento das investigações, passou a ser considerada como um caso de feminicídio. Segundo o delegado, há “elementos suficientes que, infelizmente, apontam para a morte da Edna, tendo como principal suspeito de ser o autor do crime o seu companheiro”, declarou, ao O Presente, em matéria recente.
O companheiro da empresária rondonense está preso preventivamente desde 07 de outubro, assim como o filho dele, a filha dele e seu genro, que foram detidos no dia 02 de dezembro. Edna e o homem não tiveram filhos juntos. O companheiro é investigado pelo crime de feminicídio e os filhos e genro por ocultação de provas e fraude processual.
Os filhos e o genro teriam negado a participação no crime durante o interrogatório, assim como o principal suspeito tem feito desde sua prisão.
Segundo o delegado, o crime foi premeditado e as provas colhidas ao longo do inquérito direcionam para um caso bárbaro motivado possivelmente pelo fim do relacionamento e a divisão dos bens. “A nossa investigação desmentiu ponto a ponto os álibis apresentados pelo acusado”, declara.
O Presente com Rádio Difusora