O Oeste do Paraná é uma das regiões que mais produz carne suína e seus derivados do Brasil. O país, por sua vez, é o quarto maior produtor e quarto maior exportador do mundo. A atividade gera bilhões de reais todos os anos e emprega centenas de milhares de pessoas nos mais variados ramos de atuação, nas fazendas, nas plantas industriais de processamento ou em empresas de insumos e equipamentos.
A suinocultura está enraizada especialmente no Sul do Brasil, que detém a maior parte da produção nacional. A atividade de produzir suínos, que começou com imigrantes italianos e alemães há cerca de dois séculos, perdura até os dias de hoje, só que extremamente maior, mais qualificada e mais poderosa.
Mas toda cadeia está na berlinda por causa dos custos de produção e do preço baixo pago pelo animal. Trocando em miúdos, os produtores independentes estão recebendo algo na casa de R$ 4 ou R$ 5 pelo quilo do animal. Só que para produzir esse mesmo quilo eles gastam algo em torno de R$ 7 ou R$ 8. Fazendo um cálculo grosseiro, com prejuízo de R$ 3 por quilo, se um suinocultor produz mil animais por mês, cada um com 120 quilos, seu prejuízo será de R$ 360 mil. No Oeste do Paraná, existem suinocultores que produzem muito mais que isso por mês. Imagine o desespero.
São dois problemas centrais que basicamente criaram esse cenário. O primeiro deles são as commodities. O preço do milho e da soja, que são a base da nutrição dos suínos, dispararam nos últimos anos. A pandemia desregulou o mercado de grãos. Somado a isso, o dólar valorizado frente ao real estimulou a exportação dos grãos. Ainda, a safra passada teve uma quebra próxima de 30 milhões de toneladas. O segundo ponto é que está sobrando carne suína no mercado. O frequente crescimento da atividade, com recordes de abates e produção ano após ano, está cobrando seu preço. Para piorar, economia fraca e inflação corroeram a renda do brasileiro.
A suinocultura está em um momento que não se trata somente de fechar as contas no vermelho, se trata de flertar com a falência. Se nada for feito para salvar essa importante classe, para dar fôlego a esse importante setor, certamente uma quebradeira geral vai ser vista nos próximos dias, nas próximas semanas e meses.
E o Oeste do Paraná vai sentir fortemente este impacto. Aliás, já está sentindo.
A volatilidade faz parte da suinocultura, mas o que está se vivenciando agora não há precedentes na história recente. O setor está em pânico. Em todas as regiões produtoras do país os suinocultores tentam encontrar caminhos para evitar o pior, mas essa não é uma questão fácil de ser resolvida.
Nesta semana o governo federal se comprometeu em criar mecanismos de urgência para tirar a suinocultura da UTI. Que seja rápido e eficiente para que suinocultores possam, ao menos, respirar um pouco mais aliviados e afastar o fantasma da falência para longe.
Se nada for feito para salvar essa importante classe, para dar fôlego a esse importante setor, certamente uma quebradeira geral vai ser vista nos próximos dias, nas próximas semanas e meses