O Presente
Tarcísio Vanderlinde

Busca por sentido

calendar_month 17 de abril de 2026
3 min de leitura

Desde que foi lançado ao espaço em 2021, o telescópio James Webb tem surpreendido cientistas com imagens estonteantes do cosmos. Com capacidade de registrar detalhes em alta definição, o James Webb tem mostrado estrelas nascendo, galáxias colidindo e outras estruturas complexas do universo que estavam além do alcance de qualquer telescópio anterior.

Há muitas indagações sem respostas sobre as imagens que o telescópio tem revelado. O artefato carrega o nome de administrador da NASA, que supervisionou o início da exploração espacial estadunidense, incluindo o Programa Apollo que levou o primeiro homem à lua. Terraplanistas não acreditam nisso. Não saberia dizer se estariam agora acreditando no Programa Artemis, que pretende levar a primeira mulher a pisar o solo lunar.

A cosmologia trata da ordem e da natureza do Universo. As observações da natureza pelos povos antigos eram transformadas em metáforas, com as quais procuravam entender e interpretar seu lugar no mundo, motivação que persiste com o advento do James Webb e outros programas espaciais. Na interpretação milenar das observações, surgiram diversas narrativas para explicar o propósito e a origem da presença humana no cosmos.

No “Enuma Elish”, o mais conhecido mito da criação da Mesopotâmia, representado anualmente nas festas religiosas de ano-novo, o Universo ordenado emergiu de uma luta cósmica entre os deuses. O mito representa vividamente as origens do Universo como uma luta entre o caos e a ordem. No mito, Marduque, o deus da tempestade, derrota Tiamat, dragoa do mar, e do corpo dela cria o Universo. Depois elimina o companheiro dela, o deus Kingu, e do sangue de Kingu cria a humanidade, com o propósito de que ela servisse os deuses. 

O processo de criação da humanidade tem uma versão curiosa em outro mito mesopotâmico: trata-se do “Atra-Hasis”, segundo o qual, Mami, a deusa do nascimento e parteira divina, moldou o barro umedecido pela saliva dos deuses e então o comprimiu em pedaços a fim de parir os humanos do útero da terra. Como no mito anterior, o papel da humanidade era servir os deuses, construindo templos e apresentando-lhes ofertas.

Na teologia egípcia, o deus Ptá concebeu o Universo na mente e o trouxe à existência pela sua palavra criativa. A criação da humanidade, entretanto, é atribuída ao deus-oleiro, Khnum, que moldou o ser humano de barro, manuseando-o numa roda de oleiro e colocando o feto no útero da mãe. Embora no mito egípcio não haver uma expressão clara do propósito da humanidade, existe a afirmação de que, apesar de os seres humanos serem criados com oportunidade iguais para fazer o bem, eles escolheram desenvolver o mal em seu coração.

A cosmologia bíblica trata de fenômenos naturais do ponto de vista de uma cosmovisão monoteísta. As águas primordiais que aparecem no Gênesis, não são difamadas e nem divinizadas. Deus comandou a criação pelo poder de sua palavra, moldando o cosmos de maneira ordenada e governa o mundo com sabedoria.

Sob esta ótica, o ser humano não é uma criatura servil destinada a satisfazer as necessidades de comida e adoração dos deuses. De acordo com a cosmologia bíblica, a humanidade foi criada à imagem de Deus, e destinada à comunhão com ele e a um propósito final de bendições.

Imagem: Aglomerado estelar na Pequena Nuvem de Magalhães capturado pelo telescópio James Webb (Imagem acessável em science.nasa.gov)

Por Tarcísio Vanderlinde. O autor pesquisa sobre povos e culturas do Oriente Médio.

tarcisiovanderlinde@gmail.com

@tarcisio_vanderlinde2023

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