Marechal Epidemia

Com 1.745 casos confirmados e quatro óbitos, dengue continua preocupando em Rondon

(Foto: O Presente)

Nas últimas semanas, fala-se muito sobre o coronavírus, o que causou nas pessoas um comportamento de cuidado e isolamento. Todavia, elas não devem deixar a preocupação com a Covid-19 neutralizar as ações de combate e/ou prevenção à dengue.

O Paraná já soma 69 mortes confirmadas pela doença, desde agosto de 2019, conforme boletim divulgado no último dia 31 pela Secretaria de Estado da Saúde. Somente na semana passada foram 12 mortes. O total de casos chegou a 87,9 mil, um acréscimo de 14,67% em relação à semana anterior. São 11.245 novos casos confirmados.

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Em Marechal Cândido Rondon, segundo o Setor de Epidemiologia da Secretaria de Saúde, há 1.745 casos confirmados de dengue. Neste ano, foram registrados quatro óbitos em decorrência da doença, sendo três por dengue hemorrágica. Sobre o óbito ocorrido recentemente, o município ainda não recebeu um parecer do comitê de investigação do Estado, que é quem classifica os casos, para saber se a morte foi provocada por dengue hemorrágica ou não.

 

TRABALHO NÃO PARA

O Setor de Endemias é o responsável pelas visitas nas residências e é quem acompanha de perto onde estão os focos do mosquito transmissor da dengue em Marechal Rondon. De acordo com o chefe, Sérgio Radke, percebe-se que com o grande número de campanhas e com tantas informações, as pessoas melhoraram bastante o cuidado com a dengue em suas residências. “Até porque, com o grande número de infectados, cada um já teve pelo menos alguém da família que teve dengue, e isso leva a cuidados maiores. Quando atinge alguém que nós conhecemos, alguém que é próximo, nós tendemos a nos cuidar mais”, enaltece.

Radke compara o cuidado com a dengue a um eterno “enxugar gelo”. “Se não cuidarmos, daqui a pouco volta tudo novamente. Então, é um cuidado permanente. O preço da tranquilidade é a eterna vigilância. Precisamos continuar focados na prevenção”, salienta.

 

ARRASTÕES

Ao longo dos últimos meses foram feitos arrastões em diferentes regiões de Marechal Rondon, ocasiões em que foram recolhidos restos de entulhos e lixos que a população tirou de dentro dos seus terrenos e a prefeitura fez uma força-tarefa para carregar os materiais e produtos descartados. O objetivo era que possibilitar que os focos de criadouro do Aedes aegypti fossem eliminados.

“Estamos preparando um outro arrastão, que será na parte final da cidade. Vamos pegar a Avenida Rio Grande do Sul, da delegacia em diante, sentido ao cemitério. A margem esquerda, até o final da cidade. Com esse arrastão concluiremos a última parte desta ação”, explica Radke.

Com as medidas de proteção para evitar a propagação do novo coronavírus, a Secretaria de Saúde ainda não tem uma data para a realização do último arrastão, porém vai informar a população com antecedência para que esse trabalho de recolha de lixo seja feito com sucesso.

“Foram mais de 500 caminhões com lixo recolhidos desde o primeiro arrastão no ano passado. Marechal Rondon tem em torno de 970 quarteirões. É uma quantidade grande. O arrastão em si, não é do que sai dele, mas a movimentação das pessoas que ajudam. No último que tivemos, antes do coronavírus, a sociedade civil ajudou, a Associação Comercial e Empresarial (Acimacar), assim como muitas outras entidades e pessoas da comunidade no geral, que foram muito prestativas. Houve uma mobilização muito bonita, muito forte e muito útil”, enaltece o chefe do Setor de Endemias

Ele salienta que o trabalho em conjunto teve seus frutos, mas pontua que a comunidade não pode descuidar. “Agora, com o fumacê em atuação, a tendência é que nós consigamos fazer esses números regredirem, é o que nós esperamos, porque nós vamos diminuir a população de mosquitos”, pontua.

 

FUMACÊ

Um dos aliados na contenção da proliferação do mosquito da dengue no município foi o fumacê, afirma Radke. “Começamos com o fumacê no Bairro Barcelona, vindo para o Primavera, descendo em direção ao Bairro Ana Paula. Isso uma das caminhonetes. Nós temos três. A outra que iniciou pelo Bairro Botafogo, Recanto Feliz, descemos para o Espigão, Rainha, Alvorada, até chegar ao centro. Outra caminhonete começou nessa altura do centro e foi em direção à Vila Gaúcha, até a entrada para o Clube Lira”, detalha.

