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Paraná

Um olho na lavoura e outro no céu

 

Mirely Weirich/OP

Dezembro e janeiro são considerados decisivos para o desenvolvimento das lavouras: bastam 15 dias de sol intenso para queimar as folhas e cozinhar as vagens de soja

 

O Paraná caminha para a colheita de uma supersafra de verão. Com base na semeadura da soja e do milho que já foram finalizadas em outubro no Oeste – região que responde a aproximadamente 20% da produção de soja do Estado -, o potencial das lavouras paranaenses aponta para 23 milhões de toneladas de grãos, de acordo com a previsão do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria Estadual da Agricultura e Abastecimento (Seab).

Se o número for alcançado ao fim da colheita de arroz, soja, feijão e milho, o dado será 14% superior em relação à temporada passada, quando foram colhidas 20,2 milhões de toneladas. O volume estimado de 2,8 milhões de toneladas a mais está baseado na expectativa de aumento da produtividade, que pode ocorrer se não houver fenômenos climáticos severos como na safra de 2015/2016, com excesso de chuvas na primavera e no verão devido ao fenômeno El Niño, que prejudicou as culturas de feijão, milho e soja.

A região Oeste deve acompanhar proporcionalmente a expectativa de aumento na produção em vista do aumento de área semeada, que apesar de pequena, existe, porém não deve ser muito maior em termos de produção do que no ano passado, de acordo com a engenheira agrônoma do Núcleo Regional do Deral de Toledo, Jean Marie Ferrarini. No ciclo 2015/2016, a produção de soja chegou a aproximadamente 1,588 milhão de toneladas e, nesta safra, pode bater o 1,692 milhão. É recorde, porque em comparação aos outros anos a expectativa de produção é maior, explica.

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Nas lavouras da oleaginosa, a maior parte encontra-se em desenvolvimento vegetativo, com uma pequena área de aproximadamente 10% em frutificação. Por causa do ciclo determinado, a soja fica bastante tempo florescendo, esclarece.

Nos últimos cinco a seis anos, praticamente todas as culturas plantadas no Estado perderam área para a soja, o que fez com que a cultura incorporasse grandes áreas, que resultaram em sucessivos recordes de produção. De acordo com Jean Marie, na região Oeste o milho já conquistou o espaço da soja nessa primeira safra, contudo, o número ainda é pouco significativo, passando de 9,2 mil da última safra de verão para 12 mil hectares neste ciclo. A área de milho verão continua pequena, a nossa área de milho é a do inverno, de segunda safra. O produtor já mantém essa mentalidade há alguns anos: plantar soja no verão e milho no inverno, ressalta a engenheira agrônoma.

Nas lavouras, a maior parte das plantas está em desenvolvimento vegetativo, com apenas 5% entrando em frutificação. A expectativa é que os produtores do Oeste alcancem 120 mil toneladas do grão.

 

Soja é sinônimo de garantia

Um dos produtores que sustenta essa teoria pela garantia que a soja representa segurança na primeira safra é Luiz Mengarda, agricultor de Pato Bragado. Apesar de este ser o primeiro ano em que há inversão do plantio de soja, que nos últimos 15 a 20 anos vinha ganhando área no Paraná, ele destaca que com a soja, além da garantia, há melhor base para o cultivo pela comercialização ser fundamentada no dólar e por esta ser uma cultura para exportação. O milho tem uma instabilidade muito grande nos preços, uma variação muito alta, por isso não temos a segurança de comercialização com preço razoavelmente bom na safra de verão, explica o produtor.

Os grãos de milho, diz, são jogados no solo apenas na safrinha. O milho a R$ 29 parece um preço razoavelmente bom, mas não é por conta do risco que a instabilidade desse preço traz. O produtor de suíno reclama que o preço está alto para ele manter o plantel, mas para nós não é isso que acontece. Acho que existe uma divergência nessa situação porque o produtor de suínos também deveria brigar por um preço melhor da proteína e o milho ter um preço melhor, a R$ 17 ou R$ 18 como estava há pouco tempo. Com a instabilidade do milho o agricultor deixa de plantar no verão, e é o que estamos fazendo agora menciona.

 

Desenvolvimento

Além de semear em terras bragadenses, Mengarda também acompanha o desenvolvimento da soja em Nova Santa Rosa, Marechal Cândido Rondon e Francisco Alves. Por isso, tem um bom parâmetro de como o clima está influenciando o andamento da safra nos diferentes solos em uma mesma região do Estado. Até agora as chuvas foram boas, mas logo após o plantio deixou de cair chuva, o que prejudicou o estande das plantas e a uniformidade em algumas áreas, avalia. Em Francisco Alves deu uma estiagem grande. Depois que fizemos a aplicação de herbicidas não choveu mais e complicou bastante, mas há poucos dias começou a dar uma recuperada pelas chuvas, complementa. Apesar de acreditar que nesta área haverá uma queda na produtividade, o agricultor diz que a colheita ainda será melhor do que no ano passado.

