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Marechal Criativas e viáveis

Lives se consolidam no meio artístico; músicos rondonenses falam das expectativas pós-pandemia. Confira

(Foto: Rafael Sturm)

Família reunida, um aperitivo, uma bebida, um lugar para se sentar ou para dançar, porque hoje o show acontece em casa! Desde o início da pandemia de Covid-19, as pessoas se depararam com uma comodidade pouco antes vista: ter o artista dentro de suas próprias casas, atendendo a pedidos, trocando cumprimentos e com muita interação nas mídias sociais.

Se antes o espectador tinha de se adiantar para conseguir um lugar com visão privilegiada nos palcos dos shows, as lives possibilitam que ele veja tudo, de todos os ângulos, como uma experiência completa da apresentação, mas, via internet, é claro.

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Como a experiência deu super certo, os artistas investem e inovam cada vez mais em suas transmissões. Equipes de filmagens, parcerias e outras particularidades garantem que o público continue prestigiando com intensidade, mais até do que nas primeiras transmissões, possibilitando um verdadeiro show de criatividade.

 

GRANDE VALIA

“As lives foram importantíssimas para o desenvolvimento da cultura e do entretenimento e de grande valia para as pessoas nesse momento. Os músicos assistem à reprise de suas transmissões e avaliam questões técnicas com necessidade de aprimoramento”, declara Bill Vox, cantor conhecido em Marechal Cândido Rondon e região.

O músico realizou algumas lives, mas todas até então com o objetivo de entreter, a grande maioria sem patrocínios envolvidos. “Fiz apenas uma live com patrocinadores, uma grande produção. O cantor não precisa fazer essas apresentações a todo momento, o meu intuito sempre foi levar música boa e entretenimento às pessoas”, menciona. “Sou otimista e me coloco na realidade que se apresenta. Sei que o público continua com admiração à nossa classe”, acrescenta.

 

Bill Vox em live realizada no dia 07 de junho: “O cantor não precisa fazer essas apresentações a todo momento, o meu intuito sempre foi levar música boa e entretenimento às pessoas” (Foto: Divulgação)

 

CRIATIVIDADE E VIABILIDADE

Elaine Bueno, vocalista da Full Rocker, conta que a banda fez cinco lives até o momento, a sexta deve acontecer neste fim de semana. Na percepção da cantora, as transmissões continuam tendo alcance, como ocorreu desde as primeiras realizações, influenciadas, em partes, pelo veículo em que é divulgada. “As lives estão tendo um fomento criativo muito maior, até mesmo pela maior quantidade que se tem agora. Você precisa ter uma transmissão atrativa, principalmente se outras estiverem acontecendo simultaneamente”, avalia.

Para a vocalista, uma transmissão de qualidade deve ser muito bem planejada, buscando meios de garantir viabilidade. “Primeiro é pensar em como viabilizar a sua live para ter equipe de filmagem, um salão legal e assim atrair o público. Tudo isso é uma troca comercial, pois é preciso de patrocínio para acontecer. Com os produtos expostos, você consegue pagar os custos e tirar um lucro mínimo para os músicos”, expõe, informando que nem sempre essas apresentações são lucrativas como as presenciais. “O retorno financeiro é possível pensando nesses patrocinadores que cobrem gastos e músico. É trabalhado com um corte mínimo, mas, às vezes, ela pode render mais, dependendo do chapéu virtual. Não é ganhar dinheiro, mas se manter”, pontua.

A artista diz que as previsões em termos de apresentações presenciais ainda estão um pouco “nubladas”. “Alguns eventos marcados para o segundo semestre se mantêm marcados, mas temos que esperar. A expectativa é de que em outubro ou novembro tudo volte ao normal, mas não sabemos com certeza”, opina.

Quando o assunto é mudanças no público, a vocalista afirma que essa relação já tem se transformado. “É um momento mais carinhoso, de mais proximidade”, observa.

Elaine Bueno, vocalista da Full Rocker: “As lives estão tendo um fomento criativo muito maior, até mesmo pela maior quantidade que se tem agora. Você precisa ter uma transmissão atrativa, principalmente se outras estiverem acontecendo simultaneamente” (Foto: Rafael Sturm)

 

APOIO DE EMPRESAS

A dupla rondonense Ball e Wagner contabiliza seis lives nestes cerca de 120 dias de pandemia. Para os músicos, as lives são viáveis e servem para que haja uma maior interação com o público. “O retorno financeiro não é nem aproximado do que a gente ganhava com os eventos antes da pandemia, mas é uma forma de amenizar os prejuízos. Temos muito apoio do comércio e empresas da cidade que de alguma forma ajudam a manter nossa renda”, enaltece Wagner Justino, emendando: “Esperamos que em um ou dois meses tudo se normalize, senão, não só para a nossa área, o prejuízo será incalculável”.

Ele salienta que a pandemia mudou o modo de ver muitas coisas já cristalizadas no meio cultural. “Nós tivemos que nos reinventar. Nosso público ficou mais exigente na questão de apresentações e repertório”, relata.

Ball e Wagner aproveitaram o momento de pausa na agenda e gravaram a música “Bebo Todas”, já tocando nas rádios da região.

