Fale com a gente

Pitoco

Manual de prefeito 85,7%

Publicado

em

Ao completar o sétimo ano de administração, e ostentando quase 90% de aprovação popular em Cascavel, Leonaldo Paranhos prepara o plano de voo para aterrissar no Centro Cívico de Curitiba

Com uma miniatura em mãos, Paranhos é fotografado por Nery Cardoso quando
a maior aeronave da Gol passou a operar em Cascavel, em setembro último. As
outras duas gigantes também operam aqui, Latam e Azul.

Quando Leonaldo Paranhos recebeu o editor do Pitoco em seu gabinete, ao meio dia do último dia 11 de dezembro, horário de almoço, ele ainda digeria três notícias bem temperadas: a proposta bilionária que ele elaborou para a Sanepar foi aceita, e em troca de 23 anos de concessão, serão investidos R$ 1,08 bi mais luvas da ordem de R$ 196 milhões, cujos recursos, em parte, irão transformar o Lago Municipal em uma espécie de “Puerto Madero”, deslumbrante ponto turístico de Buenos Aires.

A outra notícia vinha do principal aeroporto regional do Brasil, o de Cascavel, operado pelas três maiores companhias aéreas, e que não para de produzir números superlativos: de pouco mais de 60 mil embarques por ano, o aeroporto vai fechar 2024 com mais de 400 mil passageiros. A terceria notícia vinha do instituto Paraná Pesquisas. Leonaldo Paranhos, de Cascavel, é o prefeito mais bem avaliado do Brasil nas cidades médias e grandes, com quase unânimes 85,7% de aprovação popular.

As fotos desta reportagem, de autoria do talentoso Nery Cardoso, expressam o ambicioso plano de voo de Paranhos, com aterrisagem programada para o Centro Cívico, em Curitiba. Nesta entrevista, de especial interesse de todos os que ambicionam uma carreira política em 2024, encontramos uma espécie de manual de prefeito aprovado por quase 9 em cada 10 cidadãos.

Pitoco – A Paraná Pesquisas o aponta como prefeito mais bem avaliado. Parou para traduzir esses números?

Paranhos Os números enchem a gente de alegria. Eu monitoro a opinião pública desde o início do início do primeiro mandato em 2017 e a população sempre teve este olhar carinhoso com nosso trabalho. Acredito que este desempenho está no formato em que desenhamos o governo. Os gestores precisam ouvir as pessoas. Governo tem que facilitar as ações, agilidade, rapidez. Tem que melhorar a vida das pessoas. Quando a gente projetou o Território Cidadão, nos aproximamos da população. Eu vou lá e pergunto o que tem e o que que não tem, fazemos um raio x do local. A cidade é grande, então segmentar em áreas menores e agir sobre as especificidades de cada território, ouvindo as pessoas, mostrou-se uma ferramenta assertiva e eficaz.

De onde veio a ideia dos territórios?

Quando ganhei a eleição, em 2016, eu fiquei 26 dias na Europa. Eu e uma mochila sem rumo. Visitei Portugal, Espanha, França, conheci vários países pra entender o seguinte: “como funciona a gestão pública? A ideia do território veio desta experiência. Lá é tudo territorializado: saúde, educação, os arranjos produtivos. Então trouxe essa ideia pra cá implantamos com 30 dias de governo. No dia 2 de fevereiro de 2017 eu implanto no Cascavel Velho a Nova Cascavel, junto com o Exército Brasileiro. Visitamos todas as 22 mil residências daquele território. Depois implantamos 12 territórios e “acampamos” 15 dias em cada um. Durante 6 meses eu percorri todos, fizemos uma espécie de Censo , coletamos milhares de informações, da avaliação da escola ao ponto de ônibus, sempre pela percepção das pessoas.

Entre tantas demandas ouvidas, alguma em especial lhe surpreendeu?

