Política Pré-candidato à reeleição

“Sou a favor do diálogo, não do consenso talvez”, opina Norberto Pinz

Prefeito de Nova Santa Rosa, Norberto Pinz (MDB): “Escutamos sobre consenso, mas nunca participei de uma reunião e não fui convidado” (Foto: Maria Cristina Kunzler/OP)

O grupo de situação em Nova Santa Rosa encaminha as discussões envolvendo a eleição deste ano para a manutenção da dobradinha que saiu vitoriosa das urnas em 2016: prefeito Norberto Pinz e vice-prefeito Noedi Hardt, ambos do MDB, como pré-candidatos à reeleição.

Em entrevista ao Jornal O Presente, o prefeito expôs que não participou de nenhuma conversa envolvendo uma possível candidatura única ao Poder Executivo. A possibilidade de consenso vem sendo ventilada há meses, mas, pelo visto, é algo descartado atualmente.

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Pinz também declarou que é aberto ao diálogo e se algum partido da oposição quiser integrar a coligação situacionista para somar com o desenvolvimento do município pode ser bem-vindo ao grupo.

O mandatário falou ainda sobre o replanejamento que foi feito após a pandemia e que o município está segurando investimentos devido à incógnita envolvendo o coronavírus. Conforme o gestor, a prefeitura já deixou de arrecadar em torno de R$ 1,5 milhão. Confira.

 

O Presente (OP): Estamos a poucos meses da eleição. No grupo de situação as conversas estão se encaminhando para que Norberto Pinz e Noedi Hardt sejam os pré-candidatos a prefeito e a vice?

Norberto Pinz (NP): Estamos conversando e sou pré-candidato à reeleição, juntamente com o Noedi. Quem define são os partidos, que são três, e depois há as convenções. Contamos com muitos pré-candidatos a vereador e estamos aí para fazer o melhor para o município de Nova Santa Rosa.

 

OP: Em algum momento o senhor cogitou não tentar a reeleição?

NP: Não. Neste terceiro mandato nunca fizemos tanto quanto agora diante das propostas do plano de governo. Estamos com nossa equipe reduzida, com apenas cinco secretários, e era uma promessa de campanha. Apenas um secretário não é efetivo, os demais são servidores e, com isso, fizemos uma redução grande para investir naquilo que a população deseja e quer, como adequação de estradas. O nosso agricultor quer estradas e é o que fizemos. Nunca fizemos tanto como nos últimos três anos e meio e ainda temos muito o que fazer pelo nosso município.

 

OP: Houve algumas conversas envolvendo um possível consenso. O senhor chegou a participar destas reuniões?

NP: Não, em nenhum momento. Escutamos sobre consenso, mas nunca participei de uma reunião e não fui convidado.

 

OP: Qual a sua opinião em relação a essas conversas que surgiram a respeito de uma possível candidatura única?

NP: Vamos ter que consultar os partidos e a população. A população hoje quer eleição, disputa. A maioria quer disputa para escolher o seu prefeito, vice-prefeito, vereadores. Isso é natural. No município tivemos apenas um consenso, com Jandir (Dal’Moro) e Lari (Hitz). Esse consenso não foi muito bom e não sei se a população gostaria de novo um consenso.

 

OP: O senhor, então, é contra um consenso?

NP: Não sou contra. Vamos no diálogo. Estou pronto para o diálogo, mas não participei de nenhuma reunião. Sou a favor do diálogo, não do consenso talvez.

 

OP: Se houvesse um consenso o senhor estaria disposto a abrir mão da sua pré-candidatura?

NP: Vamos ter que conversar com nosso partido. É sempre bom ouvir o diretório e a população para saber se concordariam com isso ou não.

 

Prefeito Norberto Pinz: “Até agora perdemos R$ 1,5 milhão, o que para Nova Santa Rosa é muito. Nossa maior receita é o ICMS, sendo que já perdemos em um mês 32%, em outro mês 39%” (Foto: Maria Cristina Kunzler/OP)

 

OP: Devido à força política do MDB de Nova Santa Rosa, o senhor acha que faz algum sentido o partido se aliar à oposição para uma candidatura única?

NP: Difícil responder. O diálogo é a maneira mais apropriada neste momento, até naquilo que enfrentamos no Brasil. O diálogo é sempre bem-vindo, por que não?

