Copagril
Marechal Alerta

Risco de acidentes com animais peçonhentos aumenta no verão

 

O calor chegou com tudo e desde o início do verão os termômetros continuam emplacando temperaturas recordes em Marechal Cândido Rondon e região. A estação também é caracterizada pelas pancadas de chuva e, com elas, algumas preocupações começam a incomodar a população. Uma é o aparecimento de maior quantidade de animais peçonhentos, como cobras, aranhas e escorpiões, especialmente em áreas de encosta, com matagais e nas zonas rurais.
O verão é uma época em que esses animais costumam se proliferar e ficar mais ativos. De acordo com o setor de Vigilância Sanitária de Marechal Rondon, 2018 foi um ano atípico e a presença de escorpiões foi frequente em diversos pontos da cidade. Inclusive, em alguns casos foram encontrados mais de um escorpião em apenas uma propriedade na área central do município.
Em um patamar geral, 53 acidentes envolvendo escorpiões foram registrados no ano passado nos 18 municípios que compõem a 20ª Regional de Saúde de Toledo. O município que registrou o maior número foi Assis Chateaubriand, com 31 casos, seguido de Guaíra, com 15, e Marechal Cândido Rondon e Palotina, com três.
O aparecimento de animais peçonhentos nas casas neste período de calor intenso é comum, pois eles geralmente se escondem em telhas, entulhos e lixos. Com as chuvas, estes abrigos se enchem de água e eles buscam outro lugar para ficar, no caso o interior dos imóveis. “O escorpião é um animal de deserto, então quanto mais quente, mais fácil ele vai sair do esconderijo dele. Por conta do calor, os próprios insetos saem mais de seus esconderijos e o escorpião também sai para caçar. Lembrando que ele é um animal com hábitos mais noturnos, então o risco de se ter um acidente com um animal peçonhento como ele é maior à noite”, declara o diretor do departamento de Vigilância em Saúde de Marechal Rondon, Jesael Ricardo dos Reis.
De acordo com ele, os relatos de aparecimento de escorpiões tiveram uma demanda maior a partir da metade do ano passado. “Muitas pessoas nos procuraram devido ao escorpião-preto, que é comum em nossa região. Quando falamos que é comum, as pessoas costumam se assustar por se tratar de um escorpião, mas essa espécie não é venenosa e a nossa região é propícia para ele”, destaca.
Escorpiões amarelos (Tityus serrulatus), principal espécie que causa acidentes graves com registro de óbitos, também foram encontrados no município. O animal possui hábitos domiciliares e, por isso, o contato com os seres humanos gera, em caso de picadas, um elevado número de acidentes. “Inclusive tivemos uma situação na cidade onde fizemos uma busca in loco, vistoriando várias casas da região central. Era uma região isolada. Na época a gente até divulgou e a partir disso muitas pessoas entraram em contato dizendo que havia escorpiões em suas casas e que era do amarelo, mas fomos até esses locais e constatamos se tratar do escorpião-preto”, diz.
Na primeira busca realizada foram localizados em torno de dez espécimes somente em residências no centro do município. “Recolhemos essas espécimes e encaminhamos para análise no laboratório de Curitiba para ver de qual espécie estávamos tratando. Todos os indivíduos pertenciam à mesma espécie, que é o amarelo, e, infelizmente, é um dos mais perigosos que existem”, revela o diretor de Vigilância em Saúde.
A região onde os escorpiões foram encontrados continua sendo monitorada. “Começamos em uma propriedade, mas como se expandiu a gente fez a busca em todo o quarteirão e ampliamos, a princípio, para os quarteirões próximos, mas como não encontramos nenhuma espécie e os vizinhos não relataram o aparecimento, focamos mais no local do aparecimento, mantendo sempre as vistorias naquelas residências”, explica Reis.
Como os escorpiões foram encontrados em áreas residenciais, os moradores foram informados pelos agentes da Vigilância Sanitária e Endemias. “Informamos que infelizmente poderiam ser encontrados mais espécimes por serem animais que acham esconderijos de forma muito fácil, por conta do tamanho deles. Próximo ao fim do ano fizemos mais uma busca e agora para esse início de ano temos mais uma busca programada. Na segunda busca a gente encontrou apenas duas espécimes e poucos dias depois um morador da área central recolheu mais uma espécie e trouxe até a Vigilância”, relata.
Conforme o rondonense, as buscas são realizadas como forma de evitar que os animais se expandam e consigam um território grande. “Podemos dizer que vamos acabar com isso (escorpiões)? Não se sabe, porque ele é um animal que se esconde, principalmente no período diurno, e nós fazemos a busca in loco, ‘revirando’ realmente as propriedades, lixos, tijolos entulhos para buscar e ver se encontramos algum animal”, menciona.

