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Tarcísio Vanderlinde

Melquisedeque inca

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Ao lado de paisagens de tirar o fôlego, os sítios arqueológicos relacionados à civilização inca se espalham por toda a região do antigo império. Pela mística que irradia, o ícone que representa a civilização sempre será Machu Picchu.

Para chegar lá, pode-se partir de Cusco com ônibus local até o pueblo de Ollantaytambo. A partir daí se viaja de trem margeando o Rio Urubamba (um dos formadores do Rio Amazonas) até o pueblo de Aguas Calientes. Depois mais um trecho com micro-ônibus. O restante é a pé.

Guias turísticos locais nem sempre contam tudo sobre o que costumam mostrar aos visitantes. É preciso também admitir que turistas podem não estar interessados em querer saber tudo sobre os lugares que visitam.

Por outro lado, uma viagem aos antigos sítios arqueológicos do Peru, por exemplo, podem revelar detalhes que costumam ficar obscurecidos pelo desejo de fazer aquela imagem de algum lugar especial, seja em Cusco, Machu Picchu ou no templo de Wiracocha, em Raqchi. Determinados lugares podem ter um significado maior do que apenas servir como cenário para aquela selfie emblemática.

Ao abordar as crenças incas, o missionário e antropólogo Don Richardson inicia por um de seus principais líderes: Pachacuti. Pachacuti governou de 1348 a 1471 e costuma ser visto como referência que marcou o apogeu da civilização inca.

Richardson observa que aprecia chamar Pachacuti de “Melquisedeque Inca” e afirma que “descobrir um homem como Pachacuti no Peru no século XV é tão surpreendente como encontrar um Abraão em Ur ou um Melquisedeque entre os cananeus”.

Ao reconstruir Cusco, a Capital inca, Pachacuti realizou diversas obras que podem ainda hoje ser observadas, como é o caso de templo dourado de Coricancha, o “Templo do Sol”. Parcialmente destruído durante a conquista espanhola, seu remanescente encontra-se mesclado ao convento de Santo Domingo construído pelos jesuítas.

Os espanhóis aproveitaram as pedras incas para alicerce de diversos edifícios construídos na época colonial em Cusco. Acredita-se que Coricancha se assemelhava em esplendor ao templo de Salomão que existia em Jerusalém até o início da era cristã. Algumas palavras adicionais sobre Coricancha ainda parecem oportunas.

O palácio era também a residência dos imperadores incas. Ali ainda é possível observar o estilo arquitetônico de blocos em forma de trapézio, à prova de terremotos. O estado de conservação daquelas paredes feitas por blocos de rochas basálticas impressiona pela perfeição e conservação. É um lugar digno de ser visitado por engenheiros e arquitetos do século XXI.

 

O autor é professor sênior da Unioeste

tarcisiovanderlinde@gmail.com

 

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