O que me surpreendia eram as necessidades diferentes. Uma senhora me abordou no Cascavel Velho e falou: “prefeito, olha, eu tenho tanta esperança no senhor”. Perguntei em que poderia ajudar. Então ela disse, meio sem jeito, que toda chuva levava água para dentro de sua modesta residência. Era uma boca de lobo que precisava ser feita ali para desviar a enxurrada. Então aquela demanda simples que solucionava algo que para aquela senhora era muito importante, me chamou atenção. Chamei os secretários e disse: “gente, antes de tudo, temos sempre que perguntar assim: qual que é a melhor obra? E pra quem? A melhor obra não pode ser a do prefeito, a melhor obra tem que ser aquela que encontra a necessidade, a obra que encontra as necessidades das pessoas.

Nem sempre a obra vistosa e cara atende especificidades locais…

Exato. Quem usa ônibus em Cascavel é a grande massa. Chegamos a ter aqui 72 mil pessoas por dia, entre embarque e desembarque. Se conversar com um usuário do ônibus ele até vai entender a importância do aeroporto, mas para o dia a dia dele, o abrigo de ônibus está na frente na ordem de prioridade. O aeroporto está em outro contexto, traz desenvolvimento para a cidade e indiretamente também beneficia o usuário do ônibus, mas a obra boa é aquela que encontra a demanda da população. Por isso é preciso perguntar, e ouvir atentamente a resposta.

“Quando ganhei a eleição, em 2016, eu fiquei 26 dias na Europa. Eu e uma mochila sem rumo. Visitei Portugal, Espanha, França, conheci vários países pra responder uma pergunta: – Como funciona a gestão pública onde ela deu certo?”

Os veteranos da política dizem que o gestor precisa estar mais atento a ações dos amigos que dos inimigos… Você levou “tombos” de amigos nestes sete anos de Paço?

O período eleitoral é marcado pela aproximação de muitas pessoas. Aí é o seguinte: ninguém te ajuda numa campanha dizendo que quer alguma coisa, mas tem expectativas, algumas legítimas, outras nem tanto. As legítimas a gente consegue atender, trazer para o governo se a pessoa tem condições para desempenhar, etc. E tem expectativas que são impossíveis de atender, que você descobre depois, e aí, lamentavelmente, pode até romper amizades. Quando isso acontece, considero que não era uma amizade verdadeira, porque a pessoa havia encostado em você com uma expectativa de vantagens pessoais…

O jornalista Carlos Moraes, seu ex-amigo, não se enquadra neste perfil, certo?

O Carlos não foi desses que encostou na campanha não. Eu tinha uma amizade com ele de muito tempo, desde quando eu estava na vereança. Até ajudei a viabilizar alguns patrocínios pra ele atuar na televisão. Depois que eu ganhei a eleição para prefeito é que começou um distanciamento. O grande problema foram as eleições de 2018. Eu tinha que pagar um compromisso com o deputado Evandro Roman. E o Carlos era mais próximo que o próprio Roman. Então o Carlinhos saiu candidato a deputado federal e exigiu meu apoio. Expliquei que precisava honrar meu compromisso com o Roman, ele não entendeu e virou uma briga depois.

“Tinha o hábito de falar demais de trabalho em casa. Então, esses dias, a Fabíola me chamou no canto e disse assim: – Será que a Maria gosta de você ficar sempre falando da prefeitura, será que ela não quer assistir um filme com você?”

Prefeito tem que socar a mesa, eventualmente, para não perder o controle e a autoridade?

Olha, aqui são muitas emoções. Muitas emoções positivas que você passa quando você entrega uma obra, você atende uma pessoa, você consegue resolver um problema. E tem muitas emoções também da angústia de você não conseguir resolver, das limitações, da burocracia, e até mesmo do assédio.

Assédio?

É quando você percebe que o assédio vem na intenção de querer coisas pouco republicanas, de afrontar o interesse público. Aí só restar reagir com forte emoção.

Você tem um histórico de reações temperamentais, os cabelos prateados pelo luar do tempo atenuaram essa característica?

