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O “Cão de Matelândia”

calendar_month 18 de julho de 2026
8 min de leitura

Pai de 11 com nome de dicionário enxergou oportunidade no rústico paredão de pedras, na curva da estrada, e fundou um polo gastronômico no Meio Oeste paranaense

Domingo ensolarado, 12 de julho, 12h30. Fervilhava um ponto da BR 277, no meio do caminho entre Cascavel e Foz do Iguaçu. Para almoçar no Casteletto, em Matelândia, era preciso enfrentar uma fila de 45 minutos.

Quem poderia imaginar, quase meio século atrás, que aquele paredão inerte de pedras as margens de uma rodovia esburacada iria um dia sediar um polo gastronômico?

O gaúcho de Paraí, Aurélio Dal Pozzo, imaginou. Em 1977 ele montou naquele ponto um acanhado chalé de madeira denominado Super Salada de Frutas. Comparada à estrutura de hoje, não passava de uma barraquinha de beira de estrada.

CONTEXTO HISTÓRICO

Aurélio chegou ao Meio Oeste paranaense no final dos anos 1950. Levantou poeira na 277 quando a via se chamava “rodovia estratégica”. Era um estradão de terra, pouco mais que uma via carroçável, que dava vazão aos caminhões entulhados de araucárias que seguiam para exportação via portos do Rio Paraná, no auge do ciclo da madeira.

A vida na nova região foi marcada por imensas dificuldades. Após enfrentar crises financeiras, problemas de saúde e a complexa tarefa de criar 11 filhos, Aurélio precisou vender suas terras para quitar dívidas.

Determinado a recomeçar, ele focou no que sabia fazer de melhor: a agricultura e a jardinagem. Então montou um viveiro de mudas, e com muito esforço, adquiriu um lote estratégico de terra (pedras) na curva estrada, as margens da rodovia.

NASCE O CASTELO

O Casteletto replicado no espelho d’água na bela fotografia de Inacio Hara, é resultado do talento de um jovem projetista e da ousadia de um gaúcho visionário. No detalhe, o fundador Aurélio Dal Pozzo com a esposa Mathilde nos anos 1950. No dicionário desse Aurélio não existia a palavra medo.

A ideia de transformar a modesta parada em um castelo medieval de pedra surgiu de forma curiosa em meados da década de 1980. Aurélio Dal Pozzo queria expandir o espaço — inicial mente pensando em um local de comércio mesclado com a morada no piso superior. Ele encomendou um esboço ao jovem projetista local Claudino Bózio.

O profissional apresentou a proposta ousada de um castelo medieval. Aurélio encantou-se de imediato e disse, contrariando muita gente de seu entorno: “Vou fazer”. Iniciada em 1986, a obra estava pronta um ano depois.

Batizado Casteletto Dal Pozzo, o “Castelinho”, como é popularmente conhecido, homenageia a ascendência italiana de Aurélio, cuja origem está em Castelleto di Rotzo, província de Vicenza.

Hoje o complexo contém dois restaurantes, cafeteria, sorveteria e a consagrada salada de frutas servidas na “pirâmide de vidro” que tomou o lugar do chalé de madeira original. A origem de tudo é o paredão de pedras, local em que ninguém via nada.

O chalé de madeira que daria origem ao castelo medieval na curva da estrada: a inconfundível salada de frutas era a iguaria mais apreciada do cardápio

POLO EM EXPANSÃO

Contagem de fluxo realizada pela EPR Iguaçu, a concessionária que administra esse trecho da BR 277, contabilizou uma movimentação diária de 66 mil veículos distribuídos nas praças de pedágio de Cascavel, Céu Azul e São Miguel do Iguaçu.

Três em cada quatro são veículos leves de viajantes a negócios e turistas. Nos feriados esses números crescem até 30%. O Casteletto projetado pelo Aurélio, embora expandido pelos filhos, não dá conta de tanta gente.

Então outros empreendedores do ramo entraram no segmento para disputar o apetite da turma da fila. Ali, em um raio de 17 quilômetros, surgiram os restaurantes Vaca Loka e mais recentemente, há seis meses, a churrascaria Moinho. São estruturas amplas, que acabam de constituir o polo gastronômico do Meio Oeste paranaense.

Todos eles, em alguma medida, beneficiados indiretamente por um pai de 11 com nome de dicionário que enxergou oportunidade no paredão de pedras de um trecho sinuoso da BR 227.

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Copel põe sede à venda em Cascavel

Desmobilização do patrimônio objetiva trazer R$ 296 milhões para o caixa da empresa

Foto: Gazeta do Paraná

A sede da Copel Distribuição – Regional Oeste, localizada no numeral 105 da rua Vitória, no bairro Ciro Nardi, em Cascavel, está à venda pelo valor de R$ 43,3 milhões.