Ball e Wagner: “O retorno financeiro não é nem aproximado do que a gente ganhava com os eventos antes da pandemia, mas é uma forma de amenizar os prejuízos. Temos muito apoio do comércio e empresas da cidade que de alguma forma nos ajudam a manter nossa renda” (Foto: Divulgação)

 

COMPENSAR O TEMPO PERDIDO

Gustavo Konieczniak, vocalista da Storehouse Rock Jam, acredita que o retorno das atividades de entretenimento será pautado por dois aspectos diferentes. “Vai haver um lado de medo, que vai permanecer na população em frequentar lugares públicos, com aglomerações, e vai haver outra parte bastante esperançosa com o controle da Covid-19. Penso que depois que tiver vacina parte da população vai querer compensar o tempo perdido, aproveitando melhor”, prevê.

Sem depender financeiramente da música, a Storehouse realizou uma live no início da pandemia a fim de angariar recursos para a conclusão do álbum da banda. “Assumimos o procedimento masterização e mixagem das músicas e o lançamento deve atrasar um pouco. Enquanto isso, vamos trabalhando em novas produções, como o projeto acústico”, relata Gustavo.

O grupo participou da campanha beneficente do Dia C, realizada pela Associação Comercial e Empresarial de Marechal Rondon (Acimacar) e Sicredi, e fará uma live pelo aniversário do município, neste sábado, dia 25 de julho.

De acordo com o vocalista, a banda deve realizar mais lives, mas, segundo ele, o grupo acredita que não retorna aos palcos presencialmente neste ano. “Acho que no retorno o público vai se comportar diferente, manter mais a higienização. Por mais que exista a vacina futuramente, o fator psicológico não deixará as pessoas tão descuidadas, talvez até procurarão lugares menos movimentados”, opina.

Storehouse Rock Jam marca presença em live pelo aniversário de Marechal Rondon neste sábado (25) (Foto: Divulgação)

 

“SEM COMPARAÇÃO”

A dupla Dalton e Lucas, que realiza lives duas vezes ao mês, garante que o público aumenta a cada apresentação. “Já fizemos seis transmissões ao vivo até agora e o acompanhamento cresceu”, ressaltam.

Para Lucas, as lives são uma verdadeira reinvenção do meio cultural. “Mesmo depois da pandemia elas não devem parar, porque é um meio de divulgar o trabalho de muita gente e de muitas empresas”, opina o cantor, observando que a remuneração virtual não é a mesma da presencial.
Um ponto que diferencia as apresentações, afirma Lucas, é o contato com o público. “Sem comparação, não é a mesma música: cantar para o público e para as câmeras é muito diferente. Sentimos saudades”, lamenta.

A dupla ressalta que ninguém havia imaginado as proporções que a pandemia tomaria e, em decorrência, muitos dos hábitos adquiridos devem permanecer. “Acredito que os espaços vão manter o cuidado com a higienização. Após esse período, muita coisa vai ser diferente. Nossa estimativa é de que no começo de outubro podemos voltar a trabalhar 100%”, projeta.

Dalton e Lucas realizam lives duas vezes ao mês: “Sem comparação, não é a mesma música: cantar para o público e para as câmeras é muito diferente. Sentimos saudades” (Foto: Divulgação)

 

MÚSICA EM ESTABELECIMENTOS

Alguns bares, restaurantes e lanchonetes voltaram à ativa, com medidas restritivas, menos pessoas frequentando e restrições de horário. Contudo, aqueles que outrora contavam com música ao vivo hoje estão receosos em oferecer esse atrativo para os seus clientes. “Aqueles empresários que voltaram a proporcionar música ao vivo fizeram um entendimento com os artistas sobre o cachê, devido ao público reduzido”, conta Bill Vox.

Lucas pontua que a reabertura é uma questão delicada por si só. “A gente procura dar uma força para nossos parceiros, mas se torna complicado. Não pode haver aglomeração e a música é um grande atrativo de pessoas nesses espaços”, salienta.

A Full Rocker realizou algumas apresentações presenciais nesta retomada, tomando todos os cuidados e prevenções. “Fizemos uma publicação sobre essa apresentação ao vivo e algumas pessoas nos procuraram para saber onde seria a live, mas nós estávamos ao vivo mesmo. As pessoas têm essa comodidade agora, querem ver o artista a qualquer momento”, enfatiza Elaine. Ela diz que os bares devem voltar a investir com força em música ao vivo só no fim da pandemia.

Ball, da dupla com Wagner, conta que os dois também já tiveram um trabalho presencial com público nessa retomada. “O pessoal começou a movimentar a agenda, estamos vendo uma luz no fim do túnel”, comemora.

 

AUXÍLIO PARA ARTISTAS

A Lei Aldir Blanc 14.017/2020, em nível federal, estabeleceu uma ajuda emergencial para o setor cultural, haja vista as dificuldades enfrentadas nessa pandemia. Por meio dessa legislação, artistas que viviam da música têm direito a receber o auxílio emergencial.

Dentre os artistas entrevistados nesta matéria, alguns desconheciam o voucher e outros não dependem exclusivamente da música, logo, não estão inclusos nas especificações. “Querendo ou não, tivemos nosso emprego interrompido. Para manter nossas contas em dia, tivemos que pegar, sim, esse recurso”, menciona Lucas.

 

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