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Marechal

“A avaliação é extremamente positiva, afirma Marcio Rauber sobre os 100 dias de governo

 

Maria Cristina Kunzler/OP

Prefeito de Marechal Cândido Rondon, Marcio Rauber: A saúde representa a grande dificuldade que encontramos devido ao número de atendimentos que a prefeitura precisa fazer

 

O governo do prefeito de Marechal Cândido Rondon, Marcio Rauber (DEM), chegou ao 100º dia. Embora seja um período considerado curto para quem ainda tem praticamente quatro anos de mandato, o democrata avalia que o primeiro trimestre foi marcado por importantes ações, dentre as quais a organização do paço municipal e o encaminhamento de projetos.

Hoje (11), por exemplo, ele estará em Curitiba, onde recebe do governador Beto Richa autorização para um financiamento de R$ 3 milhões visando à aquisição de maquinário agrícola para as secretarias de Viação e Serviços Públicos e de Agricultura e Política Ambiental.

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Além disso, dentro dos próximos dias o Hospital Municipal Dr. Cruzatti deve abrir as portas para que as gestantes tenham seus filhos no município, algo que não ocorre há cerca de seis anos no sistema público local.

Em entrevista concedida ao Jornal O Presente, Marcio faz uma breve avaliação dos 100 dias, reforça o comprometimento do governo e enaltece a união dos vereadores da base aliada com o grupo político de situação. Confira.

 

O Presente (OP): O senhor completou 100 dias de governo. Qual avaliação já é possível fazer deste período?

Marcio Rauber (MR): A avaliação é extremamente positiva. Encontramos muitas dificuldades, mas temos a sabedoria de entender que isso sempre vai acontecer em uma gestão nova. Encontramos falta de regulamentação em alguns procedimentos, que deveria ter sido feita na gestão passada e não foi, mais especificamente na questão de convênios. Mas fizemos o que precisava ser feito e estamos organizando tudo. Estamos fazendo aquilo que diz a lei e a população, de maneira geral, está entendendo que neste início de governo estamos organizando como as coisas devem ser para que ao longo dos quatro anos tenhamos uma administração séria, responsável e que atenda aos anseios da comunidade.

 

OP: Quando o senhor menciona que encontrou dificuldades no início de governo, foram maiores do que imaginava?

MR: Não estimei as dificuldades que iria encontrar. O que me deixa surpreso é que algumas questões que deveriam ter sido tratadas nas reuniões das equipes de transição do prefeito eleito e do então prefeito em exercício (Moacir Froehlich, PMDB) ficaram aquém do tratamento dado nos encontros destas comissões, e que acabamos descobrindo depois. É o caso de processos licitatórios que não sabíamos que estavam tramitando e que simplesmente apareceram no mês de fevereiro, e que não sabemos como apareceram. Sobre a Leis dos Convênios o município não fez a regulamentação, sendo que tinha o ano de 2016 inteiro para fazê-la. Tivemos que fazer isso este ano, o que atrapalhou inúmeros convênios como, por exemplo, com a Apae e o Lar Rosas Unidas. Houve pequenas surpresas, como o não pedido de prorrogação em um convênio com o Governo do Estado, que extinguiu dia 28 de dezembro. Então são dificuldades que não sabemos estimar o quanto se esperaria, mas que aconteceram e que estamos aqui para enfrentar, como enfrentamos cada uma delas.

 

OP: O serviço público, por vezes, é moroso. O senhor tem se sentido de certa forma frustrado por eventualmente não ter conseguido fazer tudo que imaginava nestes 100 dias ou o andamento dos trabalhos está dentro do esperado?

MR: Está tudo dentro da conformidade. Quem quer fazer as coisas certas, dentro da legalidade, faz conforme estou fazendo: sem atropelos, com análise criteriosa, respeitando, como já disse, o devido processo legal. É o que estamos fazendo aqui. E creio que até o fim do mês de abril teremos a casa organizada. Organizada de acordo com a minha vontade, com aquilo que acho que é organizado, com todos os processos licitatórios e os convênios, na grande maioria, concluídos, os secretários com total segurança dentro de suas pastas para que consigamos, assim, fazer tudo aquilo que nos comprometemos a executar com a sociedade.

 

OP: Em termos de áreas, em quais a equipe encontrou as maiores dificuldades ou que percebeu a necessidade de uma atenção especial?

