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A previsão de preço da carne bovina no primeiro trimestre de 2020 – por Dilceu Sperafico

(Foto: Divulgação)

A elevação do preço da carne bovina no País pode parecer prejudicial à população, mas era mais do que previsível diante do aumento do dólar e do consumo de alimentos em países populosos, como a China.

Com 1,39 bilhão de habitantes, mesmo com grande extensão territorial, o país nem sempre consegue produzir alimentos para toda a sua população, o que muitas vezes exige a importação de diversos produtos agropecuários.

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A China tem elevado domínio de tecnologia, incluindo a inteligência artificial, mas não conta com potencialidades do agronegócio brasileiro, incluindo fertilidade do solo, topografia e clima favoráveis, recursos hídricos abundantes e vocação de produtores rurais, o que representa uma grande desvantagem para uma nação que aposta no desenvolvimento econômico e humano.

Conforme especialistas, surto de peste suína africana que atingiu boa parte do rebanho chinês, impedindo o consumo de sua carne, foi a principal razão para o crescimento da demanda de proteína animal brasileira entre os asiáticos.

Devido ao problema, a China passou a adquirir carnes de bovinos, suínos e frangos, de todos os países exportadores do mundo. Entre janeiro e outubro de 2019, conforme dados do Ministério da Economia, as exportações de carne bovina do Brasil totalizaram 5,7 bilhões de dólares, valor 7,6% superior ao das vendas do mesmo período de 2018.

Com crescimento das importações de 36,6% no ano, a China se tornou o principal destino das exportações de carne bovina do Brasil, com ampliação das compras em 1,6 bilhão de dólares.

De acordo com especialistas, essa situação deve persistir por, pelo menos, mais três anos na China, pois o resgate da sanidade de seu rebanho suíno e a normalização da produção de carne, demandam tempo e elevados investimentos.

Passado esse período, no entanto, os chineses devem se reequilibrar e reduzir as importações de proteína animal, o que recomenda cautela nos projetos de elevação da produção nacional, pois não existem outros países com a mesma demanda do produto.

Enquanto isso, no entanto, os brasileiros terão de continuar convivendo com as alterações dos preços, especialmente da carne bovina, que é a preferida dos consumidores nacionais, especialmente nos tradicionais churrascos de final de semana.

É o reflexo da lei da oferta e da procura, pois se a demanda externa cresce, em período do dólar com cotação elevada, automaticamente os frigoríficos exportadores nivelam os preços para a venda de seus produtos, incluindo o mercado interno. Menos mal é que neste final de ano devem se manter estáveis os preços das chamadas aves natalinas, pois os estoques já foram comprados pelos supermercados.

Os preços da carne bovina não devem cair ou se estabilizarem nas próximas semanas, pois o mercado só espera reversão do atual quadro a partir do primeiro trimestre de 2020.

Enquanto isso, estabelecimentos comerciais, especialmente do Centro-Sul do País, sofreram quedas de até 35% nas vendas de carne bovina, pois o crescimento das exportações e a entressafra da pecuária nacional, pressionaram a elevação dos valores de cortes bovinos neste final de ano.

Conforme especialistas do mercado, no Centro-Sul do Brasil os maiores reajustes nos preços dos cortes bovinos foram registrados na picanha, com elevação média de 59,5%; no filé mignon, com 49,3%; e na alcatra, com aumento de 44,4%.

 

*O autor é ex-deputado federal pelo Paraná e ex-chefe da Casa Civil do Governo do Estado

dilceu.joao@uol.com.br

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