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Marechal Produtividade em "jogo"

Risco de geada na próxima semana preocupa agricultores de Marechal Rondon e região

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(Foto: Sandro Mesquita/OP)

Depois de tantos contratempos nas últimas safras ocasionados pela longa estiagem, profissionais da área agronômica e agricultores da microrregião de Marechal Cândido Rondon estão otimistas com a safra de milho que deve começar a ser colhida no início de junho.

A expectativa positiva dos produtores acompanha a estimativa do 8º Levantamento da Safra de Grãos divulgado na quinta-feira (12) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Para o milho segunda safra é esperada uma produção total de 116,19 milhões de toneladas no país, elevação de 33,4% em comparação com a safra 2020/2021. No Paraná, a produção final é estimada em cerca de 16 milhões de toneladas.

 

Clima favorável

Segundo o produtor rural Cesar Luiz Petri, o clima está colaborando com o milho safrinha este ano, afinal, a chuva veio no volume certo e no momento propício para o desenvolvimento correto da planta. “O clima está sendo ideal para o milho até o momento”, afirma Petri.

O agricultor planta em uma área de 24 alqueires no distrito de Margarida, interior de Marechal Rondon. Segundo ele, o cenário neste ano é totalmente diferente do vivenciado no ano passado. “De forma geral, foi possível plantar mais cedo e até o momento tudo está correndo conforme o esperado”, destaca.

 

Semeado no período certo

Petri conta que semeou a maior parte da área no final de janeiro e o restante, cerca de nove alqueires, no fim de fevereiro. “O milho que foi plantado antes está praticamente garantido em relação às intempéries, como seca ou geada”, menciona.

No entanto, as lavouras plantadas no fim de fevereiro ainda dependem do clima para apresentar uma boa produtividade. “Essas ainda precisam de chuva e muita torcida para que não venha geada de forma alguma”, ressalta.

Agricultor Cesar Luiz Petri: “O milho que foi plantado no fim de fevereiro ainda não está desenvolvido o suficiente para suportar uma geada. Se isso acontecer a perda pode ser grande” (Foto: Divulgação)

 

Previsões climáticas

Apesar da torcida por parte dos agricultores de Marechal Rondon e microrregião, as previsões do tempo não são boas para os próximos dias.

De acordo com o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), uma intensa onda de frio que avança sobre a região Sul do país vai provocar queda acentuada de temperatura sobre no Estado. “Devemos ter geada de intensidade moderada a forte para a próxima semana em algumas áreas do Paraná”, aponta o meteorologista do Simepar, Paulo Barbieri.

O frio mais intenso está previsto a partir de terça-feira (17), mas principalmente entre quarta (18) e quinta-feira (19).

Além de geada, inclusive em áreas do Sudeste e Centro-Oeste do país, há possibilidade de neve em alguns pontos da região Sul. Vários recordes serão registrados neste período.

A frente fria virá acompanhada de um ciclone extratropical, que vai ficar parado por vários dias no oceano, e um por uma intensa massa de ar polar que será a responsável por derrubar as temperaturas de forma bastante expressiva.

Desafios

A geada representa um risco eminente para os agricultores, pois caso ocorra nos próximos meses, muitas lavouras podem ser afetadas, especialmente em áreas onde o milho foi semeado no fim de fevereiro e início de março. “Se por uma fatalidade essas lavouras forem atingidas por geadas mais severas, a produtividade deve cair”, afirma o engenheiro agrônomo Genésio Seidel, especialista em fertilidade e nutrição mineral de plantas e gerente da unidade de Quatro Pontes da Cooperativa Agroindustrial Copagril.

Conforme Seidel, a estiagem que prejudicou a última safra de soja e obrigou os produtores a realizarem a colheita da oleoginosa antes do tempo possibilitou o plantio antecipado do milho safrinha. “As áreas plantadas nos dois primeiros meses do ano estão com o grão em fase final de formação”, comenta.

Apesar das baixas incidências observadas nas safras de 2021, a ausência de manejo, aliada a plantas de milho tiguera, contribuiu para que a população da cigarrinha do milho (Dalbulus maidis) aumentasse significativamente (Foto: Divulgação)

 

Enfezamento

Além das intempéries climáticas, os agricultores precisam se preocupar também com a elevada incidência de enfezamentos nas plantações de milho.

De acordo com Seidel, o grande desafio dos agricultores em relação ao milho safrinha é o controle de pragas nas lavouras. “Principalmente a cigarrinha do milho, que pode trazer grandes prejuízos na qualidade dos grãos e acabamento de planta, podendo chegar a perdas que podem superar 50% na produtividade”, salienta.

O agrônomo diz que a maioria dos produtores entenderam que havia a necessidade de realizar um manejo diferenciado com o uso de produtos adequados, de tecnologias e monitoramento das pragas. Segundo ele, o custo desse tipo de manejo é alto, tendo em vista que geralmente é preciso repetir a aplicação por conta da reinfestação da praga. “Existem casos de agricultores que precisaram fazer até 12 aplicações na mesma cultura”, menciona. “Em áreas onde não foi feito um manejo eficaz para controlar a cigarrinha os prejuízos já são visíveis”, afirma.

A doença é transmitida pela cigarrinha do milho (Dalbulus maidis), que, quando se alimenta de plantas contaminadas, adquire a doença e a dissemina para as plantas saudáveis.

Os sintomas podem ser verificados principalmente na fase reprodutiva da cultura, quando observam-se folhas amareladas ou avermelhadas, presença de multiespigas no colmo, acamamento de plantas e má desenvolvimento das espigas e grãos causando sérios prejuízos na produtividade da cultura.

Em áreas onde não foi feito um manejo eficaz para controlar a cigarrinha os prejuízos já são visíveis (Foto: Divulgação)

 

Genésio Seidel, engenheiro agrônomo da Cooperativa Agroindustrial Copagril: “Acredito que teremos uma safrinha boa, apesar de todas as dificuldades encontradas ao longo do ciclo” (Foto: Divulgação)

 

Reunião técnica

Em razão do aumento de casos de cigarrinha do milho na safrinha de verão, a Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) realizou ontem (13) uma reunião técnica sobre os enfezamentos do milho em Marechal Cândido Rondon. O objetivo foi orientar os produtores rurais, técnicos e agrônomos quanto ao manejo correto do problema fitossanitário, reduzindo assim o uso de inseticidas para o controle do inseto vetor, a cigarrinha.

 

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