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13º injeta R$ 52 milhões na economia rondonense

Os trabalhadores com carteira assinada ou concursados de instituições governamentais – ligados aos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário começaram a receber na última quinta-feira (30) o abono especial de fim de ano, mais conhecido como 13º salário. O benefício, que é um direito dos profissionais, deve ter sua segunda parcela paga até o próximo dia 20.

Com uma população de 51 mil habitantes, Marechal Cândido Rondon deve ter injetado na economia em torno de R$ 52 milhões. Considerando os municípios de Entre Rios do Oeste, Mercedes, Pato Bragado e Quatro Pontes, serão aproximadamente R$ 67 milhões.

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Os valores que engordam o caixa no mês de dezembro passam a ser utilizados nas mais diversas finalidades, como, por exemplo, o pagamento de dívidas e contas em atraso, compra de presentes de Natal e fim de ano, além de produtos e itens variados, assim como em viagens. Em meio à superação das dificuldades, há quem priorize uma reserva objetivando investir na casa própria.

Cristina Lizzoni é uma entre os muitos rondonenses que já decidiram o que fazer com o seu 13º. Ela conta que vai utilizar o pagamento de despesas remanescentes de uma obra, cujo investimento está sendo realizado por ela e seu companheiro. “Também pretendo viajar, porém algo que não seja muito expressivo. Um descanso é sempre merecido”, salienta.

Devido à época de fim de ano, Cristina diz que também comprará presentes para familiares e amigos, caso participar de amigos secretos. “Presentes? Sim, algo mais singelo, pois eles não podem faltar”, ressalta. “Outra finalidade que tenho é poupar, pois pretendo me casar em 2018. Entendo que as pessoas deveriam pensar bem e priorizar o pagamento de contas para começar o ano mais tranquilas e com possibilidade de planejar novas metas e sonhos”, recomenda Cristina.

 

Alento

De acordo com o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Marechal Rondon e Região (Sindicomar), Ademar Bayer, conforme o instituto de pesquisas da Fecomércio Paraná, R$ 45 milhões serão pagos em Marechal Rondon de forma direta a trabalhadores de empresas em geral, prefeitura (R$ 5 milhões), cooperativas, entre outros. “A previsão é de que outros R$ 7 milhões sejam pagos aos profissionais concursados da rede estadual de ensino, Unioeste, Polícia Militar, Batalhão de Polícia de Fronteira (BPFron), assim como aposentados, somando R$ 52 milhões em Marechal Rondon”, expõe.

Bayer salienta que os recursos são vultuosos, uma vez que a população economicamente ativa envolve adultos e idosos. “Pessoas que trabalham no comércio, indústria, prestação de serviços e outras atividades nas cidades de Entre Rios do Oeste, Mercedes, Pato Bragado e Quatro Pontes receberão outros R$ 15 milhões, perfazendo um total de R$ 67 milhões ao incluir Marechal Rondon. Ou seja, trata-se de um volume significativo que ingressa na economia desses cinco municípios”, destaca, acrescentando que, se considerados os aposentados, é possível que os recursos cheguem a R$ 70 milhões.

O líder sindical enaltece que tanto os valores para Marechal Rondon quanto para os municípios da microrregião são importantes ao desenvolvimento da economia. “Este dinheiro retorna ao município onde as pessoas residem, tornando-se um alento muito grande para a região por se tratar de um valor significativo que possibilita o fomento ao comércio. Nós sabemos que muitas pessoas aproveitam o 13º salário para pagar contas, dívidas, ainda assim são efetuadas compras no comércio e o dinheiro gira nas cidades, contribuindo à geração de empregos e renda, sendo que para este ano é previsto um valor mais considerável nas compras”, comenta.

Ele acredita que com a crise atravessada em nível nacional as pessoas naturalmente cuidam com os gastos, uma vez que muitos têm medo de fazer dívidas e depois perder o emprego. “A nossa região não sofreu tanto com o desemprego por ser uma localidade prestigiada pelo agronegócio e onde as pessoas também possuem um nível diferenciado. Houve desemprego, no entanto não foi tão grandioso quanto outras regiões do Brasil, o que obviamente permite que as pessoas mais equilibradas tenham mais condições de investir ou fazer compras para presentear os familiares e a si próprias, algumas com a possibilidade de viajar. Esses valores vão movimentar o comércio”, reforça.

Bayer pontua que se antes o país e o Paraná – este último em menor escala – sofreram com a crise financeira, felizmente o momento é outro e atualmente se fala em recuperação, a qual dará lugar ao crescimento, em breve. “Nós percebemos que aos poucos o cenário que passamos a viver é de desenvolvimento porque vários trabalhadores que antes estavam desempregados hoje estão sendo contratados pelo comércio, que, devido à chegada do fim de ano, fomenta novos postos de trabalho. São mais pessoas que estarão inseridas no mercado e receberão o seu salário para poder aplicar este dinheiro no município e na região. Este aumento de postos está evidente porque as estatísticas mostram que melhorou o índice de empregos gerados quando se compara 2015 e 2016. Já há uma retomada de empregos e no volume de recursos”, frisa.

Embora a crise financeira tenha passado de maneira menos intensa no Oeste do Paraná ao analisar o restante do Brasil, ainda assim muitos consumidores da região possuem contas em atraso. “Marechal Cândido Rondon ter em torno de R$ 52 milhões em recursos circulando em dezembro é ótimo, mas faz-se necessário lembrar que de uma forma geral o brasileiro está muito endividado”, afirma o professor do curso de Economia no campus de Toledo da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), doutor Flávio Braga de Almeida Gabriel. “A minha primeira recomendação para o uso do 13º salário é saldar toda e qualquer dívida, de preferência renegociando, especialmente se estiver relacionada a cartão de crédito e cheque especial. Nesses casos é fundamental que o indivíduo pague a sua dívida porque a taxa de juros é estratosférica, totalmente fora do aceitável, e se a pessoa deixar isso rolar pode gerar uma situação que talvez no futuro não consiga mais pagar”, sugere.

Gabriel vai além: “se depois de pagar as contas o cidadão precisar fazer compras no fim do ano, ele deve tentar pagar à vista para conseguir desconto. Se porventura fizer proposta à vista e não tiver possibilidade de negociação entre pagamento à vista e a prazo, a minha sugestão é de que se dirija a outra empresa, porque com certeza o outro comerciante vai vender mais barato na modalidade à vista”.

O professor adianta ser imprescindível reservar uma parte do 13º para o começo de janeiro, mês em que normalmente há muitas contas a pagar. Ele define como importante a organização financeira, pois será preciso desembolsar dinheiro ao IPVA, IPTU, material escolar entre outros gastos certos. “Se a pessoa estiver desprevenida vai acabar se complicando. Seria fantástico ela reservar uma parte do 13º salário para janeiro. A minha sugestão é de que o consumidor passe a se disciplinar, até porque o crédito hoje é fácil e muitas vezes isso engana porque quando faz no crédito o dinheiro deixa de ser do cidadão, que passa a dever para alguém, ao banco, à loja. Se a pessoa conseguir pagar tudo o que deve e o dinheiro que sobrar ela conseguir fazer compras à vista, negociando e fazendo esta reserva para janeiro, ela com certeza vai começar o ano muito mais tranquila”, pontua.

Confira a matéria completa na edição impressa desta terça-feira (05).

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