O tempo e a experiência nos ensinam a mudar alguns comportamentos. Nos ensinam até o jeito adequado para dizer um não. Confesso: no início da gestão eu tive medo do que teria pela frente, da força e influência dos interesses, dos vícios. Eu tinha muito medo de não conseguir dar conta de tantas pressões. Então decidi fazer uma faculdade de gestão pública. Eu conhecia bem a parte política, mas administrar um orçamento de um bilhão e meio, uma máquina pública gigantesca, dá medo. Ao aliar conhecimento de gestão com experiência política, passei a ter o domínio da máquina. Tive que socar a mesa algumas vezes. Se alguém ataca o patrimônio público que está aos meus cuidados, tenho que reagir à altura e mostrar quem está no comando.

Algo ou algum acontecimento neste período de dois mandato lhe remeteu para reflexões na linha “o que estou fazendo aqui”?

Eu tive alguns desafios duríssimos, como administrar a pior pandemia de nossa geração. Mas mesmo este episódio triste nos deu a oportunidade de trabalhar, conhecer mais as pessoas, aprendizados, e até de rever filosofia de vida. O que incomoda mesmo é enfrentar vícios de décadas, principalmente nos contratos, licitações. Mas não reclamo. Baixei um decreto determinando que a última parcela de pagamento da pavimentação só sai depois que os laudos técnicos comprovem a execução correta. O povo paga asfalto de 5 cm e alguns queriam entregar 3 cm. Enfrentei, só pago com o laudo pronto. Agora mesmo mandei suspender pagamentos até que as bocas de lobo da rua Antonina parem de dar solavanco nos carros, estão 7 centímetros fora da especificação.

Você costuma fiscalizar pessoalmente as obras, como é sua rotina diária para dar conta de tudo?

Vou pessoalmente ver tudo, chego sem avisar, faço foto, vídeo, mando no zap dos secretários e levo estas questões para reuniões da equipe. Minha rotina: Pulo da cama às 5h30 e vou pra academia. Malhação de uma hora e dez minutos, faço 5 km de esteira e vou “puxar ferro”. Levando ferro desde cedo (risos). Deixo minha filha na escola, retorno para o banho e venho pra prefeitura. Eu não saio daqui no horário do almoço, uso o intervalo para ver documento. Eu assino todos os documentos, desde um pagamento de R$ 100 reais até de 1 milhão.

Isso de assinar tudo revela um perfil centralizador? Tem dificuldade para delegar? Falta confiança?

Não, porque esse trâmite tem que passar pelo diretor, pelo gerente, pelo secretário. Faço questão de assinar tudo por que isso me traz conhecimento, agrega informação sobre cada um dos processos. Quando eu pago um negócio aqui e vou dar uma entrevista sobre o processo, saberei tudo a respeito, pois naquele momento acabei de assinar a ordem de serviço ou de efetuar o pagamento, enfim quero ter o domínio completo da informação. Estou por dentro de tudo, isso não abro mão. Conheço todos os números da prefeitura.

Sabe mesmo? Quantas bocas de lobo? Quantas lâmpadas LED?

Sei, são 48 mil bocas de lobo e 52 mil lâmpadas de LED instaladas, eu conheço a cidade.

E o “fusível” aí dentro da cachola, não esquenta? Em que momento você relaxa, descansa?

Eu tenho um prazer tão grande de ser o prefeito dessa cidade que isso me diverte. Às vezes, no domingo, cara, eu tô ali em casa, me dá uma inquietude, eu não sou muito de ficar em casa. Gosto, evidentemente, de ficar com minha família, mas preciso correr a cidade. Saio no domingo para visitar obras, assim, sabe. Então não é um peso pra mim. As vezes, no fim de semana, pego minha filha vou ali numa chácara de um amigo. O Paludo ou o Daniel da Ilumisol me emprestam suas chácaras. Vou lá e fico pescando duas ou três horas junto com minha filha, isso já me enche de energia de novo. Mas eu gosto mesmo é de administrar a cidade. Eu gosto demais.