O complexo possui uma metragem total de 12,6 mil metros quadrados e abriga escritórios administrativos, postos de atendimento presencial ao consumidor, almoxarifados e pátio operacional. A área também serve como estacionamento para a frota de caminhões e base logística das equipes de manutenção da rede elétrica.

DESINVESTIMENTO

A inclusão do imóvel em área nobre de Cascavel faz parte de um grande pacote anunciado no final de junho de 2026, contendo 72 imóveis da companhia avaliados em R$ 296,4 milhões espalhados pelo Paraná.

A diretoria da Copel, privatizada em 2023, afirma que o processo visa a “revitalização e otimização” de espaços para reduzir custos e modernizar o patrimônio.

ATENDIMENTO

A empresa informou que a alienação do bem não prejudicará o serviço ao público, mas ainda não detalhou para quais novos endereços o atendimento e as equipes operacionais serão transferidos.

O imóvel foi colocado à venda diretamente no mercado imobiliário sob a intermediação da consultoria Colliers International. Os anúncios de venda direta estão disponíveis no mercado de varejo imobiliário, inclusive em plataformas como a OLX.

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Bárbaros do parque

Enquanto a artista engaiola o sapiens para despertar empatia, drones e satélites tentam frear a selvageria que sangra o Parque Nacional do Iguaçu

A ilustração da artista Barbara Daniels chama-se “Humaning” (uma brincadeira com o termo fishing – pescaria) e traz uma inversão de papéis satírica entre humanos e peixes em um cenário de “pesca esportiva”.

Uma “batalha” de drones contra criminosos acontece neste momento sobre a maior reserva de mata atlântica do Brasil: o Parque Nacional do Iguaçu. De um lado as forças de segurança pública, entre elas o ICMBio, Polícia Federal e Polícia Ambiental do Paraná.

No flanco oposto, gente que vive na mentalidade cultural da pré-história, quando os sapiens eram caçadores e coletores. Os drones operados por policiais e o uso de tecnologias de alta precisão geraram um recorde de apreensão e prisões entre 2025 e 2026, conforme publicou, neste mês, o portal H2FOZ. Mais de 100 acampamentos foram debelados e 104 selvagens “engaiolados”.

Curioso é o perfil dos bárbaros: ali tem de tudo, do morador do entorno até gente “letrada”, peixes graúdos, que atiram somente pelo prazer de ver o bicho cair.

Além de abater os animais de maior porte do parque, os bandidos atiram também em cutias, pacas e catetos, base de sobrevivência da onça, animal do topo da cadeia alimentar, gerando desiquilíbrios insanáveis no ecossistema.

GEOTECNOLOGIA AVANÇADA

Para cobrir os mais de 185 mil hectares da unidade de conservação, a fiscalização passou a utilizar ferramentas de ponta para rastrear os caçadores em tempo real.

O monitoramento hoje conta com satélites, drones e GPS de alta precisão, além de softwares especializados e ampliação de câmeras de monitoramento em tempo real.

ESTRATÉGIA

Devido à intensidade da fiscalização nas áreas mais profundas da floresta, os caçadores mudaram de tática e passaram a atuar fortemente nas bordas do Parque Nacional, perto dos limites com propriedades rurais e municípios lindeiros. A motivação dos criminosos varia entre a caça esportiva, o consumo próprio, o comércio de carne de caça e o atávico hábito cultural regional.

PERFIL DOS INVASORES

Um dado alarmante trazido pelo monitoramento é que os flagrantes de caça ilegal envolvem pessoas de diferentes esferas sociais na região Oeste do Paraná. Entre os autuados e investigados, já foram identificados desde moradores do entorno e empresários até políticos e servidores públicos da área de segurança.

BALANÇO

102 acampamentos clandestinos foram localizados e destruídos; 1.483 estruturas de caça (como os famosos “jiraus” ou “trepeiros” — plataformas elevadas na copa das árvores para esperar os animais) foram desmanteladas; 104 pessoas foram presas em flagrante cometendo crimes ambientais no parque.

BANDIDO TREPADO

O portal da Polícia Federal noticiou que em junho de 2026 agentes prenderam em flagrante um caçador em Matelândia que operava em um “jirau” a 7 metros de altura, portando um rifle e dezenas de munições. Em abril, a Operação Anhangá também cumpriu mandados contra um grupo estruturado que chegou a furtar câmeras de monitoramento do próprio projeto Onças do Iguaçu para tentar evitar os flagrantes.

Por Jairo Eduardo. Ele é jornalista, editor do Pitoco e assina essa coluna semanalmente no Jornal O Presente

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