Um mês de guerra. A invasão russa na Ucrânia, arquitetada por Vladimir Putin, já se estende por mais de 30 dias, produzindo cenas de arrepiar os cabelos, de lamentar profundamente, de refletir sobre o quanto o ser humano pode ser cruel, dissimulado e desprezível.
Parece que as imagens de cidades inteiras devastadas foram retiradas de arquivos do século passado, mas infelizmente são de agora, de ontem, de hoje. Tanta coisa passou desde a invasão. Hoje, mais de dez milhões de pessoas estão fora de suas casas por conta dos bombardeios. Mais de três milhões de pessoas, notadamente mulheres e crianças, estão refugiadas em outros países, fugindo de sua pátria, de onde nasceram, cresceram e até bem pouco tempo atrás levavam uma vida normal. Iam ao supermercado, para a escola e hoje fogem de bombas que explodem por todos os cantos, tanques que invadem e destroem.
Nos primeiros dias, a guerra ocupava praticamente todo espaço dos veículos de comunicação. Aos poucos, foi dividindo espaço com outras notícias. Nos primeiros dias, era a guerra que pulsava nas redes sociais. Hoje as notícias são mais acanhadas. As manchetes, nas páginas principais, já abordam também outros assuntos, outras pautas. Na boca do povo, o debate deu uma esfriada. Futebol, o caso do mendigo, preço dos combustíveis, o Luva de Pedreiro, eleições, pastores… Mas também guerra.
Não é porque o tempo passou que as atrocidades cessaram. Pior, elas só se acumulam. Não é porque as pessoas se “acostumaram” com a guerra que ela se tornou menos nociva. Uma crise humanitária está instalada na Europa. Lideranças ocidentais, confrontadas por Putin, não agem por receio de que uma intervenção seria o estopim para a 3ª Guerra Mundial. A diplomacia não funciona. O uso de armas biológicas e até mesmo nucleares não é descartado por russos ou pela Otan. Ucranianos se defendem como podem, lutam, morrem, matam, sofrem.
No mundo inteiro, os reflexos nas economias, já abaladas pelas consequências devastadoras da pandemia. Os preços dos alimentos e das principais commodities dispararam e podem subir cada vez mais caso essa guerra persista. Os preços dos fretes marítimos, que já tinham subido muito por conta do coronavírus, sobem ainda mais. A insegurança alimentar pode ser ampliada no planeta. Ou seja: pode faltar comida ou ao menos alguns itens básicos. E se tem uma coisa que pode provocar mais guerra é falta de comida.
Até quando a Rússia vai aguentar os embargos impostos a ela e a alguns de seus multimilionários? Até quando a Rússia vai aguentar sem voos internacionais, sem a operação de algumas poderosas empresas do ocidente? Até quando a Rússia vai afrontar o mundo? Até quando a Ucrânia vai resistir? Muitas perguntas, poucas respostas, mas há esperança de que um cessar-fogo possa acontecer a qualquer momento, mesmo que ainda seja pouco provável.
Parece que faz anos, mas faz só um mês. Pouco para quem está longe, uma eternidade para quem está no caminho das bombas.