Você tem fama de “incomodar” os secretários nos domingos e feriados com fotos no zap…recebe queixas por isso?

Há uma sintonia com eles. A maioria dos secretários e diretores está a muito tempo comigo. Eles sabem que é assim mesmo. Evito ligar nos domingos, a pessoa está curtindo a família, descansando, mas a mensagem no zap eu mando na linha “passei aqui, tô vendo que a rede de luz tá queimada, vamos resolver isso amanhã, ou manda alguém aqui à noite”…

E as coisas se revolvem assim?

Claro, temos reunião do secretariado na segunda-feira, coloco as fotos e os vídeos que fiz no domingo no telão, mostro onde tem buraco, onde tem mato, essas coisas..

Tem gente chiando sobre o mercado municipal no centro de eventos…

É um período de transição, temos que ter um mercado municipal e precisamos ter um Centro de Eventos melhor. Já temos uma área ali na região do Ceasa para um novo centro de eventos, é obra para R$ 70 milhões. Estamos em um momento de transição. Neste período o Centro de Eventos pode hospedar o mercado municipal, já que irá ocupar exatamente a área gastronômica do local. Daqui a 4 ou 5 anos teremos um novo centro de eventos, aí podemos ampliar o mercado municipal.

Adversários dizem que você não passa de um marqueteiro profissional…

Comunicação é uma das ferramentas mais importantes da humanidade. A comunicação está incutida em nós. Marketing ou prestação de contas? A lei orgânica do município determina que precisamos dar publicidade aos atos públicos, é obrigação do prefeito comunicar. Quando o gestor público se comunica para vender o potencial da cidade, atrair investimento, levantar a autoestima das pessoas e oferecer transparência aos seus atos, ele está cumprindo seu papel.

Se você pudesse resumir em poucas linhas as ações ou obras que mais lhe trouxeram satisfação nestes sete anos de governo, quais citaria?

Não tenho nenhuma dúvida, as obras na educação e ações de desburocratização. Aumentamos em 800% o número de estudantes na educação em tempo integral, transformamos os prédios das escolas. Eu pesquisei, conversei com as crianças. Elas queriam playground. Fizemos os parquinhos. Termina a aula, elas querem ficar lá. Criança precisa gostar de ir para a escola, precisa gostar de ficar lá. E o combate sem tréguas à burocracia. Quem faz a burocracia, as travas? Nós que estamos na gestão pública fizemos isso, então temos a obrigação de desfazer.

dez prefeitos mais bem avaliados do Brasil entre cidades médias e grandes, com Paranhos no topo da lista

Exemplo?

Nós fizemos aqui o Aprova Fácil, que virou uma referência nacional, o Alvará Online, o Aprova Digital e o Alvará Autodeclaratório. Hoje se você chegar na prefeitura e for construir até 600m² você não precisa mais esperar o projeto ser aprovado. Você apresenta o projeto, sai com o alvará na mão. Hoje, dezembro de 2023, estamos com 2.370 alvarás de construção em Cascavel, 1,6 milhão de metros quadrados em construção, entre eles o Shopping Catuaí que passa de 80 mil metros. Quando cheguei aqui, em janeiro de 2017, havia projeto enroscado há 18 meses tramitando de gaveta em gaveta, a loja da Havan na Tancredo Neves, era um deles. Nós aprovamos em 35 dias e a loja inaugurou em 25 de novembro de 2017.

Você enfrentou revezes na licitação da coleta do lixo e do transporte coletivo e isso ainda não está resolvido…

Eu estou indignado com isso. Eu sempre ouvi que é muito difícil enfrentar o segmento do transporte e o segmento da coleta de resíduo, e estou sentindo na pele. Eu não quero aqui ser leviano e fazer acusação, mas o lobby é muito grande. Rapaz, não é possível você ser impedido de fazer uma licitação sob alegação de contrato inexequível. Não é inexequível! Nós estamos oferecendo contrato de 20 anos, e obviamente exigindo investimentos também dos ganhadores.

