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Editorial

Político só casa por interesse

calendar_month 23 de março de 2022
3 min de leitura

Na política, dizem que os adversários de hoje podem ser os aliados de amanhã. Para quem acompanha um pouquinho dos bastidores políticos no Brasil, sabe que isso é a mais pura verdade. Com a aproximação do período eleitoral e a troca de partidos para oficializar as candidaturas, centenas de políticos brasileiros se despedem de suas siglas para tentar uma chance melhor em outro partido, independentemente da filosofia, propósitos ou estilo de governar daquela legenda.

As trocas acontecem mais mesmo é por maiores chances de êxito nas urnas.

O que para muitos parecia quase inadmissível tem se desenhado claramente nos últimos dias. Uma união entre o petista Luiz Inácio Lula da Silva, ex-presidente, condenado em duas instâncias por corrupção, e um de seus principais adversários, Geraldo Alckmin, que passou 33 anos no PSDB e agora se desvencilha das garras dos tucanos para ingressar no PSB e tentar uma dobradinha com seu antigo desafeto.

Adversários diretos nas eleições de 2006, Alckmin e Lula trocavam farpas e acusações que perduraram durante anos. E como é bom a internet para relembrar fatos épicos que comprovam a frase inicial deste editorial.

Em 2018, Alckmin escreveu em seu Twitter: “Não existe a menor chance de aliança com o PT. Vou disputar e vencer o segundo turno para recuperar os empregos que eles destruíram saqueando o Brasil. Jamais terão meu apoio para voltar à cena do crime. Seus apoiadores são aqueles que acampam em frente a uma penitenciária”.

Ora, ora, ora, senhor Alckmin. E agora? Já que essa lhe parece ser a melhor chance de chegar próximo à Presidência da República, parece não custar muito “esquecer” as enormes diferenças do passado e se juntar ao partido que, em suas palavras, saqueou o Brasil. Ou seja: estás a apoiar saqueadores. E não sou eu quem está dizendo. Foi você!

Lula, por sua vez, tripudiou contra os tucanos e contra Alckmin por diversas vezes. Bate-bocas, cheio de acusações, desconfianças e desrespeito por muitas vezes era o que se via dos adversários políticos.

Mas agora, às vésperas de uma eleição presidencial, os dois antigos desafetos se juntam para tentar evitar a reeleição do presidente Jair Bolsonaro. Juntaram todos seus cacos, do PT e da trajetória de Alckmin, para tentar derrubar o atual postulante do Palácio do Alvorada. O que para muitos parecia impossível acontecer, deve acontecer. Os adversários de ontem podem ser os aliados de amanhã.

E assim ocorre também nas eleições municipais e para todos os cargos elegíveis. Muita dança ainda vai acontecer nesse baile dos políticos em busca da melhor companhia, do melhor bailarino. Tudo para que, no fim do baile, eles consigam mais aplausos do que seus adversários.

Dizem que saber perdoar as pessoas que lhe fizeram algum mal é uma virtude das pessoas. Ficar livre de ressentimentos é uma maneira de viver mais e melhor, com o coração aliviado, sem rusgas para lhe acompanhar na jornada da vida. E certamente os políticos fazem isso, uns com os outros, com muita maestria. Ou apenas fazem porque querem se dar bem mais uma vez. A verdade é que político só “casa” por interesse. E o pior é que não é o interesse de ajudar o Brasil.

 
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