Fale com a gente

Fátima Baroni Tonezer

Como sair da exaustão?

Publicado

em

Hoje vamos conversar sobre estratégias e caminhos para cuidarmos mais de nós mesmas. Nós, mulheres, temos a tendência, até pela forma como somos educadas, de puxar os problemas dos outros e querer resolver. Para sermos boazinhas e aceitas. Reconhecer isso e aprender a colocar limites é fundamental. Sair desse lugar de “boazinha”, que quer agradar todo mundo, dar a resposta para os problemas dos outros, ser a “mulher maravilha” e se colocar no mundo real é necessário e difícil.

Entender que nem todos os problemas são meus ou fui eu que criei. Ter essa clareza ajuda. Já abordei esse aspecto no artigo de 22 de abril (clique aqui e leia), onde listei alguns passos para sair da culpa. Um desses passos é colocar limites, dizer não. E sustentar esse não.

Geralmente sustentar o limite passa por superar a necessidade de ser aceita, ser vista como bonita, adequada ao padrão de beleza. A mulher está sempre se doando enquanto os homens só são. É sobre aprender a dizer não e entender de quem é o problema. O marketing romantiza a força da mulher, guerreira, forte. E isso nos leva a esse lugar de “sim, eu dou conta”. E temos tentado dar conta de tudo, e a maioria das questões não nos pertence, “não é problema meu”. Não é sobre ser egoísta, é sobre esse lugar de desumanização.

À mulher não é permitido ser comum, banal. A mulher precisa ser “lacradora” para ser vista como maravilhosa. É sobre a pressão que sofremos para sermos fofas, cuidadoras, feminina e ao mesmo tempo ser a mulher maravilha que dá conta de tudo, poderosa, que não cede, uma rocha, forte, que resolve. É desumano!

QUEM É VOCE, MULHER?

É preciso entender quem você é. Cuidar tanto do corpo quanto da mente (leia-se emoções). Não é o corpo do padrão. É o corpo que você tem. E cuidar de si não significa a obrigação de dar conta de tudo. É possível pedir ajuda. É difícil, para não dizer impossível, ser a profissional brilhante, a mãe perfeita, que não vai repetir os erros da própria mãe, que não vai traumatizar nem deixar os filhos sofrerem.

E veja, nunca está bom! A pele, o cabelo, a roupa, o corpo, a maternidade, a amizade, a filha que é… A sociedade não está resolvendo. Ao contrário, está só piorando o cenário de culpa e exigências.

Não tem um livro que ensine como ser a profissional brilhante, a mãe perfeita etc sabe por quê? Porque não é possível. Isso só dá certo no papel. Na vida real há muitas demandas acontecendo ao mesmo tempo.

PARA TER SAÚDE MENTAL, É NECESSÁRIO RENUNCIAR Á PERFEIÇÃO

Para voltar ao autor citado no início do artigo, Byung-Chul Han, o excesso de positividade e produtividade é a causa do cansaço geral da população. Já que a única “autorização” para parar é quando estamos doentes, esgotadas, totalmente debilitadas. Precisamos justificar nossa parada. Atualmente é “normal” usar o percurso para o trabalho para aprender alguma coisa, ouvir um podcast, responder e-mails enquanto engole a comida do almoço, sem mastigar nem perceber o sabor.

Ser uma mulher melhor está nos adoecendo emocionalmente. E ainda temos a performance digital, onde o tempo todo é necessário estar postando foto ou vídeo praticando um esporte, um boomerang de um brinde entre amigas, a foto na piscina ou na balada, num jantar romântico, brincando com os filhos, do livro. É preciso demarcar que sou fitness, amada, socializo, sou boa mãe e intelectual, antenada com as últimas tendências.

Porém, ter consciência dessas armadilhas não nos liberta automaticamente. Sem ter consciência das escolhas que fazemos (lembra das três perguntas do artigo de 06 de maio – clique aqui e leia) não vamos sair desta rota de colisão. Pedir ajuda, não assumir tudo sozinha. Praticar exercícios físicos, que é a estratégia mais eficaz para calibrar o sistema nervoso para lidar com estresse. E preservar as conexões humanas. Nós, seres humanos, não fomos feitos para realizar coisas sozinhos. Nós nos construímos em grupos. O contato humano nos faz sentir segurança.

Vivemos numa sociedade de harmonização facial e desequilíbrio emocional. Na próxima semana vamos conversar sobre as armadilhas que nos mantêm presas a relacionamentos disfuncionais, sobre empatia e a matemática por trás da exaustão. Fica comigo.

Até a próxima.

Fátima Sueli Baroni Tonezer é psicóloga, formada em Psicologia na Universidade Estadual de Maringá (UEM). Sua maior paixão é estudar a psique humana. Atende na DDL – Clínica e Treinamentos – (45) 9 9917-1755

Copyright © 2017 O Presente