No cronograma de aplicações está a realização de cinco ciclos, sendo que cada passada das caminhonetes pelos bairros é considerada um ciclo. Então, a população verá a caminhonete do fumacê passando em frente às residências cinco vezes. Cada passada terá um intervalo de no mínimo três dias.

“Nós não podemos informar ao certo o dia em que o fumacê irá passar em frente à casa das pessoas, porque a gente depende de muitas condições, mas quando as pessoas souberem, sentirem ou ouvirem que está passando o fumacê, a orientação é que se afastem da beirada da rua, afastem crianças, idosos, grávidas. Abram a casa para que as partículas entrem nos ambientes, tirem roupas do varal, cubram utensílios de uso pessoal, protejam os animais, trocando a comida e a água, porque as partículas assentam e acabam indo para comida deles, podendo ser tóxico”, orienta o chefe do Setor de Endemias.

O uso do fumacê, associado com os arrastões, destaca ele, tende a ser eficaz, porque quando a população mexe com entulhos, galhos e os leva para a rua, os mosquitos tendem a sair de sua zona de conforto e voam, parecido com o que acontece quando corta-se a grama. Com esse mosquito no ar, acrescenta, o fumacê o atinge, sendo um forte aliado para evitar a proliferação do Aedes aegypti.

“As perspectivas são boas se continuarmos cuidando. No Setor de Endemias o pessoal está na rua direto, atacando os focos do mosquito. A esperança, e o que nós entendemos, é que o nosso trabalho já está surtindo efeito. Acredita-se que a curva da dengue já está descendente”, enaltece Radke.

 

Chefe do Setor de Endemias, Sérgio Radke: “Se não cuidarmos, daqui a pouco volta tudo novamente, então é um cuidado permanente. O preço da tranquilidade é a eterna vigilância. Precisamos continuar focados na prevenção” (Foto: O Presente)

 

NÚMEROS DEVEM DIMINUIR

Segundo ele, o trabalho realizado pelos agentes de endemias continuam a ser realizados. “Hoje os agentes não estão entrando nas casas das pessoas para evitar contaminação, então é feito todo um trabalho externo na propriedade, porque cerca de 90% dos focos são encontrados no pátio”, aponta.

O chefe do Setor de Endemias diz que, com base no dia a dia de trabalho, é possível afirmar que todas as regiões de Marechal Rondon têm casos confirmados de dengue. “Agora com a aplicação do fumacê, creio que o quadro começa a estabilizar, e a partir desse momento, com as temperaturas passando a ficar mais amenas, devido ao avanço do outono e à proximidade do inverno, as coisas começam a melhorar e o número de casos diminuir. Nós que estamos a campo todos os dias, com os agentes, cremos que lentamente esse mês começa a decrescer o número de casos”, reforça.

 

EPIDEMIA DE 2015

No ano de 2015, Marechal Rondon passou por uma epidemia de dengue similar à de agora, porém, se comparados os números, naquele ano houve apenas uma morte por dengue, sendo que, em 2020, até o momento já foram contabilizadas quatro. “Vínhamos de pouquíssimos casos, e de uma hora para outra estourou e subiu, porque nós não tivemos inicialmente a ajuda desse aliado que é o fumacê, e isso agravou toda a situação”, considera Radke. “Certamente que a postura de uma parcela da população mudou bastante, mas ainda existem pessoas que não cooperam. Muitas melhoraram no engajamento, mas outras, apesar de todas as campanha de conscientização, não. Mesmo com tudo o que é divulgado na mídia e todo o trabalho feito pelo Setor de Endemias, muitos rondonenses não ajudam”, reitera.

 

AÇÃO CONTÍNUA

Conforme o chefe do Setor de Endemias, os números se estabilizarão em algum momento, mas os trabalhos de prevenção precisam continuar. “Vamos continuar com ações durante o inverno, durante o próximo verão e assim por diante. É um trabalho constante. Não vamos resolver 100%, então a prevenção é sempre o melhor caminho e é um trabalho contínuo. Hoje estamos tratando de dengue, mas daqui para frente poderemos tratar de outras doenças que são transmitidas pelo mesmo mosquito. O trabalho continua e é importante que as pessoas criem o hábito de prevenção, que é a melhor maneira. Não havendo mosquitos não há transmissão, e sem a transmissão não há a doença”, ressalta.

 

Mesmo em tempos de medidas restritivas visando à prevenção da Covid-19, agentes de endemias continuam com o trabalho de fiscalização nos terrenos (Foto: O Presente)

 

O Presente

 

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