Escorpiões amarelos (Tityus serrulatus), principal espécie que causa acidentes graves com registro de óbitos, têm incidência maior na área central de Marechal Rondon (Foto: Divulgação/Vigilância Sanitária)

 

 

Adaptados ao ambiente

O escorpião-preto (Tityus bahiensis), de acordo com o diretor de Vigilância em Saúde, é característico em todo o município, sendo encontrado tanto na região central, como nos bairros. “Como o próprio nome diz, a cor dele é bem característica e também é menor que o escorpião amarelo. A população não deve se preocupar. Ele não é venenoso, mas é preciso cuidar com a manipulação. Pedimos para que em casos de necessidade procurem a Vigilância Sanitária. Estamos à disposição para passar informações e demonstrar tudo isso”, reforça.
Reis pontua que o escorpião-preto é um animal de jardim, optando por ficar em cascas de árvores e ambientes mais úmidos. “É o propício para ele”, cita. Já o escorpião amarelo prefere ambientes mais secos. “As partes internas das propriedades são perfeitas para eles, por isso o cuidado precisa ser redobrado”, frisa.
Ele explica que, geralmente, a presença de um escorpião pode indicar que mais animais da mesma espécie estão no local, em especial se houver alimento para eles. “A orientação não é matar o animal, mas tentar aplicar as regras de prevenção. Se a pessoa quiser capturá-lo, deve fazer com todo o cuidado possível ou acionar a Vigilância Sanitária”, aconselha.

Controle e prevenção
Reis destaca que os escorpiões encontram esconderijos muito facilmente e para evitar contato e o consequente risco de picadas o recomendável é manter esses animais longe das residências. “Para diminuir a incidência é necessário que ele (escorpião) não encontre ali um local seguro, e para isso duas situações são principais: manter o terreno limpo, já que ele precisa de local para se esconder, e alimento, tendo em vista que outros animais vivem nesses ambientes, como as baratas, das quais os escorpiões se alimentam”, expõe.
Muitas pessoas procuram veneno para escorpião, mas infelizmente isso não existe. “Há alguns venenos no mercado que até colocam no rótulo que matam escorpião, mas não é verdade. O que favorece é dedetizar o terreno e acabar com o alimento dele. Se ali ele não encontrar alimento e esconderijo, vai procurar outro local para ter essa área propícia”, lembra, acrescentando: “Se os moradores mantiverem seus terrenos limpos e dedetizados para que não haja baratas e insetos, a probabilidade de encontrar escorpiões ou qualquer outro tipo de animal peçonhento, como cobras, é bem menor”, emenda.
Já a ideia de colocar galinhas nos quintais para diminuir o aparecimento de escorpiões não é muito prática, afirma o diretor de Vigilância em Saúde. “A gente vê e ouve relatos de pessoas que fazem isso, mas o que acontece é que a galinha mata o escorpião por curiosidade, porque é um animal pequeno e que se mexe. Encher o pátio de galinha não é ter um predador que vai acabar com os escorpiões ou algo nesse sentido, porque ela não come o escorpião. Além disso, se houver muitas galinhas no pátio a pessoa vai ter problema com a Vigilância por conta da legislação ambiental”, salienta.

