Política

O município não está nas mãos dos Rauber, está nas mãos das pessoas, afirma prefeito

 

Ana Paula Wilmsen/OP

Prefeito Marcio Rauber: Assumi em 2017 para trabalhar. Jamais vou ficar criticando a administração anterior. Independentemente de como eu recebi o município, inclusive na questão financeira, eu vou ter que trabalhar para melhorar as condições de vida dos munícipes. E é isso que eu vou fazer

 

Os primeiros dias dos prefeitos empossados em 1º de janeiro estão sendo de muito trabalho. Em Marechal Cândido Rondon, Marcio Rauber (DEM) diz que estão acontecendo bastantes reuniões na prefeitura, além de atendimentos ao público. Focado em fazer uma gestão democrática, o prefeito afirma que as portas do gabinete sempre estarão abertas à população. Na primeira semana recebi várias dezenas de pessoas, menciona.Em entrevista ao O Presente, o democrata afirmou que os partos via Sistema Único de Saúde (SUS) voltarão a acontecer no município muito antes do que se imagina, que a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) tem 90 dias para entrar em funcionamento e que a estrutura do 24 Horas não será inutilizada; será destinada a algum setor da saúde que ainda está em estudo.

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Marcio também falou sobre as nomeações pendentes, as condições em que recebeu a prefeitura, os comentários de que Marechal Rondon está nas mãos de pai e filho e sobre as obras da Rua Santa Catarina. Confira.

 

O Presente (OP): Como estão sendo os primeiros dias de trabalho na prefeitura?

Marcio Rauber (MR): Muito intensos. Há muita informação nova, algumas pendências do ano passado, muitas reuniões e muito atendimento ao público e à sociedade organizada. Enfim, dentro do que nós esperávamos, de que se tem que trabalhar muito enquanto chefe do Poder Executivo.

 

OP: Ainda há nomeações pendentes. Até quando pretende concluí-las?

MR: A minha expectativa é anunciar os secretários que faltam nesta semana. Alguns cargos importantes, de diretores e chefes de gabinetes, vamos nomeando de acordo com a necessidade e com o passar do tempo. Não há nenhuma urgência. Vamos primeiro realizar um levantamento para depois fazer as devidas nomeações.

 

OP: O senhor encontrou dificuldades na hora de definir o seu secretariado?

MR: Tive muita tranquilidade. Não assumi compromisso com partidos políticos, mas tenho compromisso moral de ouvir os partidos políticos. Ouvi sugestões e troquei informações e ideias porque as experiências são importantes. Eu ouço as experiências das pessoas que estão perto de mim. Não tive nenhum problema em nenhuma nomeação. Tive liberdade de todo o nosso grupo para que fosse feita a escolha dos secretários. Tudo dentro da normalidade.

 

OP: Foi divulgado que a prefeitura foi entregue com R$ 12 milhões em caixa, sendo R$ 6,7 milhões em recursos livres para aplicação. Isso confere?

MR: Ainda não recebi da Secretaria de Finanças o fechamento do ano de 2016. Assim que eu tiver o fechamento exato vou poder dizer com toda certeza os números que nós recebemos a prefeitura em 1º de janeiro.

 

OP: Mas o ex-prefeito Moacir Froehlich, no ato de transição, lhe entregou um relatório que, segundo foi divulgado, apontava tais valores…

MR: Ele entregou o relatório, mas o relatório não é exato. Existem contas a pagar, existem alguns empenhos pendentes e eu preciso fechar o ano de 2016 para poder afirmar com exatidão com quais números o município foi entregue.

 

OP: Se for confirmado que há R$ 6,7 milhões em recursos livres, o senhor já sabe onde usá-los?

MR: Temos que cumprir o que está no orçamento. A princípio a gente vai cumprir aquilo que foi aprovado no ano passado, ou seja, o que está previsto para o orçamento deste ano. Mas, se houver superávit, poderemos fazer alguns investimentos específicos. No entanto, eu só posso fazer isso, reforço, depois que tiver a exatidão dos números. Em cima destes números poderemos planejar a execução de obras e novos projetos.

 

OP: Como o senhor avalia, de uma forma geral, as condições que recebeu a prefeitura?