Embora a colheita ainda esteja longe de começar, a previsão de Mengarda é de colher de uma média de 120 a 150 sacas por alqueire. Tudo indica que a safra vai ser maior do que no ano passado, mas existem as variáveis de produtividade de acordo com o solo e, principalmente, o clima, por isso não é possível dar um valor exato de quanto iremos colher. Estamos a 50 dias da safra e é um período em que o clima pode influenciar muito, mas a colheita promete mais, menciona Cévio Mengarda, que trabalha ao lado do pai na produção de grãos.

Parte desta safra de soja, cerca de 15% a 20%, também já está comercializada em contratos futuros de R$ 77 a R$ 85 a saca. O preço que negociamos é bom porque compramos os produtos para a safrinha, e se fossemos comprar hoje para plantar o milho a R$ 29 ou um pouco menos, já seria um risco, diz Mengarda.

 

Meses decisivos

Mesmo com otimismo de que a família colha mais do que no ciclo 2015/2016, o produtor enfatiza que tudo depende do tempo. A agricultura é uma indústria a céu aberto. Depois que plantou não tem como modificar, você tem que conduzir a lavoura até o final do ciclo, ao passo que uma indústria de máquinas, por exemplo, se o processo deu errado lá na frente só depende de ajustes ou trocas, compara.

Pela incidência do fenômeno La Niña que trará chuvas irregulares a todo o Paraná, Mengarda é mais um produtor que mantém a pulga atrás da orelha ao falar de clima.  No final do ciclo, se der 20 ou 30 dias de sol direto, com certeza a produtividade cai e essa expectativa de produção que a gente tem vai por água abaixo, pontua. Por outro lado, também esperamos que não ocorra excesso de chuva na colheita. Já aconteceu de não conseguirmos colher ou tirar um produto com qualidade inferior, com descontos enormes e muitas perdas na lavoura, complementa.

Até mesmo para a meteorologia é difícil dizer quando ocorre um pico de chuva ou um período de estiagem, no entanto, tudo indica uma diminuição de chuva conforme a soja vai avançando o seu ciclo. Mengarda expõe que os meses de dezembro e janeiro são decisivos. Bastam 15 dias de sol diretos para perder a lavoura, pois a intensidade do sol queima e seca a folha e a vagem cozinha junto. Esse é um momento crítico, pois é quando a soja mais precisa de água, então bastam esses dias sem chuva para a nossa expectativa de produção cair lá embaixo, completa Cévio.

Segundo Jean Marie, já há municípios, como Terra Roxa e Guaíra, que provavelmente terão redução de potencial produtivo por conta de um período de estiagem registrado logo após o plantio. As chuvas de verão sempre são bem espaçadas e não são generalizadas, por isso pode haver variabilidade de produtividade entre municípios e até mesmo dentro do próprio município uma lavoura com produtividade boa e outra nem tanto, pois as chuvas de verão são bastante pontuais, explica.

Para a engenheira agrônoma, durante todo o período de floração, tanto da soja quanto do milho, o clima ainda é decisivo e não pode deixar de chover entre o fim de dezembro e o mês de janeiro.

 

Manutenção nos preços

Com a demanda sempre crescente de soja, a expectativa é de que os preços também fiquem aquecidos, porém, há um conjunto de fatores que podem trazer variações. Agora temos uma previsão de colheita boa, bem como da colheita americana, e isso também pode fazer variar para cima ou para baixo. O produtor deve ficar atento para, de acordo com o seu custo de produção, verificar qual o preço que compensa para ele, se é vender uma parte da produção e uma parte segurar para ficar negociando, por exemplo, diz Jean Marie. Ontem (19), o preço praticado na praça de Toledo para a saca 60 quilos de soja era de R$ 69.

Para o milho, a engenheira agrônoma do Deral destaca que existem as mesmas variantes pela mudança de consumo. Antes o milho era um produto para consumo interno, mas hoje tem se exportado mais e existe essa variabilidade que se compara com o mercado externo, expõe. Os Estados Unidos têm expectativa de produção bem maior, então isso vai depender bastante da demanda, avalia.

Jean Marie menciona que os preços da soja e do milho têm sido compatíveis aos preços de produção desde que os produtores avaliem o seu custo de produção. Ontem, a saca de milho de 60 quilos estava cotada a R$ 29,50 na praça de Toledo.

 

Safrinha

Na safra de inverno, quando a maioria dos produtores de grãos aposta na semeadura do milho, há possibilidade de um pequeno crescimento para o plantio da área do grão. Como o trigo vem diminuindo bastante a perspectiva é de que o milho avance, ainda que pouco, declara a engenheira agrônoma do Deral, Jean Marie Ferrarini.

A previsão para a regional de Toledo é de que a área avance 1%, de 433 mil hectares em 2016 para 477 mil hectares no próximo ano. Com esses entraves para zoneamento e questões da Vigilância Sanitária relacionadas à ferrugem asiática, acreditamos que essa sobra de área de soja safrinha venha para o milho de segunda safra, destaca.

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