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Política

Saúde e educação são as grandes prioridades, salienta Leomar Rohden

 

Joni Lang/OP

Prefeito eleito de Pato Bragado, Leomar Rohden (Mano) (PMDB): Não queremos passar por cima da lei, pelo contrário, queremos que ela seja cumprida, mas nós sabemos que já houve jurisprudência a favor em situações parecidas com esta. Nós acreditamos que esta situação pode ser revertida e resolvida

 

Prefeito eleito de Pato Bragado para a gestão 2017/2020, o atual vice-prefeito Leomar Rohden (Mano) (PMDB) concedeu entrevista ao Jornal O Presente ontem (19), ocasião em que destacou sobre os principais desafios do próximo mandato e as suas expectativas.

Com a vitória conferida nas urnas, o grupo situacionista teve delegado pelo eleitorado quatro gestões consecutivas junto ao Poder Executivo. Todavia, passa por uma situação delicada. Isto porque elegeu quatro dos nove vereadores, ou seja, a oposição emplacou cinco assentos. Com cenário indefinido, o prefeito eleito, ao lado do atual vereador e futuro vice-prefeito Dirceu Anderle (PP), aguarda uma decisão do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) com relação à cassação do registro de candidatura de cinco postulantes. Caso haja mudança, a situação passaria a contar com seis vereadores. Mano acredita na possibilidade de reverter e deve anunciar os primeiros nomes do Executivo após o Natal. Confira a entrevista.

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O Presente (OP): Em aproximadamente duas semanas o senhor será empossado prefeito. Os trâmites estão bem encaminhados para que possa assumir o governo no dia 1º de janeiro?

Leomar Rohden (LR): Sem dúvida estamos focados nesta questão, haja vista que na condição de atual vice-prefeito tenho acompanhado as ações do prefeito Arnildo Rieger (PP) na condução do município. Temos alguns detalhes a resolver para concluir a montagem de toda nossa equipe, sendo que a posse está sendo organizada pela Câmara de Vereadores, através do presidente e dos funcionários. Acreditamos reunir todas as possibilidades de a partir do dia 02 de janeiro desenvolver um trabalho muito bom para a nossa população.

 

OP: Qual será a primeira ação que o senhor pretende tomar como prefeito de Pato Bragado?

LR: Primeiramente vamos montar a nossa equipe para em seguida dialogar e definir algumas prioridades, pois a maioria já está definida. Precisamos acima de tudo cuidar do ser humano. Portanto, a saúde será uma das maiores prioridades, assim como a geração de empregos e renda. Temos uma parceria com a Associação Comercial (Acibra) e pretendemos estreitar esta boa relação com a entidade e com o Conselho de Desenvolvimento para que possamos ampliar as oportunidades de trabalho, gerando também mais renda ao município e especialmente às pessoas de forma coletiva. Essencialmente saúde e educação são as grandes prioridades e nós não podemos fugir desta realidade.


OP: O senhor já anunciou diversas vezes que estava no aguardo do julgamento dos recursos dos cinco candidatos a vereador que tiveram os registros das candidaturas cassados para então formar sua equipe de governo. O senhor ainda aguarda a decisão do TRE?

LR: Estamos analisando esta questão junto com o nosso vice Dirceu Anderle para procurar acertar cada vez mais. Gostaríamos de estar com esta questão resolvida, porém ainda não recebemos a resposta nem a favor e nem contra. Esperamos ter nos próximos dias uma posição por parte do TRE. É claro que independentemente do resultado em Curitiba vamos nomear alguns líderes para em seguida completar a lista com ou sem mudança (a partir da decisão do TRE). Como estamos em férias coletivas vamos nomear as principais secretarias para no início de janeiro continuar o trabalho realizado até agora. Aguardamos uma posição, mas independente se for favorável ou não precisaremos nomear a nossa equipe de governo.

 

OP: De que forma a assessoria jurídica do seu grupo político tem se manifestado a respeito destes recursos? Tem demonstrado que há reais chances de reverter em Curitiba a decisão de primeira instância?

LR: Eu acredito que sim. Conversamos diversas vezes com a assessoria jurídica que cuida deste caso para nós em Curitiba e sempre fomos orientados no sentido de que é possível reverter. Nós aguardamos, mas não estamos aqui para questionar a decisão da Justiça. Estamos aqui para cumprir, porém gostaríamos de que houvesse entendimento por reverter a decisão, mesmo porque esses candidatos já estavam impugnados e ainda assim a comunidade depositou o voto de confiança neles. Não queremos passar por cima da lei, pelo contrário, queremos que ela seja cumprida, mas sabemos que já houve jurisprudência a favor em situações parecidas com esta. Acreditamos que esta situação pode ser revertida e resolvida.


OP: Quais são os dois cenários que o senhor desenha em relação à formação da equipe de governo, dependendo do julgamento do TRE?

LR: Não estamos divulgando nomes porque aguardamos esta decisão. Com certeza dentro do quadro de vereadores temos bons nomes que podem fazer parte do Poder Executivo ocupando uma secretaria. Aguardamos uma decisão para fazer o anúncio, mesmo porque não queremos nos precipitar anunciando nomes que eventualmente precisaríamos substituir. Sabemos que por parte da população sempre há quem concorda e quem discorda dos nomes, o que é normal em se tratando de um processo democrático. A situação que nós estamos passando no momento é um pouco delicada, sendo que pretendemos nomear pessoas que estejam à disposição dos bragadenses para fazer aquilo que a população espera e anseia. É importante ter respaldo da comunidade quanto às pessoas que serão nomeadas para ocupar cargos no primeiro e segundo escalões. Além do mais, tanto entre os vereadores que foram diplomados na sexta-feira (dia 16) quanto os cinco candidatos que esperam a decisão do TRE há pessoas com características exigidas para assumir uma secretaria.

