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Paraná Saúde

Centro de pesquisa do Hospital de Clínicas da UFPR é único do Brasil a testar vacina contra vírus respiratório em crianças

(Foto: Divulgação)

A chegada do inverno também é sinônimo do crescimento dos casos de infecções respiratórias, principalmente em crianças. Apesar da sobrecarga dos sistemas de saúde causada pela Covid-19, outro vírus pode causar doenças crônicas nos pequenos, logo nos primeiros meses de vida. Os casos mais graves da infecção pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR) resultam em problemas agudos como asma, bronquite e pneumonia.

Reconhecido como centro de excelência pela Organização Mundial de Alergia WAO (World Allergy Organization), o Serviço de Alergia, Imunologia e Pneumologia do Complexo Hospital de Clínicas (CHC) da Universidade Federal do Paraná (UFPR) é o primeiro e único centro de pesquisa a testar uma vacina contra o VSR no Brasil.

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Até hoje não existem vacinas contra o VSR no mercado. O centro de excelência do CHC está entre os selecionados pela empresa farmacêutica Janssen para realizar testes clínicos de um composto capaz de neutralizar e inibir a proliferação do vírus no organismo. A empresa também atua na pesquisa e desenvolvimento de medicamentos para o tratamento de outras doenças infecciosas, como o HIV. A vacina para o VSR foi desenvolvida na Bélgica após sete anos de pesquisa.

“Não temos relação com a criação da vacina, mas fomos selecionados para fazer os testes. É um grupo pequeno, mas já temos as primeiras crianças brasileiras vacinadas contra este vírus”, comemora Nelson Rosário Filho, professor do Departamento de Pediatria da UFPR e coordenador do programa de Pós-graduação e residência em Alergia Pediátrica.

Durante a fase de testes, que teve início no primeiro trimestre, foram vacinadas 34 crianças em diversos países. No Brasil, cinco doses foram aplicadas em crianças de Curitiba, que estão sendo acompanhadas pelo Serviço durante o primeiro ano de vida.

De acordo com o Ministério da Saúde, mais de 12 mil crianças entre um e quatro anos de idade foram internadas em decorrência de bronquite ou bronquiolite agudas no ano passado. Os dados são nacionais e também contabilizam seis mortes causadas por quadros mais graves.

“As complicações causadas pelo VSR estão entre as principais causas de internação de lactentes (crianças em fase de aleitamento materno) aqui no HC”, alerta Nelson. Conforme o avanço das pesquisas, a previsão do médico é de que todas as crianças possam ser vacinadas logo nos primeiros meses de vida. Um exemplo de vacinação feita em recém-nascidos é a BCG (Bacillus Calmette-Guérin), que protege o bebê da tuberculose.

 

CONTAMINAÇÃO E CUIDADOS

De acordo com o professor, a infecção pelo VSR é uma das principais causas da bronquiolite infecciosa aguda, doença viral que causa dificuldades respiratórias e exige cuidados intensivos como internação hospitalar. “Até os dois anos de idade, praticamente toda criança já teve contato com esse vírus. Com a chegada do inverno, é comum aumentar o número de bebês prematuros e crianças de até um ano que precisam ser internados por problemas respiratórios. Em geral, são casos de bronquiolite”, explica.

A infecção pelo VSR acontece através do contato com superfícies contaminadas – quando a criança toca os olhos, nariz ou boca – ou pela respiração de gotículas de ar que transportam o vírus. A doença é sazonal, ou seja, ocorre em meses de tempo mais frio e seco, quando o sistema imunológico fica mais vulnerável. Os efeitos da contaminação podem variar desde formas leves e assintomáticas, até quadros mais graves que comprometem o funcionamento dos pulmões, podendo causar insuficiência respiratória.

Medidas de prevenção à Covid-19 também são eficazesAs recomendações de isolamento social e as medidas indicadas para conter o avanço do SARS-CoV2 também ajudam a prevenir a infecção por outros vírus. Segundo dados do Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS), do Ministério da Saúde, as internações causadas por doenças respiratórias em Curitiba tiveram redução de quase 60% entre crianças menores de um ano em relação ao mesmo período de 2019. Entre janeiro e abril do ano passado, foram 164 internações. No mesmo período de 2020 os registros apontam para 66 internamentos.

O professor Nelson garante que é preciso cautela durante a pandemia para evitar a contaminação por outros vírus que também requerem internação hospitalar, como o VSR. “Estamos enfrentando uma doença séria, com taxa de mortalidade considerável, mas não podemos fechar os olhos para outras infecções”, alerta. Ainda de acordo com o médico, o isolamento contribui para que as crianças não entrem em contato com ambientes de livre circulação dos vírus, como creches e escolinhas.

 

PESQUISAS COM RECONHECIMENTO INTERNACIONAL

O Serviço de Alergia, Imunologia e Pneumologia Pediátrica do Hospital de Clínicas é o único centro de pesquisa do Brasil com certificado de Centro de Excelência da Organização Mundial de Alergia (WAO). Na América do Sul, apenas três instituições fazem parte da lista de centros de excelência, além do próprio CHC da UFPR. As pesquisas realizadas pelo Serviço geram oportunidades para que alunos da graduação e pós-graduação trabalhem na produção de artigos e teses sobre doenças do sistema respiratório. O resultado são trabalhos reconhecidos em âmbito internacional. Desde o início do ano, seis trabalhos já foram publicados em revistas conceituadas fora do Brasil.

A estrutura do hospital também oferece condições para a coleta e análise de materiais importantes no diagnóstico e tratamento de doenças respiratórias raras, como a fibrose cística. “Nem todos os pacientes têm acesso ao tratamento especializado que essas doenças exigem. Somos um centro de referência no atendimento desses casos”, explica Cristine Secco Rosário, médica pediatra formada na UFPR e aluna de doutorado no Programa de Pós-graduação em Saúde da Criança e do Adolescente.

Os trabalhos produzidos no CHC ganham espaço em conferências internacionais sobre alergia. No ano passado, Cristine representou a UFPR no Congresso da Academia Europeia de Alergia e Imunologia Clínica, em Lisboa, Portugal. “Poder estar em contato com os grandes nomes da alergia no mundo e ter o trabalho do serviço reconhecido internacionalmente é uma experiência incrível”, relembrou.

O Serviço de Alergia, Imunologia e Pneumologia Pediátrica do CHC demonstra o papel de uma instituição pública em oferecer ensino e assistência de qualidade à população. Mesmo em tempos de crise, a Universidade e o Complexo Hospital de Clínicas prestam atendimento contínuo à comunidade. O professor Nelson também aponta para os benefícios alcançados com o trabalho do grupo. “Nosso mote é aproveitar a riqueza que temos no HC para desenvolver pesquisas que tragam impactos positivos para a população”, finalizou.

 

Com assessoria

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