MR: Regular, dentro da normalidade. Os prédios públicos precisam de investimentos. Na sala do prefeito, por exemplo, chove dentro. Mas o prefeito que me entregou a prefeitura já recebeu assim, e isso vem de muito tempo porque temos um prédio que é muito antigo. Então o aspecto físico é ruim. A Clínica da Mulher, que é uma obra relativamente nova, chove dentro. Ou seja, temos obras, mas que precisam de manutenção.

Assumi em 2017 para trabalhar. Jamais foi ficar criticando a administração anterior. Isso eu falei diretamente para o prefeito anterior. Então, independentemente de como eu recebi o município, inclusive na questão financeira, eu vou ter que trabalhar para melhorar as condições de vida dos munícipes. E é isso que eu vou fazer.

 

OP: O senhor acredita que o tão falado corte de gastos por parte dos governos federal e estadual vai dificultar o encaminhamento de projetos ou a captação de recursos para tirá-los do papel?

MR: Vai dificultar. Vivemos uma recessão econômica. O governo federal um pouco mais e o governo estadual um pouco menos. Isso tudo reflete no município, pois ele depende muito dos recursos que vêm dos governos. Não sabemos até onde os governos vão com esses cortes, mas isso não vai ser motivo para a gente não trabalhar. Vamos caminhar em Brasília, em Curitiba, com os deputados, para que ter acesso àquilo que está à disposição dos municípios para fazer o que é importante para os munícipes. A recessão, os problemas econômicos por quais o país e o Estado passam não serão motivos de acomodação. Pelo contrário, serão motivos para aumentar a velocidade do nosso trabalho para buscar tudo aquilo que for importante para a gente.

 

OP: O senhor espera contar com os deputados que deram maior suporte no governo passado quanto à viabilização de recursos para Marechal Rondon, como o Dilceu Sperafico (PP) e o Sergio Souza (PMDB), ou agora este papel deve ficar mais a cargo do Evandro Roman (PSD), levando em conta as questões partidárias?

MR: Não posso ser irresponsável e julgar as ações desses deputados (Sperafico e Sergio Souza). Eles serão procurados. O município precisa deles. Espero que eles continuem fazendo o que têm feito por Marechal Rondon. O Sperafico foi um deputado que trabalhou muito para o nosso município e eu quero que ele continue trabalhando, mas não posso e não quero julgar a sua ação.

 

OP: Que avaliação faz da eleição da Câmara, tendo o Pedro Rauber sido eleito presidente inclusive com votos de vereadores eleitos pelo grupo de oposição?

MR: Fico feliz por ser filho de alguém que teve uma conquista. Fiquei contente pela eleição dele de vereador e fiquei contente também que ele se elegeu presidente com dez votos, um número bastante expressivo. O fato de ter recebido votos de sete partidos diferentes mostra que as pessoas acreditam no trabalho dele. Ele já teve a oportunidade de ser presidente por duas vezes e desempenhou tal papel muito bem, então agora a torcida é para que assim seja novamente. Algumas pessoas dizem que a fiscalização do município pode sofrer danos por ele ser o presidente. Eu fui vereador de oposição e trabalhei muitas vezes sozinho nos meus posicionamentos, investigações, denúncias e críticas. O papel de fiscalizador é dos 13 vereadores e não do presidente.

 

OP: Ter seu pai como presidente e aliado na Câmara em algum momento pode lhe beneficiar em determinado aspecto?

MR: Todos os procedimentos na Câmara de Vereadores têm trâmites, legislação, regulamento, regimento interno. Então ele está vinculado ao que diz a lei . Tudo o que um presidente pode fazer é atrapalhar um prefeito, ajudar não tem como. E atrapalhar o bom andamento do Executivo ele não vai. Isso eu tenho certeza. Nunca fez isso em 32 anos como vereador, e não vai ser agora que vai fazer. Não vejo que vai beneficiar. Vai fazer aquilo que cabe à função de presidente, e fazer um trabalho bem feito.

 

OP: O que o senhor tem a dizer sobre os comentários e críticas de que agora Marechal Cândido Rondon está sendo comandado por pai e filho ou, ainda, que o município agora está nas mãos dos Rauber?

