O Presente
Comunicando no Presente

Você está alienado?

calendar_month 13 de maio de 2026
3 min de leitura

De acordo com o dicionário, alienado refere-se a alguém alheio à realidade, desinformado sobre questões sociais/políticas, ou indiferente ao que ocorre ao redor. Pode descrever ainda, um bem transferido a terceiros (como um veículo financiado) ou alguém com perturbação mental.

Para além de qualquer definição que você conheça, ou até mesmo, utilize em sua realidade/profissão, na comunicação, estar alienado significa estar preso ou cativo em seus próprios julgamentos.

Deste modo, é mais comum do que podemos imaginar, estarmos alienados no nosso dia a dia. Constantemente, ficamos mergulhados nas nossas percepções, nossos próprios julgamentos e em nossa maneira de ver o mundo. E tudo fica pior, quando acreditamos que a nossa forma de ver o mundo é a única correta, e quem pensa diferente de nós, está errado!!

Montar a ‘imagem do inimigo’ é uma tendência que nós temos quando o outro não corresponde às nossas expectativas, quando nos frustramos com algo, ou até mesmo quando nos enxergamos como vítimas em determinada situação.

Aqui, a comunicação começa a falhar — não por falta de técnica, mas por excesso de certezas. Quando estamos alienados nos nossos próprios julgamentos, deixamos de escutar para entender e passamos a escutar para responder, defender ou contra-atacar. Criamos versões do outro na nossa cabeça e nos relacionamos com essas versões, não com a pessoa real.

Uma primeira prática poderosa é o exercício da pausa consciente. Antes de reagir a uma fala que te incomodou, respire e se pergunte: “O que mais pode estar por trás disso?”. Essa simples pergunta abre espaço para múltiplas interpretações e reduz a chance de respostas impulsivas. Nem tudo é ataque, nem tudo é pessoal — muitas vezes, é só a forma que o outro encontrou para se expressar.

Outra dica essencial é desenvolver a escuta ativa. Isso significa ouvir com intenção genuína de compreender, sem interromper, sem formular respostas enquanto o outro fala e, principalmente, sem julgar imediatamente. Uma boa estratégia é validar o que foi dito antes de responder, com frases como: “Entendi que você quis dizer isso…” ou “Faz sentido você ver dessa forma por causa de…”. Isso não significa concordar, mas sim reconhecer o outro.

Também é importante questionar os próprios pensamentos. Será que essa história que estou contando sobre o outro é um fato ou uma interpretação? Muitas vezes, criamos narrativas internas que reforçam a “imagem do inimigo”, quando, na realidade, estamos apenas vendo uma parte da situação. Exercitar a curiosidade no lugar da certeza pode transformar completamente a qualidade das nossas relações.

Meu convite para você hoje, é para encaramos a comunicação não com o intuito de vencer discussões, mas sim, construir pontes.

Quanto mais conscientes estivermos dos nossos julgamentos e mais dispostos a flexibilizá-los, mais espaço criamos para diálogos reais, respeitosos e produtivos. Sair da alienação, nesse contexto, é sair do automático e escolher, todos os dias, se conectar de verdade com o outro.

Até a próxima!

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Sobre a autora

Bruna Tierling é professora de Filosofia, comunicadora, passada presidente da JCI Marechal e Campeã Mundial de Oratória.
 
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