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Editorial

A última vez

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Trinta anos passaram voando. Quase 31, na verdade. Para ser mais exato, 4.943 edições. Parece que foi ontem quando tudo começou. O tempo voa!

Quantas histórias desde aquele primeiro jornal. Notícias do cotidiano, as festas da região, as denúncias que fizemos, as coisas desconhecidas que tornamos conhecidas. Quanta gente que passou por essas páginas. As candidatas a miss, os professores que solicitavam melhorias em suas escolas ou simplesmente vinham divulgar uma festa ou uma conquista, os prefeitos, deputados, senadores, candidatos, mostrando, fazendo, prometendo.

Administradores e empresários como fonte de notícia ou parceiros comerciais, agricultores comemorando a boa safra ou “chorando” as perdas pelo clima.

Médicos falando de saúde, gente como você mostrando uma receita de almoço, crianças e idosos, gente chique, gente que não gosta de ser chique, histórias de amor e morte, de gente famosa e anônima.

Os gols, os acidentes fatais, os juris populares, o teatro e a música…

Incontáveis notícias que mudaram o dia das pessoas. Notícias que ajudaram a moldar a nossa sociedade, nosso município, nossa região. Isso tudo vivido intensamente, a cada dia, nos últimos 30 anos de um inebriante prazer em fazer jornalismo, mas, mais que isso, fazer jornal impresso.

Quantas noites em claro para que a informação chegasse cedinho. Quantas reuniões de pauta para definir o que escrever, como escrever, mas especialmente por que escrever. Há uma razão muito clara à existência do Jornal O Presente: informar e contribuir.

Incalculáveis poses e ângulos até a foto ideal, quantos por ques, como, quando e onde. As entrevistas olho no olho, ou aquelas por telefone. A visita na propriedade rural, na indústria ou dentro de uma cela em uma prisão. Não havia limites, nunca houve. A vida, nessas mais de três décadas, foi alvo das lentes, dos gravadores, das canetas, do papel e das observações de nossos repórteres e de toda equipe.

Na verdade, o tempo passou em seu tempo. Não foi rápido demais, nem devagar. Foi suficiente para vivermos profundamente tudo o que escrevemos, fotografamos, produzimos, criamos, publicamos, divulgamos. Dia após dia, um dia de cada vez, todos os dias.

Hoje (1º) o Jornal O Presente circula pela última vez. Nossa aflição por deixá-lo partir, nossa nostalgia por essa dolorosa aposentadoria, se mistura a uma deliciosa satisfação de ter feito o melhor, de ter feito a diferença.

É hora de dar espaço aos mais novos. Como diz a nossa última manchete, por ironia do destino, o jornal evoluiu. A evolução cobra seu preço. E esse preço é o fim do jornal impresso.

Foram 30 anos que passaram voando, mas nem tanto. Parece que foi ontem, mas tantas coisas mudaram, a vida está tão diferente. E toda essa história está eternizada nas páginas do Jornal O Presente, que hoje circula sua última edição, pela última vez, para colocar um ponto final em sua própria história.

Nossa aflição por deixá-lo partir, nossa nostalgia por essa dolorosa aposentadoria, se mistura a uma deliciosa satisfação de ter feito o melhor, de ter feito a diferença

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