 

OP: Há algum nome da equipe de governo já definido?

LR: Nós, em conjunto com o atual vereador e futuro vice Dirceu, já temos alguns nomes definidos, contudo não vamos divulgar em virtude de conversas que ainda teremos com o nosso grupo, com os presidentes dos partidos e com os próprios candidatos (a vereador) para que possamos escolher de forma assertiva para não precisar mudar lá na frente. Ainda não vamos divulgar porque alguns nomes podem ser alterados dependendo do que ocorrer no julgamento em Curitiba. Após o Natal vamos anunciar os primeiros nomes das secretarias importantes que não podem parar neste período, mesmo porque precisamos dar continuidade ao trabalho apesar de estarmos em férias coletivas.

 

OP: Na formação da equipe de governo o senhor pretende priorizar a parte técnica ou a parte política?

LR: Vamos tentar trabalhar aliados entre as duas formas, buscando atuar com a parte técnica e, também, com a parte política. Hoje não é mais possível contemplar só a parte política em razão da própria legislação que exige uma série de controles, por isso é preciso ter uma equipe técnica para não errarmos. Vamos trabalhar para acertar ao máximo porque é nossa obrigação fazer ações de maneira correta. Vamos mesclar a parte técnica com a parte política para que a sociedade possa ganhar com isso.

 

OP: A cassação dos registros de candidaturas criou uma cena nova para a política local e da comarca, abrindo margem para que os candidatos diplomados tenham que deixar seus mandatos dependendo do entendimento da Justiça Eleitoral. Nesta situação, como discutir a eleição da mesa diretiva, levando-se em conta que o quadro está totalmente indefinido?

LR: Esta questão da composição da mesa diretiva da Câmara pela diplomação nós temos a minoria (quatro dos nove vereadores), portanto de forma alguma nós vamos interferir, até porque apesar de Executivo e Legislativo atuarem de forma harmônica, é um poder (o Legislativo) independente e que nós não podemos ficar cobrando para que haja entendimento A ou B. Esta decisão cabe a eles, vereadores, pois todos têm responsabilidade suficiente para desempenhar um trabalho independentemente de quem esteja hoje ou possa estar amanhã (na Câmara). Espero que eles façam um trabalho bom para o município e que exista uma boa relação independente de quem venha a ocupar a presidência da Câmara. Grande parte da sociedade votou nos nossos vereadores, o Mauro a princípio está fora, mas mesmo assim foi o mais votado. Não vamos interferir na eleição da mesa diretiva da Câmara, assim como eles não devem interferir na nossa atuação. Devemos trabalhar junto e ter uma boa relação a partir do dia 1º de janeiro com a posse dos eleitos e do dia 02 de janeiro com uma nova história, o começo de uma fase para estarmos junto da população e realizar o melhor trabalho possível em favor da nossa gente.

 

OP: Existe algum nome que o seu grupo defende para assumir a presidência do Legislativo?

LR: Dentro do nosso quadro de eleitos nós temos o Xaropinho (Ademir Marcelo Kochenborger, PT), o Balaio (Adilson Manhabosco, PMDB), o Jair (Saueressig de Sousa, PMDB) e a Arlete (Mara Gross Schneider, PMDB), e é claro que gostaríamos que fosse algum deles. Não tenho preferência, mas que fosse um deles. Nós somos realistas e sabemos que hoje temos a minoria na Câmara, por isso acreditamos que deve prevalecer o bom-senso. Os nove vereadores devem conversar e se a oposição entender que pode ser um dos nossos, melhor ainda, contudo será mais difícil porque quem tem a maioria (grupo político) muitas vezes elege a presidência da Câmara. Esperamos que haja entendimento para que independente de quem ocupar a presidência e os demais cargos na mesa diretiva tenha bom-senso para fazer com que o município não pare.


OP: Caso os recursos não sejam aceitos pela Justiça Eleitoral o senhor terá minoria na Câmara. Acredita que terá alguma dificuldade para governar dentro desta circunstância?

LR: Espero que não. Primeiro eu aguardo a decisão da Justiça em Curitiba, seja a favor ou contra, mas que decida porque isso é importante para podermos pensar com mais clareza a questão da administração municipal. Gostaríamos de ter a maioria, até porque o povo assim entendeu. Não cabe a nós emitir julgamento, mas, sim, respeitar a decisão da Justiça. Espero que não haja nenhum impedimento legal enquanto nós tivermos a minoria na Câmara, pois eu creio que as pessoas eleitas têm toda capacidade para fazer com que as ações do município continuem independentemente de quem esteja na Câmara e de quem seja secretário, prefeito e vice. O município não pode parar e a população não pode ser prejudicada por questões pessoais.


OP: O senhor tem mantido diálogo com vereadores eleitos da oposição, abrindo uma possível brecha para trazer algum deles para o seu grupo?

LR: Não temos conversado após a eleição. Nos encontramos de forma rápida, no entanto não conversamos com relação a isso porque devemos respeitar a opinião do grupo de oposição, que também está nos respeitando. As portas estarão sempre abertas para que tenhamos uma relação bem próxima. É claro que a gente pretende que haja entendimento, mas independente de lado político serão aguardadas as decisões que virão pela frente. Não conversamos com ninguém para tentar trazer (ao nosso grupo), mas se alguém sentir vontade de vir conosco é claro que gostaríamos de contar com o apoio desse vereador ou de todos, mas sabemos que isso não é possível por respeitar a opinião da oposição. A democracia existe para que as pessoas tenham direito a escolha.

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