Municípios Atividade promissora

Região Oeste vive expansão silenciosa da avicultura

(Foto: Arquivo/OP)
  • Cada lote de aves permanece em média 45 dias nos aviários até ser levado ao frigorífico. Peso na faixa de três quilos é sinônimo de bom resultado na conversão alimentar (Foto: Arquivo/OP)

  • César, seus irmãos e seu pai investem na ampliação das atividades por meio da construção de seis aviários de postura. Fase é de terraplanagem (Foto: Divulgação)

  • Aviários de postura dos Rieger no interior de Pato Bragado (Foto: Divulgação)

  • Avicultor César Rieger: “O trabalho na granja de postura é mais detalhado, exige muita qualidade e eficiência, pois o ovo é algo sensível. Se não trabalharmos bem na produção de ovos, algo manual e delicado, lá na parte final a ave não produz o resultado esperado” (Foto: Joni Lang/OP)

  • Núcleo com quatro novos aviários no interior de Mercedes, formado na sociedade entre Márcio e Cristiano Buss, pai e filho, respectivamente (Foto: Joni Lang/OP)

  • Com "inauguração" realizada ontem (31), cada aviário aloja 35 mil aves (Foto: Joni Lang/OP)

  • Avicultura de postura, considerada fase inicial do setor, exige cuidados redobrados no manejo para que o resultado seja satisfatório quando chegar o momento do abate da ave (Foto: Arquivo/OP)

  • Com frigoríficos distribuídos em vários municípios do Oeste do Paraná, produtores têm opções diferenciadas para ingressar na atividade. Muitos, ao vivenciar a viabilidade do negócio, ampliam horizontes com a construção de novos aviários. Atividade oferece segurança, podendo gerar receitas o ano todo, diferente da agricultura, que do clima para produções exitosas (Foto: Arquivo/OP)

  • César Rieger onde será construído o novo empreendimento da família (Foto: Divulgação)

  • Avicultor Cristiano Buss: “Sabemos de muita liberação para construir aviários na região. Um dos fatores que influenciam é que o frango você produz o ano todo, então é uma segurança” (Foto: Joni Lang/OP)

Atividade considerada de bom desempenho e uma alternativa de renda a eventuais quebras nas safras de grãos, milho ou soja, nas quais os agricultores dependem do fator tempo para obter resultado satisfatório, a avicultura tem atraído cada vez mais adeptos nos municípios da microrregião de Marechal Cândido Rondon.

Há frigoríficos de abate de frangos instalados em Marechal Rondon, Palotina, Toledo, entre outras cidades, com atividades coordenadas por empresas privadas ou cooperativas. No caso da Copagril, que em abril deste ano completou 15 anos de operação da Unidade Industrial de Aves (UIA), a planta instalada no município rondonense abate atualmente de 170 mil a 180 mil aves ao dia, contudo o plano é aumentar significativamente estes números. São cerca de dois mil empregos na indústria.

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Dados da cooperativa de abril apontam 208 integrados na atividade com 360 aviários em diversos municípios.

Também há produtores que fornecem aves a outras cooperativas, como C.Vale, de Palotina, Lar, com sede em Medianeira, e Copacol, sediada em Cafelândia, bem como para a empresa BRF (antiga Sadia), em Toledo.

Assim como muitos associados a estas cooperativas estão entrando na avicultura, outros investem na construção de novos aviários, ou seja, buscam aumentar o trabalho e, com isso, ampliar a produção. Isso tudo leva a uma expansão silenciosa da avicultura na região Oeste do Paraná.

 

RECÉM-INAUGURADO

Morador de Marechal Rondon, o engenheiro agrônomo Cristiano Buss formou parceria com seu pai, Márcio, diretor-secretário da Copagril, e nos últimos meses tem “respirado” avicultura.

Márcio possui propriedade na Linha São Marcos, interior de Mercedes, na qual trabalha desde 2005 com avicultura de corte. Lá, possui dois galpões com capacidade de alojamento de 27 mil aves cada, além de outros três que abrigam 22,5 mil aves cada.

Com a parceria de ambos surgiu um novo núcleo no lado de cima da propriedade, com quatro aviários medindo 150×16 metros, onde cada um poderá alojar 35 mil aves. A produtividade no núcleo superior, de pai e filho, é de 270 mil aves por ciclo. Já no núcleo debaixo, exclusivo de Márcio, a estimativa é de 130 mil aves por ciclo.

