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Política

Valeu a pena ser prefeito e trabalhar com os pés no chão, afirma Rieger

 

Joni Lang/OP

Prefeito de Pato Bragado, Arnildo Rieger: O meu compromisso foi cumprido. Entendo que existem muitas pessoas de bem com capacidade para exercer a função de prefeito

O prefeito de Pato Bragado, Arnildo Rieger (PP), é um político experiente. Ele ocupou duas vezes a vereança e foi vice-prefeito na gestão Normilda Koehler (PMDB). Com bons números e uma gestão pé no chão, o pepista alçou o seu grupo político ao quarto mandato consecutivo, elegendo o seu vice Leomar Rohden (Mano) (PMDB) como prefeito e o atual vereador Dirceu Anderle (PP) como vice-prefeito.

Em entrevista ao Jornal O Presente, Rieger destaca ações da gestão, ressalta ter atuado com os pés no chão, o que apesar da crise que assola o Brasil possibilita a  ele entregar o município com R$ 10 milhões em caixa. Desejo que o prefeito Mano atue com muita humildade, honestidade e transparência, que são as suas maiores características, menciona. O mandatário lembra que o propósito do trabalho é para que no futuro Pato Bragado seja comparada com cidades da Europa pela característica, trabalho da sua gente, infraestrutura, organização e pelo estilo do seu povo. Confira.

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O Presente (OP): O senhor chega à reta final do seu mandato, sendo que foi uma opção sua não disputar a reeleição. Qual avaliação o senhor faz destes quatro anos de gestão?

Arnildo Rieger (AR): Desde o início o meu propósito era ser prefeito por um mandato e este foi o acordo quando foi definido pela minha candidatura tendo o Mano como vice-prefeito. Nas minhas colocações sempre deixei claro ser contrário à reeleição, tanto que apesar das pessoas avaliarem a nossa administração com 83% de aprovação mantive a palavra e respeitei o que foi combinado com o nosso grupo político. Acredito que com um mandato posso deixar o meu legado como prefeito, uma vez que já tinha atuado em duas oportunidades como vereador e outra como vice-prefeito. O legado que queria deixar era ser prefeito e poder contribuir para o desenvolvimento do município. Essa etapa eu concluo agora.

 

OP: Como gestor público, quais os principais desafios que o senhor encontrou na iniciativa pública?

AR: A responsabilidade de um gestor público é muito maior do que no setor privado, haja vista que no setor público eu estou administrando o dinheiro que é de todos, por isso é preciso ter cuidado especial. É importante contar com uma boa assessoria jurídica para fazer apenas o que é correto. Felizmente estamos chegando ao fim da administração com tudo em dia, o que se deve à orientação da nossa assessoria jurídica. Tínhamos um propósito definido, sendo que o duvidoso nós não realizávamos, porque se é para ter problemas no futuro é melhor não fazer. Com isso talvez em certos momentos frustramos os anseios de algumas pessoas, porém em determinadas circunstâncias um não bem fundamentado pode ser um sim no futuro.

 

OP: Quais as principais realizações que o senhor acredita deixar como legado para Pato Bragado?

AR: Cumprimos praticamente todo o nosso plano de governo e avançamos em todos os setores. Um dos destaques foi a construção do Colégio Estadual, pois todos lutaram no passado, mas concretizamos agora. Na infraestrutura temos o interior praticamente 100% pavimentado com pedras irregulares em 99 mil metros quadrados e R$ 3,325 milhões investidos, beneficiando também quem usa o transporte escolar. Na indústria e comércio estamos terminando uma incubadora que o próximo governo vai inaugurar. Viabilizamos a construção do prédio próprio da Associação Comercial e construímos o trevo e ciclovia de acesso ao Parque Industrial. No esporte tivemos todas as modalidades em evidência e fizemos reformas. Compramos máquinas, caminhão e ônibus já no início do mandato, estando com um parque de obras invejável. Recapamos com asfalto todos os trechos danificados, deixando a sede 100% recuperada. Realizamos o sonho dos anos 1990 de pavimentar com asfalto a estrada entre Margarida e Pato Bragado. Temos muitos locais com recape asfáltico no interior e temos um projeto pronto para iniciar nos primeiros dias do mandato do prefeito Mano. Aplicamos R$ 7,265 milhões em recape asfáltico, somando mais de 177 mil metros quadrados. Trouxemos a ligação da rede de água do poço da Linha Barigui, que foi desativado, até a cidade. Recuperamos uma mina para captar água em terras próprias. Perfuramos dois poços e instalamos uma caixa para armazenar 500 mil litros. Pato Bragado deve ser autossuficiente em água por 30 anos. Na área de saúde nós estamos com o posto de saúde para inaugurar e já temos R$ 700 mil para ampliar. Recentemente entregamos uma ambulância.

 

OP: Há outros projetos desenvolvidos ou eventuais ações que não puderam ser concluídas?

AR: Infelizmente alguns projetos deixaram de ser realizados. Já em 2013 recebemos uma verba do governo federal no valor de R$ 500 mil para ampliar o Parque de Exposições. Dialogamos com a Acibra (Associação Comercial e Industrial) e com a comunidade, porém não tivemos sucesso em executar. Adquirimos uma chácara e disponibilizamos à Cohapar para construir casas populares à comunidade de baixa renda. Levamos o projeto adiante, nossos deputados se empenharam, mas a crise do país nos impediu de construir essas casas que foram licitadas. Esperamos que o prefeito Mano tenha êxito nessas execuções. A agricultura foi contemplada com mais de 20 programas. Mantivemos a construção de açudes, o que deve gerar renda extra aos produtores. Com a Secretaria de Obras aplicamos terraplanagem para construir chiqueirões, pocilgas e aviários. Compramos um britador móvel e fornecemos pedra-brita com solo-brita.

