Como é difícil abandonar algo que amamos. É doloroso deixar para trás boas histórias que experimentamos. Aperta o coração dizer que tudo o que vivemos agora ficou para a história. É até complicado verbalizar que, enfim, tudo acabou!
Nos últimos 30 anos escrevemos a história de Marechal Cândido Rondon e do Oeste do Paraná. São três décadas dedicadas ao jornalismo que conta, demonstra, explica, diverge, questiona, sustenta, argumenta… informa.
No fim das contas, a nossa história é feita de contar histórias. Nas páginas do nosso jornal, do seu jornal, contamos as mais diversas histórias. Noticiamos festas e conquistas, mas também tristeza e luto. Reportamos dificuldades causadas pela natureza, mas também alegrias que a chuva e o sol oferecem. Descortinamos mentiras, mas sinceramente amamos falar sobre verdades. Nada passou em branco. Afinal, a história deve ser contada por todos os lados.
Nesses 30 anos, nunca cansamos de perguntar, nunca deixamos de ouvir, sempre pelo nobre ofício de noticiar, informar, revelar para você, leitor, o que acontecia à sua volta.
Começamos quando a internet era novidade. Jornal impresso é que era sensação. Longe da velocidade que a informação tem hoje, o consumo de notícia local era na rádio, mas especialmente no jornal impresso que chegava em casa, no comércio, nas bancas. Cedinho, Marechal Cândido Rondon e região se informavam, folheavam as páginas que continham notícias, mas também eram carregadas de dedicação, profissionalismo e amor pela profissão.
E que bela história construímos nesses 30 anos. Ganhamos parceiros, amigos, admiradores. Contando histórias com a escrita e com a fotografia, fundamos nossa própria história.
Agora é hora de dizer adeus. Nossa história vai continuar, mas nosso xodó, o jornal impresso, está perto de seu fim. Em algumas semanas – e que ironia – o jornal impresso de O Presente vai se tornar passado. Aquele que tanto fez por nós, por você, por toda a sociedade, vai agora enriquecer a história.
Nos últimos 30 anos, noticiamos os avanços tecnológicos. E foi exatamente esses avanços que decretaram o fim do jornal impresso. A forma de consumir notícia mudou. Há vários anos, o jornal impresso ganhou a companhia de nosso site, por onde milhares e milhares de pessoas se informam. Depois, chegamos às redes sociais. No meio digital, nosso objetivo sempre foi o mesmo: levar notícia de relevância, ser importante para as pessoas, ter bom senso.
Tem gente que vai reclamar, afinal, quem gosta sabe como é prazeroso sentar e ler um jornal. Nós vamos reclamar. Vamos, sim, sentir muita falta. Vamos sentir falta do cheiro, do toque e até de folhear de trás pra frente. Afinal, não são três dias, nem três anos.
Como é difícil abandonar algo que amamos. Mas, assim como a própria vida, tudo que conhecemos tem um começo, um meio e um fim. É hora de seguir adiante, mesmo que tenhamos que deixar parte dos nossos corações para trás.