Ao O Presente, Cristiano destaca que o primeiro lote de aves foi alojado nos quatro novos aviários na sexta-feira (31). “A média é de 45 dias de alojamento das aves entre recebimento e entrega para o abate, somando uma faixa de seis lotes ao ano. Os dois núcleos devem totalizar 1,5 milhão de aves ao ano, mas o de baixo é exclusivo do pai. Nos quatro aviários de cima, onde trabalhamos juntos, devem ser fornecidas em torno de 840 mil aves por ano”, expõe.

 

EFICIÊNCIA

Segundo ele, a construção dos novos aviários foi possível ao acessar o plano agrícola do governo via instituição de crédito. “Temos equipamentos de última geração, o que existe de melhor no Brasil. Pensamos em ter muita qualidade em termos de fitossanidade, tanto que tem barreira fitossanitária bastante eficiente para evitarmos a entrada de algum patógeno”, salienta.

O agrônomo e avicultor comenta que o objetivo é ampliar o emprego da tecnologia e ter mão de obra mais qualificada, uma vez que o manejo correto é fundamental para uma conversão eficiente, resultando em frangos com média de três quilos rumo ao abate. “A Copagril hoje tem resultado bastante eficiente e remunera melhor o produtor, com média de R$ 1,20 por ave, descontando ração e insumos, que são por conta da cooperativa. Outros investimentos cabem ao avicultor, que desconta desse valor”, pontua.

Com números empolgantes, pai e filho pretendem ampliar a atividade futuramente. “Nossa intenção é expandir daqui algum tempo. Temos terraplanagem praticamente pronta, mas não há prazo definido porque precisamos dar início ao trabalho nos novos aviários”, menciona.

Cristiano avalia que a avicultura é interessante aos produtores rurais. “Sabemos de muita liberação para construir aviários na região. Um dos fatores que influenciam é que o frango você produz o ano todo, então é uma segurança. Já na agricultura, que é uma atividade a céu aberto, você não tem controle sobre umidade e temperatura”, pontua.

 

POSTURA

O empresário rondonense César Rieger também considera a atividade interessante. Ele trabalha com avicultura de postura junto com o pai, Arnildo, em uma propriedade no interior do município de Pato Bragado.

Segundo Rieger, seu pai atua com avicultura de corte há cerca de 35 anos e anos atrás parou com a suinocultura e transformou os galpões em aviários.

O rondonense conta que a família – ele, seus pais e seus irmãos – possuem propriedades em três linhas bragadenses, tanto com avicultura de corte quanto postura. Um novo projeto, voltado à avicultura de postura, vem sendo realizado na Linha Itapiranga. Já os dois empreendimentos em atuação – corte e postura – estão instalados nas linhas XV de Novembro e São Francisco.

Rieger diz que há dez anos seu pai decidiu ingressar na parte de postura, com a produção de ovos férteis. Uma granja com três aviários para corte foi transformada em granja de postura, tendo somado outros três aviários mais tarde.

“Após oito anos com a BRF na área de postura, no ano de 2019 o pai e eu ampliamos a granja e entramos na Lar. O plantel hoje é de 65 mil aves na granja de postura, de onde são retirados em média 55 mil ovos ao dia que são levados ao incubatório em Santa Helena ou Itaipulândia. Fazemos a parte de processos, os barracões e colaboradores são despesas nossas. A integradora traz as galinhas e os suprimentos, como ração e medicamentos, mas a estrutura e a parte operacional são nossas. O trabalho na granja de postura é mais detalhado, exige muita qualidade e eficiência, pois o ovo é algo sensível. Temos cerca de 20 funcionários, ou seja, um custo operacional alto”, ressalta.

De acordo com o rondonense, a postura é o início da cadeia da avicultura. “Se não trabalharmos bem na produção de ovos, algo manual e delicado, lá na parte final a ave não produz o resultado esperado na conversão alimentar e em carne”, observa.

O empresário e produtor comenta existir porcentagem que a cooperativa paga ao integrado sobre a produção total, retira custos e repassa margem sobre isso.

 

AMPLIAÇÃO

Conforme ele, a Lar quer expandir a produtividade na região, o que vai exigir mais integrados, aumento no número de aviários para abrigar um plantel significativo para atender a demanda.

“Na transição da BRF para a cooperativa Lar nós vimos um novo horizonte, estamos contentes, tanto que ano passado surgiu um projeto de uma nova granja de postura. Serão seis aviários com 60 x 14 metros e 65 mil aves no total, dessa vez com toda família. As obras estão na fase de terraplanagem. É interessante e rentável”, destaca César.

 

O Presente

 

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