 

OP: Os gestores estão encontrando cada vez mais dificuldades em governar. De um lado estão órgãos de fiscalização, como Ministério Público e Tribunal de Contas, que estão a cada dia mais em cima dos prefeitos, e de outro leis e normas que mudam com frequência. Chegará o dia em que os grupos políticos encontrarão cada vez mais dificuldade em achar candidatos? O senhor considera que isso pode afastar as pessoas de bem da política?

AR: Existe uma preocupação bem grande e nós sempre prezamos por isso. Os meus bens eu preciso saber cuidar bem, agora os públicos eu devo cuidar melhor ainda. Ao prestar atenção e acompanhar noticiários nos meios de comunicação através de rádio, televisão e jornal, vemos que no nosso país está instalada uma mentalidade de querer levar vantagem. Eu digo que ser gestor público é uma função muito séria. É preciso se assessorar bem, ter assessoria jurídica séria, respeitar as leis e muitas vezes não atender aquilo que as pessoas pedem para evitar que no futuro você tenha problemas. Ser prefeito traz um legado, mas representa uma responsabilidade muito grande, além do mais não é profissão. Eu vejo que em Pato Bragado será possível dar continuidade às ações após o nosso mandato. Chego ao fim dos quatro anos de gestão certo de que valeu a pena ser prefeito e trabalhar com os pés no chão. Quanto aos rumos da política, quem pretende ser candidato deve estar preparado e (em sendo eleito) ter muito cuidado com o que faz. Sempre existem pessoas responsáveis e de bem que se propõem a ser candidatas, assim é como ser presidente de igreja, escola, associação. Se a pessoa entra para a política com esse propósito, ela vai ter êxito na administração pública.

 

OP: Em que situação financeira o senhor deixará a prefeitura para o seu sucessor e atual vice-prefeito?

AR: Chegamos ao fim do nosso mandato com o pagamento do 13º dos servidores em novembro. Entramos em férias coletivas com todos os servidores pagos em dia. Além disso estamos com projetos em andamento e com recursos suficientes para cumprir todos eles. O futuro prefeito Mano pode desenvolver uma boa gestão. Acredito que vamos deixar todas as contas em dia e aproximadamente R$ 10 milhões em caixa para o futuro prefeito e vice-prefeito iniciarem a administração municipal.

 

OP: O atraso no pagamento de parcelas dos royalties pode prejudicar o fechamento das contas do seu governo?

AR: Uma das preocupações é com relação aos royalties. Se o pagamento chegar (até o fim do ano) ele será bem-vindo, contudo se não vir isso não vai comprometer as nossas contas porque em Pato Bragado nós nos preparamos. Como o país está em recessão e não está crescendo, isso fez com que a nossa administração também pensasse bastante e segurasse ao máximo os gastos. Este é um dos motivos que nos faz chegar ao fim do mandato com tanto dinheiro em caixa. Se existe preocupação de que amanhã ou depois pode piorar, eu entendo que a administração deve se preocupar, se antecipar e tomar as medidas para segurar, e foi isso o que fizemos. Fomos classificados perante a Firjan (Federação das Indústrias do Rio de Janeiro) em gestão fiscal no qual nosso município ficou em 1º lugar entre os 52 da Amop (Associação dos Municípios do Oeste do Paraná), em 6º no Paraná e em 64º no Brasil entre mais de 5,5 mil municípios. Sempre administramos os nossos recursos com responsabilidade. A nossa folha de servidores está enxuta, tanto que hoje temos 39% em folha de pagamento quando o percentual limite é de 52%. Isso nos possibilitou chegar a este destaque na Firjan. Eleger o sucessor com ampla margem de aprovação é algo inédito. Esperamos que Mano e Dirceu possam junto com sua equipe e com os vereadores governar para todos e que acima dos partidos estejam os interesses e o bem do município e de sua gente.

 

OP: O senhor pretende ter algum envolvimento ou participação no governo de Mano e Dirceu?

AR: Eu sou presidente do PP, sempre vou participar enaltecendo e sugerindo para que Mano e Dirceu exerçam uma boa administração.

 

OP: O dia 31 de dezembro de 2016 representa a sua aposentadoria na vida pública? E na vida política?

AR: O meu compromisso foi cumprido. Entendo que existem muitas pessoas de bem com capacidade para exercer a função de prefeito. Ser prefeito ou político para mim não é profissão, por isso eu pretendo cuidar da minha vida, continuar administrando meus bens particulares e deixar a vida pública para outras pessoas que também desejam contribuir gravando as suas marcas no município.

 

OP: Na sua avaliação, qual caminho o seu grupo político precisará seguir para continuar sendo bem-sucedido nas urnas?

AR: O povo muitas vezes quer mudança, mas clama por isso quando as ações não acontecem a contento no município, cujo exemplo pode ser visto no país, que passou novamente por um impeachment. Eu entendo que ter vida longa na política se torna realidade quando o gestor se propõe a administrar para todos, administrar os recursos com seriedade e saber dizer não. Querer fazer tudo e não conseguir finalizar com resultados positivos é uma das preocupações. É preciso administrar com humildade, honestidade e transparência. Agradeço a Deus por esta oportunidade, à minha família que sempre esteve ao meu lado me apoiando, aos secretários municipais, diretores, servidores públicos, colaboradores e em especial à comunidade bragadense. Chegar ao fim do mandato e dizer que tudo valeu a pena se deve também à boa assessoria jurídica que tivemos. Pedimos desculpas se algumas vezes precisamos usar a palavra não, porque o duvidoso nós não fazíamos. Dessa maneira possibilitamos que o município continue crescendo.

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