MR: A maior dificuldade sempre será na saúde. Vivemos em um país de terceiro mundo em que as pessoas precisam de atendimento público de saúde. Na saúde encontramos filas como para exames para angiologia, com 300 pessoas no aguardo; cardiologia, 200; cirurgia geral, 270; dermatologia, 203; endoscopia, quase 500; neurologia, quase 300; oftalmologia, mais de 600; ressonância magnética, mais de 200, e por aí vai. Ou seja, as filas que encontramos para estes exames e especialidades são, de maneira geral, bastante extensas, mas já tínhamos este conhecimento. Porém, não faremos nada ilegal para acabar com estas filas. Estamos tomando medidas importantes e realizando ações relevantes. Há, inclusive, algumas filas que já reduziram consideravelmente. Em dermatologia, por exemplo, de 203 sobraram 19 para reconsulta e no sábado (último fim de semana) teremos um grande evento para zerar a fila. E aí, na medida das possibilidades, zerar estes acúmulos. Sabemos que fila vai ter, pois sempre haverá pacientes que procuram a municipalidade para receber o atendimento em saúde. Contudo, queremos reduzir estes números grandes que temos dentro destas especialidades. De modo que, sim, a saúde representa a grande dificuldade que encontramos devido ao número de atendimentos que a prefeitura precisa fazer.

 

OP: O senhor considera estes números como uma eventual omissão do governo que lhe antecedeu?

MR: Eu não sei dizer, porque não estava no governo. Eu preciso respeitar a forma que a administração me antecedeu trabalhou com isso. Eu não vou trabalhar assim. Vamos reduzir estas filas, pois é inadmissível um paciente estar esperando desde 2015 para fazer um exame. Precisamos zerar para chegarmos em abril de 2018 e não ter mais pessoas que pediram exames em 2016 na fila de espera. Então queremos chegar ao final de 2017 com um número pequeno de pessoas aguardando a sua vez para receber o atendimento nestas especialidades.

 

OP: O senhor mal foi empossado prefeito e recebeu cobranças para que a UPA entrasse em funcionamento e o Hospital Municipal iniciasse a realização de cirurgias, o que agora está prestes a acontecer. O senhor considera uma grande vitória já neste início de mandato?

MR: Muito importante. Pegamos o Hospital Municipal documentalmente desorganizado. Primeiro precisamos entender que estrutura física é uma coisa, e documentação é outra. O nosso hospital sequer tinha alvará de funcionamento e nem CNPJ. Usava o CNPJ do Fundo Municipal de Saúde, o que não pode. O gestor passado construiu a unidade, o que é importante, mas não organizou. Essa organização passa pela chefia de enfermagem, que foi trocada. O enfermeiro que está lá fez o que precisava ser feito e tudo já está muito bem organizado. O gestor passado adquiriu o centro cirúrgico, mas deixou ocioso. Entendemos que este centro cirúrgico precisa entrar em operação e vamos dar atendimento às gestantes, que tanto querem, e alguns tipos de cirurgias eletivas de menor grau de complexidade. Entendo que até o fim do mês de maio já será possível fazer os partos e começaremos alguns procedimentos eletivos no primeiro semestre e outros no segundo semestre. É uma grande vitória em tão pouco tempo este hospital funcionar na parte cirúrgica. Já a UPA é uma piada de muito mal gosto. Foi feita a inauguração sem nenhum equipamento e receber cobrança em cima disso é de mais mal gosto ainda. Mas estamos fazendo tudo com os pés no chão e dentro das possibilidades do município, pois há questões orçamentárias também. Recebemos o município com um problema no índice de limite prudencial bem perigoso, resultante dos números altíssimos dos quatro últimos meses da gestão de 2016. Portanto, precisamos trabalhar com muita responsabilidade para que seja possível fazer tudo que a sociedade espera do gestor público municipal.

 

OP: Na área de educação, uma demanda constante é por vagas de creche. O que o governo já vem fazendo para diminuir a fila de espera?

MR: Recebemos o ano de 2017 com uma demanda de mais de 300 crianças que aguardavam vagas em Cmeis (Centros Municipais de Educação Infantil). Então tomamos a decisão de transformar o antigo Cemep (Centro Municipal de Ensino Profissionalizante) em um Cmei, de modo que o Cemep e a Biblioteca Pública serão instalados temporariamente na antiga sede da Acimacar. Faremos as devidas adequações para atender aproximadamente 150 crianças na área central da cidade. Além disso, elaboramos projetos para fazer duas salas de aula no Cmei no Santo Amaro e três salas de aula no Cmei da Vila Gaúcha. Precisamos tentar reduzir, consideravelmente, esta fila extensa que recebemos de crianças que esperam vagas em Cmeis.

OP: O governo municipal decidiu promover reuniões descentralizadas nos bairros e distritos até como forma de ouvir a comunidade. O senhor sentiu essa necessidade de haver logo essa aproximação com os rondonenses e sair do gabinete?

MR: Aqueles que acham que o prefeito não sai do gabinete estão bem equivocados, pois todos os dias estou nas ruas acompanhando a execução dos trabalhos. Me comprometi no passado a fazer gestão democrática e não entendo gestão democrática sem ouvir as pessoas. Seria impossível. Então trabalhamos durante os três primeiros meses para organizar muita coisa na prefeitura e agora saímos com uma equipe para ouvir as comunidades. Já tivemos algumas reuniões em distritos e bairros e vamos ter isso ao longo de todo mês de abril para que consigamos ouvir os anseios. Os rondonenses são os sabedores dos problemas que existem nas suas localidades. Precisamos dar a oportunidade para a população se manifestar. Isso é gestão democrática e desta forma vamos trabalhar até o fim deste mandato.

