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Padre Marcelo Ribeiro da Silva

O altar e o Natal

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Às vésperas do Natal, venho encontrá-los em atmosfera festiva. Minhas palavras se dirigem hoje a alguns irmãos especial, àqueles que por uma razão ou outra deixaram de celebrar o Natal nas suas Igrejas. Quero que vocês saibam que o Natal de Cristo é um convite também para vocês!

A Igreja cantará na noite de Natal: “Hoje nasceu para nós um salvador, que é Cristo, o Senhor!”. Esse salvador nasce para todos; em todos nós ele está buscando um coração em que possa nascer.

Eu não desconsidero o fato de que vocês, mesmo não participando de suas comunidades de fé, tenham experiências belas para contar sobre a ação de Deus nas suas vidas; tenho também consciência de que muitos continuam a rezar e se sintam satisfeitos com o modo como exercem sua própria fé. Mas, o valor das preces e da vida espiritual que cultivam tem uma direção e um lugar de plenitude: o altar!

Digo-lhe isso como alguém que também conhece a graça da noite de Natal. Sei que ela pode ser mais que uma lembrança de um longínquo acontecimento e de troca de votos de felicidade. Pode ser mais que um encontro humano entre familiares e amigos em espírito de acolhida, pois o Natal reserva muito mais que o júbilo de uma noite; ele prenuncia a alegria que quer dilatar-se na sua vida.

O verdadeiro dom do Natal parece com um presente de aniversário: há sempre uma embalagem bonita que esconde a surpresa. No Natal o festejo é apenas a bela embalagem a indicar que há algo a mais ali. Para descobri-lo é preciso rasgar o pacote de festa, pois a surpresa só se mostra quando decidimos por tirar da embalagem de festa aquele que é o presente por “estar presente”.

O dom verdadeiro do Natal é a Encarnação de Deus em nosso meio, em especial, sua Encarnação no acontecer da nossa própria vida.

Bem, antes eu deixei uma palavra solta que quero retomar: “o altar”. Relacionei altar e plenitude do Natal. Escolhi a palavra plenitude intencionalmente. Ela está no lugar da palavra perfeição, porque na Igreja não temos um Natal perfeito, mas pleno, ou seja, onde se cumpre por inteiro a graça do Natal, onde o fato de não sermos perfeitos não tem força para fazê-lo menos pleno.

O Natal no altar é pleno porque nele Jesus continua sua obra de encarnação, levando cada fiel a comer do seu Corpo e beber do seu Sangue, dando-lhes como alimento sua própria vida e transformando-as paulatinamente em imagem e semelhança do seu próprio ser.

O Natal no altar é pleno porque em torno dele não se encontra uma comunidade de anjos, de perfeitos, mas de humanos, imperfeitos, que, envolvidos em pecados e fragilidades, continuam a oferecer não mais do que uma estrebaria para que o Cristo nasça e, “ainda” assim, Ele continua pertinazmente escolhendo entre nós nascer!

Esta é a alegria milenar do Natal por detrás da embalagem de festa: Ele continua a nascer no altar e a Igreja é a sua manjedoura!

Em torno dele estão pessoas pequenas, mesquinhas, frágeis, inconstantes, hipócritas e tudo o mais que vocês conheçam e das quais somos motivo de escândalo, mas, não deixe de perceber o incontestável “Ainda” de Deus que continua sempre e a cada vez a acontecer!

“Ainda” que nossa morada seja bagunçada, Ele pede um espacinho não maior que uma manjedoura para nascer; “Ainda” que nossos braços se encontrem borrados de pecados, Ele os deseja para poder ser levado ao nosso peito, “Ainda” que nosso coração não esteja melhor que uma suja estrebaria, Ele continua a não ter aversão de nós. Sempre e a cada vez Ele pronuncia o seu “sim” para continuar a descer em meio ao lodo das nossas ingratidões, vaidades, magoas e sofrimentos.

Seu inquebrantável “Ainda” permanece sobretudo no altar em que Ele se faz Eucaristia. Nós nos alimentamos dela e por ela Ele entra dentro de nós. Então, juntinho de nós, com a indefensabilidade de um recém-nascido a dormir na manjedoura, Ele passa a levedar a nossa vida, trazendo sempre e a cada vez o presente da festa de Natal: a encarnação em nós da vida divina.

Permita-se não apenas festejar o Natal, celebre-o, acolha-o na Eucaristia, receba-o na sua própria carne e deixe-a ser levedada pela força da Encarnação. Votos de um santo Natal para todos!

Por Marcelo Ribeiro da Silva. Ele é padre da Diocese de Toledo
Reitor do Seminário São Cura D’Ars
Doutorando em Filosofia – Unioeste

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