MR: Cada um faz o juízo que entender. Independentemente de quem seja o presidente da Câmara, eu sou o chefe do Executivo. Mas, sempre deixei muito claro que eu faria uma gestão democrática. Junto comigo estão os secretários, a sociedade organizada, estão as comunidades, e todas essas pessoas vão ajudar a administrar o município. Eu sou uma pessoa eleita e vou fazer uma gestão democrática. Vou mostrar para a sociedade que isso é possível. O município não está nas mãos dos Rauber, está nas mãos das pessoas. O chefe do Poder Executivo é um Rauber e o chefe do Poder Legislativo é um Rauber. O resto é bobagem. É política, e política nesse momento não me interessa.

 

OP: Pretende destinar algum dia da semana só para atender o povo?

MR: As portas do gabinete estão abertas. Obviamente que as pessoas precisam entender que o prefeito tem muitos compromissos. Às vezes a pessoa quer ser atendida na hora e não dá. Então, o ideal é que agende um horário. Não vou marcar dia para atender o povo. Nosso gabinete está aberto. Já recebi várias dezenas de pessoas (na primeira semana de trabalho na prefeitura). Nós vamos atender a população sempre.

 

OP: Há intenção de enviar algum projeto polêmico para a Câmara neste início de ano?

MR: Por hora não. Estamos analisando todos os documentos que recebemos e na medida da necessidade aquilo que for importante vamos mandar para o Poder Legislativo.

 

OP: Atualmente os partos via SUS não são feitos em Marechal Rondon. Já há conversas ou encaminhamentos para que eles voltem a acontecer no município?

MR: Os partos serão feitos em Marechal Cândido Rondon. Nós já estamos trabalhando para isso. O que precisa ficar claro é que não é simplesmente levar uma mulher para o hospital, passar o bisturi e tirar o neném. Tem que ter higienização do material cirúrgico, por exemplo. E isso necessita de trabalho especializado. Já estamos estudando a melhor forma de fazermos isso. Vamos buscar um procedimento licitatório para que a gente consiga fazer a esterilização desse material. E assim vai, existem vários outros requisitos que a nossa secretária de Saúde já levantou e já está trabalhando para que o mais rápido possível a gente consiga realizar esses partos em Rondon.

 

OP: Há algum prazo estipulado para que esta situação seja resolvida?

MR: As coisas vão acontecendo normalmente e no momento certo isso vai ser feito, mas vai ser muito antes do que se imagina.

 

OP: A tendência é de que esses partos sejam feitos no Hospital Municipal?

MR: A nossa vontade é de que sejam feitos no Hospital Municipal, e vamos trabalhar para isso. Posso afirmar que o Hospital Doutor Cruzatti vai fazer os partos muito antes do que se imagina.

 

OP: Com a inauguração da UPA, mais a Unidade de Saúde 24 Horas e o Hospital Municipal, o município passa a ter três grandes estruturas na saúde para administrar e destinar recursos. Vai conseguir verba suficiente para manter em funcionamento estas três estruturas?

MR: Temos 90 dias para colocar a UPA em funcionamento. A UPA deve fazer o trabalho que hoje é feito no 24 Horas. Vamos estudar qual é a melhor ação para desenvolvermos dentro do 24 Horas. A estrutura não vai ser fechada e inutilizada. Lá temos a ideia de que continue sendo um setor de atendimento à saúde, qual exatamente ainda não sabemos. Primeiro queremos saber como vai ser a absorção na UPA, que agora, por exigência legal, tem que funcionar. O prédio do 24 Horas é antigo, precisa passar por reformas, então vamos estudar qual é a melhor aplicação da saúde para aquele local.

 

OP: Em relação às obras da Rua Santa Catarina, que tiveram a qualidade bastante criticada, inclusive por pessoas do grupo que estava na prefeitura quando do início dos trabalhos, o senhor pretende rever algo ou dar continuidade normalmente?

MR: As obras em Marechal Rondon têm que ter qualidade. Vamos estudar o projeto, ver toda a situação de execução e se precisar revisar e alterar nós faremos, se precisar nós vamos buscar mais recursos para investir. Mas nos termos como ela foi feita não dá para aceitar. Vamos fazer uma análise do projeto como um todo, verificar se os recursos são suficientes e então dar continuidade na obra. Mas a obra ficou aquém da necessidade e aquém do gosto da população de Marechal Rondon.

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