Marechal Máquinas paradas

Sem eventos, ramo da alfaiataria dribla desafios

(Foto: O Presente)

No mercado há quase 60 anos, a Reichert Confecções, de Marechal Cândido Rondon, viu as bases do negócio tremerem diante dos impactos da pandemia. Sem casamentos, premiações, formaturas e outros eventos acontecendo, os trajes sociais, elegantes e, muitas vezes, sob medida ficaram reclusos ao guarda-roupa ou nem sequer saíram dos cabides da loja.

À frente do empreendimento da família, o empresário Carlos Reichert praticamente nasceu ali e viu a loja se desenvolver ao longo dos anos, adentrando mercados e conquistando públicos seletos. “Trabalhamos na área de confecções sob medida desde 1962 em Marechal Rondon. A empresa foi fundada por meu pai e quando eu assumi a administração montei a fábrica. Passamos a produzir ternos e trajes sociais em série, além de seguir com as roupas sob medida”, enaltece.

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Empresário do ramo da alfaiataria, rondonense Carlos Reichert teve queda de 70% no faturamento, mas não entrega os pontos: “Não penso em fechar, porque é uma empresa de família” (Foto: O Presente)

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PRODUTOS EM SÉRIE

Com produção em série focada na linha social masculina, a empresa atua, além das vendas diretas no município, em seis Estados brasileiros: Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul, São Paulo e parte de Minas Gerais. “São locais logisticamente favoráveis, visto que somos uma indústria de pequeno porte. Temos uma boa demanda nesses Estados, porque focamos na solução de problemas. O cliente precisa de um traje diferenciado e nós fazemos, mesmo que em menos unidades, o que as indústrias maiores não fazem”, salienta, mencionando que os principais produtos comercializados são ternos e camisas.

Considerando que os eventos estão parados em todo lugar devido à pandemia, Reichert conta que seus clientes também têm dificuldades, o que afeta o escoamento da produção. “Em Marechal Rondon, pelo menos três empresas que vendiam ternos fecharam. Se acontece isso também em outras cidades, o fabricante não tem para quem vender”, lamenta, revelando que são as vendas para fora que se sobressaem no balanço financeiro da empresa.

 

QUEDA NO FATURAMENTO

Antes da pandemia, o empresário rondonense afirma que a empresa “rodava perfeitamente”. “As previsões iniciais eram de que em 60 dias isso iria passar, mas não aconteceu e a situação só se agravou. Fechamos a empresa pelos decretos e ficamos sem faturar nada por alguns períodos”, pontua.

Segundo ele, neste ano, com a vacinação acontecendo, a situação financeira está um pouco melhor. “Do ano passado para cá, o faturamento caiu 70%. Mesmo assim, não penso em fechar, porque é uma empresa de família. Eu faço minha parte, coloco dinheiro e mantenho nossos funcionários”, afirma.

Para o rondonense, ramos mais especializados do comércio, como o da alfaiataria, sofrem mais com a pandemia do que outros. “Cerca de 40% do mercado foi afetado pela Covid-19, mas outros 60% seguem bem. São empresas que não têm ligação com o segmento de eventos, como a construção civil, metalurgia, alimentação e outros”, opina.

Mesmo com eventos suspensos, procura por trajes de casamento segue acontecendo e orçamentos são diários (Foto: O Presente)

 

MÃO DE OBRA

Reichert rememora que a indústria oportunizou trabalho para mulheres, público que tinha poucas oportunidades na época, quando do início das atividades da empresa. “Passamos a vender em larga escala e, com isso, ajudamos nesse problema regional de falta de empregos femininos”, pontua.

Ao longo dos anos, a indústria capacitou e qualificou diversos profissionais, tanto que, nas palavras do empresário, “seis funcionários se aposentaram com tempo integral na empresa”.

Na contramão, a empresa teve que repensar seu quadro de colaboradores como uma das consequências da pandemia. “Hoje nossos funcionários estão reduzidos. Alguns pediram para sair porque não têm onde deixar os filhos, mas a ideia é que eles retornem quando tudo se normalizar, pois são pessoas treinadas. Chegamos a ter 50 funcionários, mas hoje estamos com 38”, mensura.

 

PRODUÇÃO PARADA

Atualmente, a linha de produção se encontra parada na Reichert. “Novamente, nossos funcionários estão em casa por conta do governo. Temos poucas pessoas trabalhando na empresa”, expõe, acrescentando que o estoque pouco a pouco vai diminuindo.

Como tentativa de melhorar a saúde financeira da empresa, a Reichert Confecções, assim como outras indústrias, modificou seu repertório de produtos, ainda que timidamente, pois, conforme o proprietário, “não se pode simplesmente mudar de nicho”. “Adentramos na linha feminina, mas quando se faz isso é preciso buscar clientes e isso é difícil no momento. A adesão não é rápida e essa mudança na produção não representa nem 5% do faturamento”, ressalta.

Com linha de produção parada e funcionários em casa, estoque da Reichert Confecções diminui em ritmo lento (Foto: O Presente)

 

ORÇAMENTOS DIÁRIOS

Mesmo que os eventos sigam sem possibilidade de acontecer, Reichert relata que os orçamentos por parte de aspirantes a maridos seguem acontecendo diariamente. “Existe grande procura por trajes de casamento. Há pessoas querendo casar, mas adiam porque não podem fazer festa. Acredito que a situação se normalize com a vacinação. Os idosos que já se vacinaram, por exemplo, voltaram a comprar conosco. Muitos são clientes da empresa ao longo desses 60 anos e não nos trocam”, comenta ele, emocionado.

Produção se expandiu para o mercado de roupas sociais femininas durante a pandemia, mas linha representa apenas 5% do faturamento (Foto: O Presente)

 

O Presente

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