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Uma das nossas maiores preocupações é a geração de empregos, afirma Copatti

 

Mirely Weirich/OP

Prefeito de Santa Helena, Airton Copatti: A antiga gestão deixou uma lista de aproximadamente quatro mil procedimentos e consultas para que fossem realizados, o que é relevante para uma população de 25 mil habitantes

Prefeito de primeiro mandato, Airton Copatti (PMDB) está prestes a completar os primeiros três meses no comando da Prefeitura de Santa Helena. O trimestre foi dedicado, em muito, a deixar a equipe de governo a par da situação geral do município. No fim de fevereiro, uma audiência pública foi realizada para que a população também tivesse pleno conhecimento de como o grupo político encabeçado pelo PMDB recebeu o Poder Executivo.

Em entrevista ao Jornal O Presente, Copatti falou um pouco sobre esse processo para colocar a casa em ordem, enaltece o entrosamento interno na prefeitura para que os trabalhos possam fluir, destaca algumas dificuldades e frisa que a prioridade no início da gestão tem sido promover melhorias visando à geração de emprego, saúde e educação. Confira.

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O Presente (OP): O senhor declarou em outra oportunidade que o período de transição deixou a desejar, o que atrapalhou o começo das atividades na prefeitura. A análise de documentos e números foi concluída? E foi apresentada à população?

Airton Copatti (AC): Apresentamos em audiência pública os números e a forma como recebemos a prefeitura. Isso foi feito no fim de fevereiro para mostrar com transparência à população a situação da prefeitura. Constatou-se que nem tudo estava completo em relação àquilo que havíamos recebido de informação e muitos dados que precisávamos, até para fazer um planejamento com a equipe já nos primeiros dias para iniciar a administração e ter mais segurança, vieram de última hora. Acabou comprometendo o começo. Além disso, a antiga administração fez muitos projetos principalmente nos três últimos meses de governo, os quais precisam ser bem analisados, respeitando os trâmites legais e o período para realização de audiências públicas, buscando o diálogo com a comunidade quando envolve um projeto maior que implica no dia a dia da população, que deve ser consultada. Tudo isso demanda um certo tempo e, como a maioria foi feito de última hora, exigiu que ficássemos mais envolvidos com esta análise técnica, especialmente, e também jurídica com o objetivo de dar o encaminhamento da melhor forma possível. Entendemos que estamos em plena crise de empregos no Brasil e o foco principal do investimento deve priorizar recursos na geração de empregos, saúde e educação, que são importantes. Nos primeiros dias de governo analisamos os projetos, temos o nosso plano de governo e o nosso planejamento, que gostaríamos de colocá-lo em prática. Até o momento isso não foi possível em razão das situações que encontramos, mas sabíamos que seria preciso analisar todos estes projetos. Por outro lado, também tínhamos conhecimento sobre alguns problemas de atendimento à população, principalmente na saúde, o que precisaria passar por melhorias logo nos primeiros dias. Houve um empenho de toda equipe para ajustar este atendimento, pois com início da nova gestão tem a formação, preparação e capacitação da equipe. De qualquer forma a administração pública como um todo tem buscado dar apoio a todos os secretários e equipes de cada pasta para que possam desenvolver o trabalho da melhor forma possível.

 

OP: Passados os quase três meses de gestão, como estão as atividades na prefeitura?

AC: Como havíamos adiantado à população, realizamos a audiência pública para mostrar para a comunidade como recebemos a situação da prefeitura. A partir do mês de março então passamos a nos debruçar em cima do nosso plano de governo e estamos trabalhando na elaboração de projetos e leis que venham a trazer o desenvolvimento para Santa Helena, pois uma das nossas maiores preocupações é a geração de empregos. Para isso há uma determinação e empenho de todas as secretarias para que se faça um investimento de forma imediata para amenizar essa situação e poder proporcionar maior tranquilidade para nossa comunidade. O que me preocupa mais a curto prazo é a geração de emprego dentro do planejamento que temos, que se distribui ao longo de quatro anos.

 

OP: Os trabalhos em todas as secretarias estão se encaminhando normalmente? Há alguma consideração pontual referente a alguma pasta?

AC: Precisamos salientar que na Secretaria de Agricultura, em função dos equipamentos que achávamos que estariam em condições melhores, quando começamos a trabalhar existia uma condição visual, mas quando colocamos as máquinas em funcionamento observamos onde estavam os maiores problemas. A grande maioria dos equipamentos não estava em condições de uso. Existe um trâmite legal para fazer o conserto, então o atendimento está bastante prejudicado ainda em função disso. Apesar da dificuldade a equipe está se empenhando ao máximo para que no menor espaço de tempo os serviços possam ser executados. Portanto, estamos adequando a equipe, mas não temos ainda boas condições de equipamentos e maquinários para proporcionar à população este atendimento. Neste sentido pedimos um pouco de compreensão, pois assim que isso estiver sanado poderemos oferecer um serviço de qualidade, que é o que a população merece.

