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Padre Marcelo Ribeiro da Silva

A “sementeira vocacional” da nossa região

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No próximo domingo (26), comunidades, empresas, famílias e colaboradores se encontrarão no Seminário São Cura D’Ars para festejar a graça da existência desta casa de formação sacerdotal, que comemora seu 40º aniversário de instalação em Quatro Pontes.

Há 40 anos a história da nossa região se entrelaça com a história deste Seminário, de tal maneira, que se nos faltasse esta casa, sua ausência implicaria na formação humana e espiritual de duas gerações de homens, que hoje são líderes e trabalhadores em nossas cidades da região.

Até 1982 os adolescentes e jovens seminaristas diocesanos do Oeste do Paraná realizavam sua formação humana e espiritual no Seminário São José, em Cascavel. A Diocese de Toledo constituía uma macrorregião que em 1978 foi desmembrada e deu origem a outras duas dioceses, Cascavel e Foz do Iguaçu. Desde então, as dioceses passaram a considerar a possibilidade de ter seus próprios seminários menores, sonho que se concretizou em 1983, tanto para Toledo, com  a instalação  do Seminário Menor São Cura D’Ars em Quatro Pontes, como Foz do Iguaçu, que instalou em Medianeira o Seminário Nossa Senhora Medianeira.

Desde 1983 nossa Diocese tem uma casa dedicada a promover e cuidar do despertar e o acompanhamento vocacional das novas gerações. Apurando os dados quantitativos, falamos de mais de 550 garotos e rapazes da nossa região: de 1983 a 1992 ingressaram aproximadamente 165; de 1993 a 2002 foram 192; de 2003 a 2012 acolhemos 108; de 2013 a 2022 cuidamos de 68 garotos.

Dedicaram sua juventude e ministério ao cuidado desses rapazes 14 padres formadores, constando como reitores: padre Braz Tarcizio Pauly (1983-1989), padre Waldeci Ferreira (1989-1996), padre Lucimar Antônio Castellani (1997-1999), padre José Aparecido Bilha (2000-2001), padre Lucivaldo José Castellani (2002-2003), padre Geraldo Marino Ferreira (2004-2008), padre Mauro Cassimiro (2009-2014) e padre Marcelo Ribeiro da Silva (de 2015 até no presente); e colaboraram como diretores espirituais os padres Hugo José Rohden, Dirceu Roveda, André Fatega, Juarez Pereira de Oliveira, Jauri Strieder e Milton Wermann.

Mais de uma centena de padres, religiosos e religiosas, leigos e leigas foram colaboradores diretos na formação dos seminaristas nessas quatro décadas. Foram acompanhados por confessores, orientadores de retiros e espiritualidade, psicólogos, catequistas, pedagogos, professores de teatro, música, línguas estrangeiras, português, etiqueta, diretores de estudo etc. Cuidados por muitos colaboradores: cozinheiras, zeladoras e zeladores. E já não conseguimos mensurar o número de benfeitores e benfeitoras que se dedicaram ao seminário, seja em seus eventos festivos, seja na manutenção ordinária da casa.

Ao citar tudo isso, brota em mim uma emoção que desejo compartilhar com todos vocês: é o sentimento de gratidão, a consciência do dever cumprido, a certeza de que valeu a pena, porque em tudo isso encontra-se a constante confirmação de que este seminário é uma obra de Deus. Esta é uma casa muito abençoada, ambiente que Deus escolheu para plantar suas “sementinhas”. Aqui é a sementeira da fé, dos valores e da vocação para a nossa comunidade diocesana.

Ele preferiu esta terra em que o sol pinta o horizonte no fim das tardes e em que se educa as novas gerações para o trabalho e a justiça, como seu campo, canteiro e semeadura vocacional. Aqui, Ele que é o maior entre os semeadores, lança não em terra, mas compartilha com corações o seu próprio sonho e paixão pelo Reino de Deus.

Obrigado, Senhor, por estes 40 anos que caminhas conosco! E, na vossa bondade, ousamos pedir-vos mais daquela mesma graça: repita mais uma vez vossa palavra que confirma nosso labor, aquela sempre nova promessa que sabemos por experiência ser capaz de gerar sonhos e ardor aos novos desta geração:

Em verdade vos digo que não há quem tenha deixado casa, irmãos, irmãs, mãe, pai, filhos ou terras por minha causa e por causa do Evangelho, que não receba cem vezes mais desde agora, neste tempo, casas, irmãos e irmãs, mãe e filhos, com perseguições; e, no mundo futuro, a vida eterna” (Mc 10, 29-30).

Por Marcelo Ribeiro da Silva. Ele é padre da Diocese de Toledo
Reitor do Seminário São Cura D’Ars
Doutorando em Filosofia – Unioeste

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