 

OP: O senhor tem constantemente ido a Curitiba em busca de recursos e para encaminhar projetos. Há boas expectativas por parte do Governo do Estado? É possível adiantar algo que já está encaminhado?

MR: Muito boas. Estamos recebendo uma verba de R$ 120 mil para a saúde, recurso que nos foi dirigido pelo deputado Elio Rusch; R$ 350 mil para pavimentação asfáltica em bairros, recurso também do deputado Elio;

R$ 200 mil do deputado José Carlos Schiavinato para fazer pavimentação poliédrica; não como resultante das nossas viagens à Capital, mas recebemos R$ 100 mil de emenda do senador Roberto Requião. Estamos em contato semanal com as secretarias estaduais. Na última terça-feira (04) fizemos o pedido oficial para liberação de R$ 3 milhões para compra de máquinas agrícolas para as secretarias de Viação e Serviços Públicos e de Agricultura e Política Ambiental. No retorno de Curitiba já recebemos a notícia de que devemos estar na terça-feira (hoje, 11) novamente na Capital para receber a autorização do governador a este financiamento, com o qual será possível comprar nove equipamentos, entre eles duas pantaneiras, máquina tão desejada por nossos munícipes e que estranhamente o município não tinha. Conseguimos disponibilizar 100 casas populares para as famílias de baixa renda e já estamos trabalhando para que, o mais rápido possível, seja possível fazer essa parceria com a Cohapar (Companhia de Habitação do Paraná). Protocolamos algumas demandas junto ao DER (Departamento de Estradas de Rodagem), dentre elas a possibilidade de fazer uma readequação no Contorno Sul (anel viário). Então existe uma conversa que vamos oficializar para que o DER disponibilize a massa asfáltica e o município executa a obra. Se conseguirmos será importante.

 

OP: Havia um projeto antigo para realocar a Secretaria de Viação e Serviços Públicos de local, cujo objetivo era evitar o trânsito de veículos pesados na região central da cidade. Com a aquisição de novos maquinários agrícolas o senhor reavalia esta necessidade?

MR: Já conversamos e iniciamos um tratamento sobre este assunto, mas obviamente que é uma obra relativamente grande e importante. Grande não só fisicamente, mas financeiramente também. Então para o ano de 2017 acho que ainda vamos manter o parque de máquinas dentro da cidade. Isso não é uma decisão definitiva, mas creio que é algo que ainda vai acontecer neste ano, pois não temos condições de tirar estes equipamentos da região central da cidade pois, como já mencionei, existe a questão financeira. Porém, penso que em 2018 é bem possível que consigamos tirar o parque de máquinas daqui para que seja possível instalar neste espaço, relativamente grande, onde hoje funciona a Secretaria de Viação e Serviços Públicos, um equipamento importante para o município.

 

OP: Em relação à política local, a sua coligação elegeu oito vereadores. Quais têm sido os principais desafios visando manter todos unidos no grupo?

MR: Eu entendo que os oito estão unidos com o grupo político. Em todas as nossas reuniões e contatos tudo sempre ocorreu de forma harmoniosa. Obviamente que por vezes um vereador ou outro faz um pedido e não é atendido, mas sempre que não há o atendimento existe a justificativa do por que, e assim se faz dentro de um grupo. O tratamento é democrático e respeitoso. Eu respeito eles e eles me respeitam. Eles respeitam minhas decisões aqui, eu respeito as decisões deles lá. É possível verificar que alguns posicionamentos de vereadores na Câmara parecem que vão contra a vontade do prefeito, mas não. O prefeito respeita a opinião de cada um, independente de qual seja. Os 13 têm um posicionamento e respeito todos. De modo que a relação entre o prefeito e os vereadores eleitos na base do grupo que hoje administra o município é muito boa.

 

OP: O senhor afirmaria hoje que o grupo possui os oito vereadores leais?

MR: Não. O grupo possui mais do que oito vereadores.

 

OP: Possui quantos?

MR: Possui todos aqueles que forem importantes para o desenvolvimento do município. Se precisar de sete, nós temos sete; se precisar de oito, nós temos oito; se precisar de dez, nós temos dez. Ou seja, a grande maioria dos vereadores que hoje ocupa cadeira na Câmara é maduro e sabe muito bem o que está fazendo lá naquela Casa de Leis.

 

OP: A comissão provisória do Democratas expirou. O senhor já está tratando da renovação com o deputado Elio Rusch? O senhor pretende continuar na presidência?

MR: Embora hoje esteja afastado, eu não gostaria de continuar na presidência do Democratas devido às atribuições que tenho enquanto prefeito. Estamos conversando de forma simples para encontrar o melhor nome para conduzir a sigla. Contamos com inúmeras pessoas que têm competência. A minha ideia é sempre oxigenar e colocar pessoas novas. Fiz isso como presidente e acho que este é o caminho.

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