Poder Legislativo "Estou tranquilo"

“Foi armação política”, diz Neco após denúncia que pode culminar na cassação de seu mandato

Vereador Dorivaldo Kist (Neco) (MDB) em visita ao Jornal O Presente: “A oposição montou isso para tentar me denegrir e me derrubar” (Foto: Maria Cristina Kunzler)

 

As polêmicas e acusações envolvendo vereadores de Marechal Cândido Rondon ganham, a cada semana, um novo capítulo na política local. Nesta semana, o novo alvo foi Dorivaldo Kist (Neco) (MDB).

Assim como Adelar Neumann (DEM), que chegou a ficar detido por quase dois meses a partir de uma ação entre o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e o Ministério Público, sendo preso em flagrante, o emedebista é acusado de pedir parte do salário de uma ex-servidora que havia indicado para ocupar cargo comissionado na prefeitura, no período de 2017 a 2018.

A denúncia foi protocolada na Câmara na segunda-feira (08) de manhã e, no mesmo dia, na sessão ordinária, foi colocada em votação no plenário a admissibilidade da abertura de processo disciplinar por quebra de decoro parlamentar. Na mesma sessão, também houve a votação pela admissibilidade dos processos que podem culminar com a cassação dos mandatos de Adelar e de Nilson Hachmann (PSC). No caso de Josoé Pedralli (MDB), o plenário votou pela rejeição.

Em visita ao Jornal O Presente, Neco demonstrou indignação pelo fato da denúncia ter sido recebida na segunda-feira e no mesmo dia já ser colocada para apreciação, segundo ele, sem haver sequer o parecer jurídico. “Já viu isso? Só na Câmara de Marechal que acontece. Mas a população vai saber quem são as pessoas lá dentro que ficam articulando as coisas”, dispara. “Na segunda de manhã não havia nada no sistema, depois surgiu a denúncia e o mais estranho é que não havia nem parecer jurídico. Achei que não seria incluída na pauta, porque essa denúncia foi forçada no meu ver”, argumenta.

De acordo com o edil, várias pessoas que presenciaram a sessão manifestaram se tratar de uma “armação”. “Seria julgado o caso do Adelar, que estava preso e já tinha a denúncia, e o caso do Nilson e do Pedralli. O presidente da Câmara (Claudio Köhler, PP) segurou o caso do Adelar, porque duas semanas atrás já poderia ter incluído na pauta para decidirmos a questão da admissibilidade para uma possível cassação. O grupo político de oposição que se formou dentro da Câmara está se articulando para tentar denegrir o grupo que apoia o governo do prefeito Marcio (Rauber, DEM)”, opina.

 

Conversas fora o contexto

Neco diz que na denúncia foram subtraídos trechos de conversas que, fora do contexto, poderiam dar a entender que o teor do diálogo era outro. “Não colocaram todas as conversas do WhatsApp. Simplesmente colocaram trechos que viram que poderiam cassar o Neco. Mas estou tranquilo, pois sei o que fizemos e a oportunidade que demos a essa pessoa”, declara.

Questionado qual sua versão sobre a denúncia apresentada na Câmara, o vereador explica que como parlamentar recebeu um pedido de ajuda, que decidiu atender. “Essas pessoas não moravam em Marechal e nem votavam em mim. Eram conhecidos de Porto Mendes (distrito rondonense). A família veio morar na cidade, estava passando por dificuldades e fui chamado. Eu e meu assessor fomos lá, nos pediram ajuda e eu ajudei pelo caráter dos pais. Solicitaram se eu poderia indicar a filha para trabalhar na prefeitura e eu ajudei”, admite.

Sobre a cobrança para que a ex-servidora enviasse cópia do holerite e o depósito de R$ 1 mil, o edil diz que concedeu à mulher um empréstimo. “Pode ver pelas conversas de WhatsApp que nenhuma vez cobrei que era dinheiro de propina e que todo mês deveria me pagar. Ela me devia um valor. Ela trabalhou de 2017 a 2018 e por que essa denúncia veio só agora? Porque ela nunca pagou um centavo de propina, pois nunca cobrei um centavo de propina dela”, expõe. “Depois que foi exonerada ela pensou que eu tinha alguma relação com isso e se achou no direito de procurar um vereador de oposição para articular algo na tentativa de me derrubar”, acrescenta.

O vereador frisa que a ex-servidora lhe devia dinheiro de um empréstimo. “Ela apresentou filmagens da casa dela. Fomos lá sim, mas porque meu assessor morava na casa dela em torno de três meses antes. Ele foi buscar correspondência. Se ela tem filmagem pode ver que não pegamos nada. Nada de propina. Vir agora à tona isso quando estava justamente para cassar três vereadores? A oposição montou isso para tentar me denegrir e me derrubar”, analisa.

Neco afirma também estar tranquilo diante das acusações. “Nunca precisei dessas coisas para estar na política. Sou uma pessoa simples e humilde. Estou tranquilo em relação a isso. Esse grupo político (de oposição) armou contra mim”, salienta.

 

Retaliação

Desde o início do mandato do prefeito Marcio Rauber, o vereador do MDB, embora esteja em um partido que faça oposição à gestão do democrata, tem se mostrado alinhado com as ações do governo. “Estou acompanhando o governo Marcio por ser uma gestão séria, honesta e acredito no trabalho dele. Estamos vendo as ações que estão acontecendo”, declara.

Perguntado se acredita estar supostamente havendo retaliações de pessoas ligadas ao MDB por sua postura política, Neco hesita na resposta, mas diz que talvez sim. “O que fizeram comigo foi um absurdo. Só estando na política para saber como são as coisas. Prometeram coisas absurdas e que não aconteceram. A população de Porto Mendes ficou esperando obras que não saíram do papel. Teve deputado que prometeu creche no distrito, que não aconteceu; a gestão do ex-prefeito prometeu tubulação, o que não aconteceu. Não concordo com essas coisas. Não é porque sou simplesmente um vereador que vou bater continência para eles. O que é errado é errado; e o que é certo é certo”, conclui.

 

O Presente

 

TOPO