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Editorial

O agro está em apuros

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O agronegócio brasileiro fechou 2021 com mais de R$ 1,1 trilhão em valores da produção. Essa assustadora quantia acumulada nos 12 meses do ano passado seria ultrapassada neste ano pelo Valor Bruto da Produção Agropecuária. Seria. Agora não parece mais tão simples assim. Isso porque logo na largada, na safra 2021/2022, que está plantada em praticamente todo o Brasil, as perdas começaram a se acumular. As lavouras da região Sul, um dos grandes celeiros de grãos do Brasil, sofreram demasiadamente com a falta de chuvas. O resultado são perdas que podem chegar a 90%, causando preciosos bilhões de reais em prejuízos para os produtores, para o país e para toda a sociedade.

No Oeste do Paraná a situação é lastimável. Em Marechal Cândido Rondon, foram aproximadamente 70 dias sem chuvas expressivas. Com o solo seco e temperaturas que chegaram na casa dos 40°C por vários dias consecutivos, as plantas não desenvolveram seu potencial produtivo.

A situação é tão crítica que nesta semana a ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, esteve no Sul do Brasil com uma comitiva gigante, que inclui diretores de bancos estatais e do Branco Central, para tentar encontrar uma solução que amenize essa terrível quebra de safra que se aproxima. Ela destacou que a região Oeste é a mais afetada de todas no Estado. Para resumir, o diretor de Gestão de Risco do Mapa, Pedro Loyola, citou: “situação devastadora”.

O agronegócio é uma cadeia complexa, que se retroalimenta e depende de diversos fatores para conseguir o sucesso. Boa parte dos grãos, por exemplo, é usada para fazer a ração para animais, como suínos, bovinos, frango e peixes. Com a chegada da pandemia, os preços dos grãos dispararam e chegaram a patamares jamais alcançados. O consumidor consegue perceber ao analisar o preço da carne nos supermercados. De assustar. Assim, produzir carne, leite e ovos ficou muito mais caro de dois anos para cá. As margens de lucro de suinocultores, avicultores e outros pecuaristas despencou. Em Minas Gerais, produtores estão tendo prejuízos de R$ 350 por animal vendido. Custa R$ 800 para produzir um suíno de 100 quilos, mas os produtores estão recebendo na faixa de R$ 550 por animal entregue aos frigoríficos. Nessas horas o cooperado dá graças a Deus.

Sem perspectivas de que os preços dos grãos, notadamente soja e milho, voltem a patamares mais baixos, é importante que o Brasil colha excelentes safras. Com mais oferta haveria maiores chances de um ajuste de preços, que garantiria bom lucro aos agricultores e boa margem aos produtores de proteína animal. Porém, na safra de verão, as quebras indicam que não haverá mais oferta do que há hoje. Ou seja: os preços vão continuar em alta para pecuaristas, mas não vão adiantar parar o agricultor que, como não colheu quase nada, não tem o que vender.

A esperança é a safrinha, ou safra de inverno, que ainda será plantada. O primeiro semestre vai ser de dificuldades extremas. O agro está em apuros.

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