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Política

Sob aplausos e vaias, Moro diz que não defende nada além da lei

Divulgação

O juiz Sergio Moro e o ex-advogado-geral da União José Eduardo Cardozo participaram no sábado (13) de um debate no Reino Unido durante um evento na London School of Economics -interrompido em alguns momentos por apaixonadas intervenções do público. A plateia recebeu o juiz Moro, que nesta semana protagonizou o noticiário em razão do depoimento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, entre vaias e aplausos.

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O auditório lotou para ouvi-lo debater com o advogado, que defendeu a ex-presidente Dilma Rousseff durante o processo de impeachment. Algumas pessoas assistiam de pé ou sentados no chão. Moro e Cardozo discursaram às 17h (às 13h em Brasília), encerrando o primeiro dia do Brazil Forum 2017, um evento voltado a estudantes brasileiros. O tema da mesa era o papel do Judiciário na crise política. Havia 350 pessoas inscritas, com ingressos esgotados. O debate foi cordial. “Não sei se alguém esperava um confronto”, disse Moro. “Não dei nenhuma cotovelada nele. É uma tolice, como se não pudéssemos dividir um espaço e conversar.”

Moro concentrou sua fala em questões de aplicação da lei, em grande parte abstratas. Ele justificou, por exemplo, a necessidade de prisões preventivas. “Não defendo nada além da aplicação ortodoxa da lei penal, que permite essa medida em casos excepcionais”, disse.

Cardozo, por sua vez, afirmou que “o impeachment de Dilma Rousseff foi um golpe” baseado em “acusações pífias”, pelo que foi recebido por ruidosas palmas. “O impeachment tem sido usado como maneira de substituir governos impopulares na América Latina, alguns sem fundamento”. Ele disse que, em um mundo marcado pela crise democrática, o Brasil é um dos melhores laboratórios, pois ali “os poderes estão em conflito aberto.” “Não adianta aplaudir quando o direito suprimido é de um adversário e vaiar quando é de um aliado”, disse, em alto tom. Alguém na plateia gritou: “Arrasou!”.

Quando o debate foi aberto a perguntas, a filósofa Djamila Ribeiro criticou o “discurso do populismo penal” e disse, sobre Moro, que “o fato de um juiz ser aplaudido é extremamente preocupante”.  “O juiz tem de julgar de acordo com a prova”, disse Moro sobre sua exposição na imprensa. “Não pode julgar segundo a opinião pública.” Ele afirmou, também, que há desafios no julgamento de “pessoas poderosas”, quando “há a impressão de que são políticos, e na verdade não são”.

Na última pergunta à mesa, o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad questionou a diferença na velocidade de julgamentos como o do mensalão e o do mensalão Tucano. Ninguém respondeu.

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