Dentro das mentorias, palestras e cursos que ministro sobre comunicação, um dos temas que mais reverbera é: relacionamentos terminam por causa das conversas que não temos!! E infelizmente, muitas pessoas se identificam com essa afirmação.
Não são apenas as palavras proferidas que têm o potencial de ferir, magoar. O silêncio e o descaso podem causar o mesmo efeito. E ainda, enterrar no coração as coisas que te incomodam, pode gerar inúmeras camadas silenciosas de ressentimento, culpa e raiva (em você mesmo, ou no outro).
Quando falo sobre isso, sempre utilizo uma citação do livro Conversas Cruciais (Kerry Patterson; Joseph Grenny; Ron McMillan; Al Switzler; Emily Gregory):
“Relacionamentos sólidos, carreiras bem-sucedidas, organizações fortes e comunidades integradas bebem, todos, da mesma fonte de poder: a capacidade de falar abertamente sobre temas delicados e controversos.”
Isto posto, a capacidade de ter conversas importantes pode ser crucial não somente em nossos relacionamentos, mas em nossas carreiras, empresas, comunidades e afins.
Sobretudo, no que diz respeito aos relacionamentos afetivos, existe um ponto que merece atenção: conversas importantes não podem ser adiadas indefinidamente. Muitas vezes, esperamos o “momento perfeito” para falar sobre algo que nos incomoda, magoa ou preocupa. A verdade é que esse momento raramente chega. Enquanto aguardamos as condições ideais, os sentimentos se acumulam e pequenas situações ganham proporções muito maiores do que realmente têm.
Casais maduros entendem que o desconforto de uma conversa sincera é muito menor do que o desgaste provocado por meses ou anos de silêncio. Eles compreendem que abordar um assunto delicado não é um ato de confronto, mas de cuidado. Quem conversa demonstra interesse em preservar a relação; quem se cala por tempo demais pode, sem perceber, permitir que a distância ocupe o espaço da conexão.
Outro aspecto que pode fazer grande diferença em seu relacionamento, é ter o cuidado para que as conversas ocupem o momento presente, e preocupem-se com o futuro. É comum que algumas discussões sejam rapidamente contaminadas por erros antigos, situações já resolvidas ou acontecimentos que não podem mais ser modificados. Quando isso acontece, o diálogo deixa de buscar soluções e passa a funcionar como uma disputa para descobrir quem está mais certo ou quem errou mais no passado.
Por isso, é importante falar sobre o que está acontecendo agora, sobre como determinada situação nos faz sentir e sobre o que precisamos daqui para frente. Essa atitude substitui acusações por observações, julgamentos por curiosidade e suposições por perguntas. Essa mudança de postura reduz a defensividade e aumenta as chances de que o outro realmente escute o que estamos tentando dizer.
Relacionamentos saudáveis não são aqueles em que os conflitos não existem. São aqueles em que as pessoas desenvolveram a habilidade de atravessar os conflitos juntas, sem transformar diferenças em batalhas. Afinal, a qualidade de um relacionamento não é medida pela ausência de problemas, mas pela capacidade de conversar sobre eles de maneira respeitosa, honesta e construtiva.
Meu desafio para você com o texto de hoje, e em clima de Dia dos Namorados, é que você encare aquela conversa que está protelando! No fim das contas, comunicar-se bem é um dos maiores atos de maturidade emocional que podemos oferecer a alguém.
Amar não é apenas compartilhar momentos felizes; é também ter coragem de sentar à mesa, olhar nos olhos e conversar sobre aquilo que precisa ser dito. Antes que o silêncio diga por nós aquilo que nunca tivemos a coragem de expressar.
Até a próxima!
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