Quais investimentos?

Queremos, por exemplo, que o aterro sanitário tenha uma grande unidade de separação de lixo. Queremos universalizar os pontos de coleta para a população. Queremos parte da frota elétrica, menos barulho, menos poluição, menos custo operacional. Temos que avançar. Os ônibus elétricos é a prefeitura que vai pagar, vamos desonerar a passagem. Tribunal de Contas suspende, tira, volta, fala que nós temos que mexer na tabela de novo, então isso tá me deixando um pouco incomodado, mas nós vamos superar esse problema.

“Tive que socar a mesa algumas vezes. Se alguém ataca o patrimônio público que está aos meus cuidados, tenho que reagir à altura e mostrar quem está no comando.”

O Palácio Iguaçu é sonho ou utopia?

Eu me preparei pra ser o prefeito da cidade, consegui duas vitórias eleitorais no primeiro turno, em ambas com oito candidatos a prefeito. Eu tenho um sonho agora de falar de Cascavel para o Paraná. Nossa cidade é um case importante que dialoga com o DNA do Paraná. Então ser candidato a governador do Paraná me dá esta oportunidade. Sei das limitações, sei que é difícil politicamente, economicamente, eleitoralmente. Mas onde o Paranhos não chegar, Cascavel já chegou. Cascavel já é referência, inspiração e luz para o Paraná.

O governador Ratinho assina embaixo desta pretensão?

Nunca cheguei a este ponto da conversa com o governador, disse apenas que tenho disposição para disputar a eleição. Mas o Ratinho tem uma série de pessoas ao lado dele que precisam também ser ouvidas. Se o governador for candidato à presidência da República, fica até mais fácil, porque aí ele deixa a turma dele mais solta para todo mundo apoiá-lo. A próxima eleição para o Governo do Paraná tem um vazio a ser preenchido. Não há um nome natural na linha de sucessão do Ratinho. Aqui há uma oportunidade para alguém de fora do eixo capital/norte do Paraná.

O PL, possivelmente sua sigla futura, garante sua candidatura?

O deputado Giacobo, presidente do partido, diz que o PL terá candidato a presidencia da República e a governador do Paraná. Que sigla terá também dois candidatos ao Senado. É uma eleição de muitas janelas de oportunidade.

São 5 janelas, 4 em 2026: governador, vice, senador, deputado federal e mais adiante, em 2028, prefeitura de Cascavel. Qual delas você descarta?

Eu não descarto nenhuma não, porque eu gosto de disputar eleição. Eu já disputei dez. Mas eu gostei muito do executivo. Quero disputar eleição para governador. Claro, tenho os pés no chão, sei respeitar minhas lideranças, não sou intransigente, mas vou trabalhar para isso.

Há quem diga: o Paranhos ajustou para apoiar o Renato Silva em 2024 sob a condição de que seu sucessor tenha apenas um mandato… aí o Paranhos volta em 2028…

Algumas pessoas falam muito. Alguns dizem: Paranhos, por que que você não fica fora desta eleição para voltar na próxima? Olha, nós não podemos retroagir ou estagnar. Eu quero na prefeitura alguém que conheça o governo. Se isso acontecer, o próximo prefeito vai bem e terá toda legitimidade para ser candidatar à reeleição. Neste cenário, não faz sentido eu voltar. Agora, se a pessoa que apoiei nos frustrar, precisarei repensar esta posição.

Seu candidato a prefeito é o Renato Silva mesmo, tá decidido?

Pela primeira vez um vice-prefeito vai ter o apoio do atual prefeito para valer mesmo. Lógico, temos outras lideranças que estamos construindo e a política é muito dinâmica, muda muito rápido. Mas hoje o nosso candidato a prefeito é o Renato Silva. Quando ajustamos o apoio dele em 2020, assumimos esse compromisso, e vamos honrá-lo. Claro que ele tem um caminho a percorrer, tem que levar este bastão adiante, angariar apoio, formar grupo.