 

OP: Como o senhor avalia o entrosamento, até aqui, da sua equipe de governo?

AC: Isso é um ponto muito importante, ainda mais quando envolve uma equipe grande. É natural haver alguns ajustes, seja na parte de relacionamento ou porque às vezes uma pessoa não se adapta a determinado setor. Porém, de forma geral o entendimento é bom e os trabalhos estão andando. Isso indica que há um entrosamento entre os secretários e toda equipe, o que é muito importante, pois estes laços sempre precisam aumentar. No início pode haver problemas, mas cada um precisa ser corrigido pontualmente para que possamos ter a melhor equipe possível para oferecermos um bom atendimento à população. Neste sentido o trabalho precisa ser constante no sentido de haver uma evolução.

 

OP: Além do que o senhor já mencionou, há outras dificuldades encontradas nesse começo de mandato?

AC: Constatamos uma lista de espera bastante grande no atendimento à saúde. É uma área de muita demanda e talvez a antiga gestão estava utilizando um valor bem considerável, mas deixou uma lista de aproximadamente quatro mil procedimentos e consultas para que fossem realizados, o que é relevante para uma população de 25 mil habitantes. Isso mostra que muita coisa ficou pendente e que não se atendeu a contento. É normal ter lista de espera, mas dessa grandeza não. Estamos buscando soluções, tendo em vista que a saúde precisa ser melhor estruturada no município. Normalmente se buscava em outras cidades o atendimento de especialidades e aqui pouco se fazia. Isso acaba criando um problema grande, pois, além de trazer muitos transtornos para as pessoas que precisam sair para outras localidades, não estrutura o setor para fazer o atendimento no município. Nossa proposta é justamente buscar oferecer o máximo de especialidades em Santa Helena. Desta forma será possível oferecer um atendimento mais rápido e de melhor qualidade.

 

OP: Algum projeto em especial está sendo estudado para ser colocado em prática em breve? Ou já está sendo executado?

AC: Outro projeto que está no nosso plano de governo é o ensino em tempo integral. É algo que precisa ser implantado de forma gradativa, pois nossas escolas não estão adequadas hoje para isso. Será preciso investir na estrutura dos educandários, contemplando o contraturno com atividades esportivas e culturais. Sabemos que será algo que vai melhorar o conhecimento das nossas crianças. Além disso, impede que os alunos fiquem com tempo ocioso e correndo o risco de se envolverem com o descaminho. Isso é uma realidade não só de Santa Helena, mas de qualquer município. O ensino em tempo integral com certeza traria uma diferenciação em termos de educação, melhorando muito os índices de aprendizagem. Seria uma solução e um projeto em que já estamos trabalhando em cima.

 

OP: O senhor sempre fala que quer que a comunidade participe das definições daquilo que é prioritário para a gestão. Como pretende fazer isso?

AC: Entendo que uma gestão deve ser democrática, porque muitas vezes sabemos que nem sempre isso acontece. A população deve ter a oportunidade de participar das diversas formas, como de audiências públicas, reuniões, conselhos. Queremos sempre ouvir a população para que seja possível fazer um planejamento em cima das necessidades que a comunidade tem. Vamos estar muito atentos a isso, pois os recursos públicos precisam ser aplicados da melhor forma possível. Se os projetos estiverem adequados àquilo que a população deseja, os recursos de fato serão bem investidos.

 

OP: Esta é a primeira vez que o senhor assume uma função pública. Como está avaliando o início de mandato e o cargo de prefeito?

AC: É uma satisfação e honra estar hoje na condição de prefeito. Sempre me preocupei com as questões sociais, políticas e de desigualdade social. Tento dar minha contribuição enquanto cidadão. Meu compromisso é atender as necessidades da população da melhor forma possível e de maneira que se possa trabalhar igualitariamente com toda a comunidade, fazendo com que os recursos sejam distribuídos em projetos que beneficiem todos os santa-helenenses. Esta é uma preocupação que sempre tive e o empenho que terei para colocar em prática todos os nossos projetos.

 

OP: Como está a relação até o momento com a Câmara de Vereadores, que é presidida por um vereador de oposição (Paulo Vasatta)?

AC: Estamos tendo um bom relacionamento. Sempre que necessário estamos dialogando para discutir os projetos para que cada vereador tenha o entendimento de que as propostas que colocamos para votação sejam entendidas de forma clara, pois são projetos visando o bem comum da nossa comunidade. Portanto, sobre aquilo que estamos encaminhando à Câmara existe o entendimento de que são matérias que visam contemplar o desenvolvimento de Santa Helena, que acredito ser o objetivo de todos.

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