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Com pesquisa pioneira, médica rondonense tem estudo aprovado em congresso mundial

Ginecologista, obstetra e ultrassonografista Patricia Brum deu vida a um trabalho pioneiro na área da reprodução humana: “É um novo campo que se abre para estudos” (Foto: O Presente)

 

A Medicina está em constante evolução e a cada dia novas descobertas são feitas. Com isso, grandes cenários ainda pouco desbravados começam a ganhar espaço e atenção. A exemplo disso tem-se a relação da Psicologia com a maternidade que, apesar de já estudada, parece ganhar novos contornos ao passo que estudos promissores são desenvolvidos por médicos e especialistas.

O compartilhamento de emoções entre mãe e bebê no período gestacional é um fato comprovado e de amplo conhecimento, mas foi nesse meio que uma médica rondonense encontrou um novo vínculo que pode influenciar diretamente no desenvolvimento da criança e o transformou em um estudo de caso.

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Ginecologista, obstetra e ultrassonografista, Patricia Brum deu vida a uma proposta de trabalho baseada na possibilidade de mudanças da posição fetal através das emoções maternas. A partir disso, em conjunto com a professora e fisiologista Claudia Ota e o fundador da Sociedade Brasileira de Inteligência Emocional, Rodrigo Fonseca, nasceu a pesquisa concreta intitulada de “Mudança na posição fetal através das emoções maternas: experiência de inteligência emocional”.

Destaque na área, o trabalho foi reconhecido em nível mundial e será apresentado em formato de pôster e micro-conferência no 18º World Congress of the Academy of Human Reproduction, a ser realizado entre os dias 03 e 06 de abril em Dublin, na Irlanda. O evento tem por objetivo permitir a troca de conhecimentos entre cientistas e médicos que trabalham na área de reprodução humana.

 

O começo

Em 2018, Patricia foi a São Paulo participar de um curso de especialista emocional na sede da Sociedade Brasileira de Inteligência Emocional (SBie). Lá ela conheceu o presidente da entidade, Rodrigo Fonseca, responsável também pelos cursos, e Claudia Ota, que é diretora científica do Departamento Científico da SBie. “Foi a primeira vez que eu ouvi falar sobre origem fetal, através de um livro de uma jornalista americana que relatou na obra as últimas duas décadas de pesquisa relacionada a essa ligação intensa entre mãe e bebê. Eu, como obstetra, nunca tinha ouvido falar disso e fiquei muito interessada”, relata Patricia.

Durante o curso, a rondonense conheceu ainda mais sobre a ligação emocional entre mãe e feto, indo além da sua prática clínica. “Percebi que não se trata apenas de uma ligação física, que é o que estudamos. Por prática clínica eu sempre vi que as questões emocionais influenciam na psicopatologia, em doenças relacionadas de fundo emocional, medo do parto, ainda mais com relação ao parto cesariano”, diz.

E o medo do parto, para Patricia, vai além dos relatos de suas pacientes. É uma experiência real. “Quando eu estava grávida da minha primeira filha estava fazendo estágio em Obstetrícia e ainda não tinha escolhido minha especialização. Durante os estágios eu presenciei muito a questão de violência obstétrica. Mas na época ainda não se falava nisso. Era uma conduta médica”, comenta.

Conviver com essa realidade trouxe para a rondonense o medo do parto. “Durante a minha gravidez eu conversava muito com a minha filha e pedia para ela ficar sentada porque eu queria um motivo para fazer cesariana e não precisar passar por aquela violência que eu presenciava. E ela nasceu sentada”, destaca a médica.

Foi então que ao ouvir sobre origem fetal e a ligação emocional entre mãe e bebê que Patricia se lembrou da sua experiência pessoal e resolveu investir na ideia de pesquisar mais sobre esse vínculo na gestação. “Eu procurei a Claudia e falei que era obstetra e ultrassonografista e que queria fazer um trabalho que demonstrasse essa ligação emocional, mas de uma maneira palpável, que a gente consiga ver, além do que vem mostrando as últimas décadas de estudo, por exemplo, de fetos que sorriem ao ouvir música, que choram, se assustam etc. Queria algo que eu pudesse documentar”, afirma.

A rondonense sugeriu fazer a seleção de algumas pacientes e a partir disso um estudo sobre o assunto começou a ser desenhado.

 

Trabalho

Durante seu trabalho, Patricia selecionou algumas pacientes, todas rondonenses, que mostravam em suas ultrassonografias que o bebê estava sentado e ofereceu a elas a oportunidade de fazerem parte do projeto como voluntárias. “Tínhamos seis pacientes de bebês sentados. Dividimos o trabalho em bebês que estavam com o cordão umbilical enrolado e os que estavam sentados”, comenta.

A partir disso, a médica verificava a posição do bebê durante a ultrassom e oferecia à paciente fazer um relaxamento e uma ressignificação, passos que foram montados e descritos pelo próprio Rodrigo Fonseca. “O relaxamento não tem nenhum risco para a paciente. As colocávamos em uma posição através da cadeira, com todo cuidado com a parte física e emocional da paciente, e aplicávamos apenas esse relaxamento com uma música de fundo e falando palavras de ordem positiva para a gestante”, explica.

Após a consulta, a paciente levava a descrição do relaxamento para casa para que desse continuidade ao processo. Após 24 ou 48 horas ela retornava ao consultório para que a médica verificasse novamente a posição do bebê. “Dessas seis pacientes, quatro viraram apenas com relaxamento”, comemora Patricia.

Com resultados positivos, Patricia, Claudia e Rodrigo optaram por enviar o trabalho para aprovação no Congresso Mundial de Reprodução Humana. “Fiquei apaixonada, fascinada quando teve o aceite. É um novo campo que se abre para estudos”, frisa a rondonense, agradecendo a todas as pacientes que colaboraram com a pesquisa. “Elas, assim como eu, não tinham ideia da dimensão que isso ia tomar”, pontua.

Segundo a rondonense, que também é parapsicóloga, especialista emocional e coach, o trabalho é pioneiro no Brasil. “Não conheço nenhum outro relato e a maioria dos trabalhos são fora dessas reações fetais, até porque não é comum essa união da inteligência emocional, parapsicologia e hipnose com obstetrícia. É algo que está começando”, observa.

 

Novo estudo

Após a apresentação do projeto no congresso em Dublin, a intenção é desenhar um novo estudo com casuística maior. “Me interessei não somente pela questão da obstetrícia, mas também pela parte científica de provar que existe essa ligação entre mãe e feto e estudar se ela é só bioquímica, hormonal, como ocorre e por que os pensamentos da mãe foram capazes de virar um bebê. Isso ainda é um estudo a se fazer”, finaliza.

 

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