Como sua família lida com suas ausências?

Estão acostumados, sabem que a carreira política me enche de paixão. Já me conheceram assim. Quando meus filhos nasceram eu já estava na política, sempre perdendo eleição (risos). Eles percebem que chego muito feliz em casa. Quando chego com as coisas resolvidas sou o cara mais feliz daquela casa e do mundo.

Leva serviço para casa?

Tinha o hábito de falar demais de trabalho em casa. Então, esses dias, a Fabíola me chamou no canto e disse assim: “Será que a Maria gosta de você ficar sempre falando da prefeitura, será que ela não quer assistir um filme com você?” Isso me trouxe um aprendizado, diminuiu um pouco a empolgação para discursar em casa, mas muitas vezes tenho recaídas e digo para a filha no domingo: “Vamos com o pai visitar umas obras?”.

E a contribuição nos trabalhos domésticos?

Lavo louça eventualmente, cozinho muito. Nos finais de semana é quase sempre eu quem faz a comida lá em casa. Meu negócio na cozinha é meio simplão. Eu gosto de fazer franguinho na panela acompanhado daquela polenta.

XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX

Sardinha ou tubarão?

Não há gênio do tráfego pago da rede social que dê conta de encontrar quem não está lá; se o conteúdo for de excelência pode vir impresso até em papel higiênico

As vésperas de completarmos 27 anos de circulação do Pitoco, compartilho com você leitor (a) algumas percepções. É forçoso constatar que o veículo impresso mantém seu espaço em tempos de proliferação de influencers digitais (alguns deles muito bons, outros difusores de futilidades e desimportâncias). O jornal mantem-se relevante em tempos de celebridades instantâneas nas redes, gente que opina sobre tudo – afinal, o importante é opinar, entender do assunto é opcional.

Da mesma forma que estava errado o prognóstico da morte do rádio pelo advento da TV, também se apresenta equivocada a premissa da morte do impresso pela proliferação do digital. Até porque os jornais tradicionais também operam nas plataformas ofertadas pela internet, somos híbridos e flex, para emprestar termos da indústria automobilística. Portanto, embora imprecisa, a definição “influencer analógico” não fere minha autoestima.

Do ponto de vista editorial a mídia tradicional continua relevante, é profissional, conhece o terreno, mesmo navegando na areia movediça do tempo. Se o conteúdo for de excelência pode vir impresso até no rolo de papel higiênico que certamente terá público. Sob o ângulo comercial, da eficácia na inserção publicitária, vale dizer: no cipoal de mídias disponíveis, todo veículo que faz bem feito, independente da plataforma, terá seu quinhão.

Vou responder pelo meu jornal: temos uma inserção sólida construída ao longo de quase três décadas no eixo Cascavel/Curitiba/Brasília. Não se trata aqui de avaliação quantitativa, e sim qualitativa.

A pergunta é: com quem o anunciante quer conversar? Se é com o segmento “A” de consumo, lideranças políticas, empresariais, dirigentes das cooperativas, profissionais liberais, formadores de opinião como um todo, não irá encontrá-los via stories no Instagram. E por uma razão muito simples: estas pessoas não estão lá. Mas estão no tradicional Pitoco impresso, ou na reprodução do impresso convertido em PDF entregue na comodidade do zap-zap desta clientela vip.

E não há gênio do tráfego pago da rede social que dê jeito de encontrar quem não está lá. Pronto, vendi meu peixe. Como neste oceano há espaço para toda a vasta fauna do mundo da mídia, é apenas uma questão de ajustar sua vara de pescar e escolher se quer fisgar sardinha ou tubarão.

Boas festas, ótimas notícias para você em 2024 e até janeiro.

Por Jairo Eduardo. Ele é jornalista, editor do Pitoco e assina essa coluna semanalmente no Jornal O Presente

pitoco@pitoco.com.br

Copyright © 2017 O Presente