Paraná

Parceria impulsiona produção de camarão de água doce no Oeste do Paraná

 

Divulgação/Lacqua

Camarões podem oferecer renda extra a quem já cultiva tilápia na região

 

Uma parceria entre uma instituição de Ensino Superior pública e a iniciativa privada está impulsionando o cultivo de camarões de água doce no Paraná. O Laboratório de Carcinicultura da Universidade Federal do Paraná (UFPR), campus de Palotina, na região Oeste, une o seu conhecimento com a empresa Lacqua, que passa a ser a principal fornecedora de pós-larvas de camarão para os produtores da região. A UFPR vem desenvolvendo projetos de extensão que incluem a promoção da carcinicultura como forma de incrementar a renda nas propriedades rurais da região, mas tinha dificuldade em encontrar as pós-larvas, pois até então só havia uma empresa no Brasil, no Estado do Rio de Janeiro, que produzia a matéria-prima. Em 29 de abril a parceria promoveu uma palestra com especialistas no assunto, na UFPR de Palotina, reunindo produtores interessados na atividade.

O objetivo do curso foi detalhar aos produtores rurais como produzir camarões em cativeiro, explica o professor Eduardo Ballester, da UFPR. “Foram abordados aspectos básicos para a produção de camarões de água doce em cativeiro em sistemas de policultivo e monocultivo”, conta. No monocultivo os viveiros recebem apenas pós-larvas ou juvenis de camarão, já no policultivo há a estocagem de outras espécies aquáticas, como a tilápia, por exemplo. “Fizemos um breve histórico da situação atual da produção de camarões de água doce no Brasil e no mundo e sistemas de produção em monocultivo e policultivo, despesca e abate, conservação da qualidade do produto e assistência técnica aos produtores interessados”, comenta. “A produção e distribuição de pós-larvas será disponibilizada pela Lacqua, que é a única empresa do Sul do país a produzir pós-larvas de camarão de água doce em larga escala e de alta qualidade, inicialmente com capacidade operacional para até dez milhões de pós-larvas por ano”, expõe o sócio-diretor da empresa, Victor Vendrame.

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De acordo com o empresário, o cultivo pode ser feito em viveiros convencionais, como os de tilápia. Vendrame explica que o crustáceo é da espécie Macrobrachium rosenbergii, de fácil manejo e alto valor econômico. “É uma forma de aumentar a renda em propriedades que já têm viveiros ou mesmo para quem quer investir em novos tanques para começar na atividade”, pontua.

A empresa é dedicada à produção e distribuição de pós-larvas de camarão de água doce para todo o Brasil. Instalada em Palotina, aposta em conceitos como genética, nutrição, biossegurança e rastreabilidade. Além de produzir e comercializar as pós-larvas, a parceria presta consultoria aos produtores, com equipe de pesquisadores, engenheiros de pesca, biólogos, nutricionistas, médicos veterinários, profissionais de campo e administradores, que acompanham todo o ciclo produtivo, desde a construção dos tanques nas unidades rurais à comercialização do produto final destinado à industrialização.

A Universidade Federal do Paraná, por meio do Laboratório de Carcinicultura, tem desenvolvido o projeto Carcinicultura no Oeste do Paraná desde 2010, procurando estimular a produção de camarões de água doce em sistemas de monocultivo e policultivo no Brasil, em especial na região, entretanto o projeto era limitado devido à falta de disponibilidade contínua de pós-larvas. Além de atender o produtor, a empresa encerra também esta demanda da instituição pública.

 

O CAMARÃO

A Lacqua tem inicialmente uma capacidade de produção de até dez milhões de pós-larvas/ano, da espécie Macrobrachium rosenbergii, originária da Ásia e Indochina. Em viveiros de água doce, cada animal pode ofertar até 50 gramas de carne, dependendo do tempo desprendido para a criação.

O cultivo pode ser individual ou em consórcio. No monocultivo são estocados pós-larvas ou juvenis. Em regiões de clima temperado, a estocagem é feita na primavera (fim de setembro e início de outubro) e a despesca é feita no outono (abril, maio). Nas regiões de clima tropical, o cultivo pode ser feito durante todo o ano.

O policultivo é a produção simultânea, em um mesmo viveiro, com outras espécies aquáticas, como a tilápia, por exemplo. Nesse sistema, o produtor pode maximizar a produtividade e a rentabilidade usando um mesmo espaço na propriedade. Além de maior retorno financeiro, o camarão oferece outros benefícios, como a manutenção da qualidade da água, já que consome partículas deixadas pelos peixes que se depositam no fundo do viveiro.

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