Mais perigo
O calor intenso é desgastante para os animais na mesma medida em que é para o ser humano. Como consequência, eles precisam de mais água e locais para se refrescar. “Moradores próximos a matas têm que ter muito cuidado, principalmente com répteis, porque as cobras nesse período saem em busca de lugares onde possam se refrigerar. Muitas vezes elas saem do mato, entram em uma propriedade rural, encontram o calor fadigante e entram nas residências para procurar um local mais fresco”, menciona Reis.
Ele diz que o período de maior incidência dos animais peçonhentos, na primavera e no verão, está ligado aos hábitos de vida dos bichos. “Não é por acaso e está totalmente ligado à forma de vida do animal. Eles ficam entocados no frio, porque as baixas temperaturas diminuem a possibilidade de encontrar alimentos”, argumenta. “Com o calor, serpentes e escorpiões começam a ter o metabolismo mais acelerado e saem mais”, acrescenta.
As cobras e os escorpiões são os animais que mais mudam seus hábitos por conta das altas temperaturas. Além disso, o clima quente aumenta o risco porque os filhotes de serpentes nascem nos dias de maior calor. Em 2018, muitas cobras foram levadas até a Vigilância Sanitária, mas nenhuma venenosa e de alto risco. O mesmo aconteceu com as aranhas, que em sua maioria eram as chamadas aranha de jardim e de madeira. “Quando recebemos esses tipos de animais logo encaminhamos para o Lacen (Laboratório Central do Estado do Paraná) para, após análise, dizer se o animal é ou não venenoso”, explica Reis.

Diretor do Departamento de Vigilância em Saúde de Marechal Rondon, Jesael Ricardo dos Reis: “Se os moradores mantiverem seus terrenos limpos e dedetizados para que não haja baratas e insetos, a probabilidade de encontrar escorpiões ou qualquer outro tipo de animal peçonhento é bem menor” (Foto: O Presente)

 

 

Peixes peçonhentos

Acidentes com peixes peçonhentos são mais frequentes do que se imagina, e tão ou mais graves quanto os ocorridos com cobras e escorpiões. Os mais perigosos são: niquins (Thalassophryne nattereri), bagres (Cathrops spixii e Genidens genidens), peixes-escorpião (Scorpaena plumieri e Scorpaena brasiliensis) e arraias (gênero Potamotrygon). Diferentes de peixes venenosos, os peixes peçonhentos possuem um aparato que permite injetar seu veneno no organismo de outro animal, como os ferrões e espinhos.
O assunto é base para um projeto desenvolvido desde o ano passado pelos municípios lindeiros da 20ª Regional de Saúde (Marechal Cândido Rondon, Mercedes, Pato Bragado, Entre Rios, Guaíra e Santa Helena), através da Secretaria Estadual de Saúde. A ação se baseia no diagnóstico das espécies nocivas, com veneno, visando à prevenção de acidentes especialmente com os pescadores da localidade, além de orientações sobre manejo dos mesmos. “Quando a pessoa é ferroada ou atacada por esses animais acaba tendo um machucado de difícil tratamento, porque no ferrão há muitas bactérias que geram feridas e infecções com um difícil processo de cicatrização”, informa o diretor de Vigilância em Saúde de Marechal Rondon.
Segundo Reis, um trabalho realizado com pescadores profissionais da região mostrou que 80% deles já sofreram acidentes com peixes peçonhentos, mas em nenhum dos casos foi feita a notificação. “Isso porque na hora em que eles procuram atendimento médico, e nem são todos que procuram, acabam não relatando como foi esse acidente. Às vezes relatam, mas o profissional de saúde não faz a notificação, o que dificulta um pouco o nosso trabalho”, destaca.
Nos próximos dias, cartazes e panfletos serão distribuídos no distrito de Porto Mendes por conta do grande número de banhistas que frequentam o parque de lazer, e também na área urbana de Marechal Rondon. “O alerta também vale para quem costuma tomar banho em rios, onde há peixes com ferrões”, lembra.
O diretor de Vigilância em Saúde também pede para que quando houver um acidente com animal peçonhento, seja ele qual for, se faça a notificação para as equipes procederem com a investigação. “As pessoas precisam ter um trabalho de cuidado redobrado com as arraias, principalmente no Lago de Itaipu e prainhas da região. Se for picado, faça a notificação do acidente para a gente poder fazer buscas e acompanhar o caso”, aconselha.

Projeto busca diagnosticar espécies nocivas de peixes, com veneno, visando à prevenção de acidentes especialmente com pescadores da região. Na foto, um peixe bagre retirado das águas do Lago de Itaipu em Porto Mendes (Foto: Divulgação/Vigilância Sanitária)

 

(O Presente)

TOPO