 

OP: O senhor prega muito a questão do diálogo. Existe a possibilidade de algum partido da oposição integrar o grupo de situação?

NP: Tudo pode ser, sem problema algum. Vamos trabalhar por Nova Santa Rosa.

 

OP: O senhor acredita que o ideal é que as definições de pré-candidaturas ocorram até quando?

NP: O Senado já votou pelo adiamento da eleição e a Câmara deve votar essa semana, se vão fazer em 04 de outubro ou 15 de novembro. Não sabemos o que vai acontecer ainda. Alguns falam até na prorrogação do mandato por mais dois anos, o que é muito difícil. O correto seria eleição a cada cinco anos, sem reeleição. Seria melhor para o Brasil porque a cada dois anos vem o período eleitoral e ficamos limitados. Seria muito útil para a Nação e para os municípios se fosse a cada cinco anos.

 

OP: Mas o senhor espera que as decisões estejam definidas antes das convenções?

NP: Sim. Até porque servidores que queiram concorrer precisam se desincompatibilizar, tem o número de candidatos nas chapas. Várias coisas.

 

OP: O grupo político de situação deve lançar quantas chapas na proporcional?

NP: Temos no grupo o MDB, o PSC e o PSD. Na eleição passada tínhamos seis partidos e agora reduzimos para três. Vamos buscar o entendimento, porque contamos com mais pré-candidatos do que vagas (na chapa). Muitos nomes novos que pela primeira vez vão ser candidatos. Isso nos fortalece e ficamos felizes que têm pessoas novas buscando uma vaga no Legislativo.

 

OP: Na sua opinião, o fim da coligação na proporcional e a consequente redução no número de partidos é algo benéfico?

NP: Acho que temos muitos partidos no Brasil. Tínhamos que reduzir no mínimo de três a cinco partidos. Muitas vezes há um desentendimento e a pessoa faz um novo partido.

 

OP: Este era um ano de muita expectativa para os municípios, Estados e União devido à retomada da economia e projeção de muitos investimentos, até chegar a pandemia. Como está a situação de Nova Santa Rosa sobre a arrecadação?

NP: Estávamos com uma expectativa muito grande neste final de mandato, mas perdemos muito recurso. Até agora perdemos R$ 1,5 milhão, o que para Nova Santa Rosa é muito. Nossa maior receita é o ICMS, sendo que já perdemos em um mês 32%, em outro mês 39%, e o FPM (Fundo de Participação dos Municípios) também perdemos. Vem o auxílio do governo, mas é pouco. Até agora recebemos em torno de R$ 165 mil. Então a diferença é grande do que perdemos em relação ao que recebemos. Temos um ofício da Presidência da República que até junho seria mantido o mesmo índice (FPM) do ano 2019, mas não está acontecendo isso. Outras arrecadações automaticamente caíram.

 

OP: Como o senhor avalia que será a condução dos trabalhos até o final do ano com essa queda de arrecadação e atualmente sem expectativa de melhora?

NP: Muito difícil, pois existe toda uma preocupação. Já estamos reduzindo hora-extra, segurando aquilo que podemos. Estamos preocupados com a situação. Se até agora caiu isso, imagina se cair mais (arrecadação).

 

OP: Houve reformulação dos investimentos que tinham sido previstos para 2020?

NP: Já. Muita coisa que estava em projeto para acontecer vamos segurar, porque precisamos fechar o caixa. É uma preocupação constante de todos os secretários, equipe técnica e também da prefeitura de fecharmos as contas.

 

OP: Fora essa situação da pandemia que ninguém imaginava até poucos meses atrás, de forma geral como o senhor tem analisado o seu mandato?

NP: Acho muito bom. Com a redução de secretarias, economia que fizemos, nunca Nova Santa Rosa cresceu tanto em todas as áreas. Houve parceria com deputados estaduais e federais, Itaipu, senadores. Tivemos muita parceria. A Itaipu nos ajudou muito e isso auxilia os pequenos municípios, pois não temos royalties. Temos que andar com nossas próprias pernas e precisamos ter muito cuidado e cautela no dia a dia dos nossos investimentos em todas as áreas.

 

O Presente

 

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