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Reparar o “telhado” em Floripa

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Cascavelenses buscam a Capital catarinense para implante capitalar, onde são hospedados em hotel 5 estrelas; clínica diz ter feito nove mil cirurgias de alta densidade

Floripa é lugar para “chegar pelado e sair peludo”, com todas as mordomias. No detalhe, o nosso Elvis Presley, Chico Menin, personagem autêntico que não tem problema de assumir a vaidade

Procedimento 1) assistentes gentis disponíveis no zap-zap das 8 da manhã às 22 horas agendam o voo e marcam suas passagens para Florianópolis “no melhor preço disponível”; 2) motoristas vão ao aeroporto em veículo executivo buscar o visitante; 3) recebido e hospedado em hotel 5 estrelas, o “convidado” pode curtir as belas praias da capital catarinense.

Agência de viagens? Congresso de médicos, políticos ou magistrados? Não, quem oferece toda esta mordomia é uma clínica de transplante capilar que conquistou inúmeros clientes em Cascavel, de todas as faixas de renda, do porteiro do prédio a ilustres moradores das mansões suspensas da Minas.

A equipe de seis médicos e mais de 60 enfermeiros trabalha freneticamente para “reparar os telhados” dos pacientes. Já são 9 mil procedimentos, segundo site da clínica. A fórmula da hospedagem em paraísos turísticos para chegar “pelado” e sair “peludo” não é nova. A Turquia faz isso com maestria e atrai “aeroportos de mosquito” de todo o planeta conjugando com turismo a coleta de milhares de folículos da área doadora do paciente, inserindo-os em escala industrial fordista nas regiões calvas.

O Pitoco conversou com o porteiro cascavelense e motoboy nas horas vagas que foi seduzido pelas condições de pagamento e mordomias ofertadas em Floripa. Ele investiu R$ 18 mil no procedimento. Curtiu o hotel de luxo, as praias e os privilégios embutidos no pacote. “Fui muito bem atendido”, garantiu ele.

A clínica faz qualquer negócio: aceita carta de crédito de consórcio, parcelas em suaves prestações e utiliza um marketing agressivo concentrado no Instagram, onde mostra “cases de sucesso”, gente que chegou ali com a cabeça brilhante e surgiu de topete e franja meses depois.

A tal “giga sessão” de implante promete ser indolor utilizando microscópios de três dimensões e lâminas de safira. Promete ainda que uma única sessão resolve “para o resto da vida”, diferente de métodos convencionais que pedem até três demoradas intervenções. Ainda segundo o marketing da clínica, o procedimento não deixa cicatriz e a recuperação “é quase instantânea”.

Gente interessada em reparar o telhado não falta: 181 mil pessoas seguem o perfil da clínica no Instagram. A vaidade masculina movimenta muita grana. Se são 9 mil procedimentos, custando em média os R$ 18 mil que o porteiro cascavelense está pagando, estamos falando de um faturamento bruto de R$ 162 milhões em uma única clínica.

OPÇÕES AQUI

Aqui, mais perto, também há opções para “reparar o telhado”. Entre outros profissionais, temos a dermatologista Poliana Borges, o doutor Miguel Bailak e seu robô de implantes e até profissionais do Paraguai, onde o procedimento pode sair por R$ 10 mil. Outra referência no setor está em Foz do Iguaçu, trata-se da dermatologista Bruna.

Um dos pacientes da doutora Poliana é o ex-prefeito de Santa Tereza do Oeste, Chico Menin, que, autêntico e franco, não se incomoda de falar a respeito e elogiar o procedimento. Como ele apresentava área doadora insuficiente, a doutora utilizou fios de barba para complementar o trabalho. Assim, Menin poderá usar ainda quantas vezes quiser o figurino de Elvis Presley, incluindo vastas costeletas, com as quais costuma se apresentar na tradicional festa dos anos 60, evento que promove anualmente.

Um frasista de mão cheia e, até onde se sabe, cabeludo, tem frase histórica para defender procedimentos estéticos: “A vaidade dos outros só vai contra o nosso gosto quando vai contra a nossa vaidade”, disse Friedrich Nietzsche.

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“Exijo lealdade do prefeito Paranhos”

Alecio romperá os grilhões? Para-choque do Paço Municipal ameaça “procurar outros caminhos” se não encontrar lugar na disputa para prefeito

O presidente da Câmara de Cascavel, Alécio Espindola, agendou um pronunciamento para a próxima semana no Legislativo na linha “dá ou desce”.

Ele está indignado com o que considera “indiferença” do Paço Municipal em respeito ao pleito que ele reivindica: um lugar ao sol na chapa executiva das eleições 2024.

“Seis anos sem projeto na gaveta, movimentei os pleitos do Executivo, pus para votar, articulei mesmo os projetos impopulares, fui o para-choque do prefeito, isso não vale nada?”, disse em entrevista ao Pitoco na última terça-feira (5).

Alécio observou que o mercurial Paranhos “trata os vereadores no bico da botina” e que coube a ele, como presidente do Legislativo, colocar algodões entre cristais e apagar incêndios. “É desgastante, toda hora uma labareda diferente, cadê o reconhecimento?”, indagou.

O vereador ameaçou romper com o grupo dominante no Paço “caso a lealdade não seja paga com lealdade”. O rebelado aliado fez uma analogia para “desenhar” a situação em que se encontra:

“Se tenho dois meninos, um deles atende quando mando fazer algo e outro se recusa, me agredindo verbalmente, minha tendência é mandar sempre o bonzinho fazer a tarefa. Cansei de ser o bonzinho. Paguei um preço político por isso. Se não reconhecerem, vou procurar meu caminho”, disse Alecio Espinola.

Em tempo: A foto vem de uma manifestação de Alécio contra a praça de pedágio entre Cascavel e Toledo. E ilustra bem este momento de colisão com Paranhos: romperá os grilhões que o prendem ao padrinho político?

Conhecendo a escola “franguista” de ambos, sabe-se que não faltam jogadas ensaiadas, e que dificilmente deixarão de frequentar o mesmo puleiro.

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Irineo na Faria Lima

Operação de R$ 1,4 bi liderada pelo Santander dá fôlego para a Lar Cooperativa em 2024

A Lar Cooperativa, de Medianeira, reforçou o caixa com R$ 1,4 bilhão de uma operação sindicalizada (empréstimo compartilhado com outros bancos), a maior neste formato, liderada pelo Santander.

O banco desembolsou R$ 300 milhões do financiamento feito via Cédula de Produto Rural, com prazo de quatro anos. O restante veio do Banco do Brasil, Itaú, Daycoval, Bradesco e Rabobank.

“Este é um ano desafiador para o mercado de dívidas e emissões e para grãos e carnes”, diz Caroline Perestrelo, superintendente executiva de Corporate Agro do Santander.

Irineo Rodrigues (foto), diretor-presidente da Lar, explica que a operação deu mais liquidez à cooperativa, alongou a dívida e reduzirá a alavancagem de 3,9 para 3,6 em 2024. (Broadcast Agro – Estadão)

Por Jairo Eduardo. Ele é jornalista, editor do Pitoco e assina essa coluna semanalmente no Jornal O Presente

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