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Marechal Surto de miopia

Exposição excessiva a telas leva mais rondonenses ao oftalmologista

(Foto: Divulgação)

Sem descanso para os olhos, os estímulos visuais luminosos estão a nossa frente a cada vez por mais tempo: do notebook para o celular, dali para a televisão e de volta ao computador. É assim que muitas pessoas têm passado os seus dias durante os momentos de isolamento social.

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Enquanto outrora se passava apenas alguns períodos do dia em frente às telas, hoje, com a necessidade de não aglomerar, o ficar em casa muitas vezes significa assistir algo ou, simplesmente, vagar nas redes sociais. Descanso do trabalho/estudo, mas não para os olhos.

Dados da Sociedade Brasileira de Lentes de Contato (Soblec) indicam que, em virtude dos comportamentos obtidos na pandemia, percebe-se um aumento na incidência de miopia em crianças e adolescentes. Estima-se, ainda, que 57 milhões de brasileiros são míopes em algum grau e, conforme a entidade, a tendência é piorar. Como endosso, a Organização Mundial de Saúde (OMS) calcula que metade da população mundial deve ter miopia até 2050.

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Médica oftalmologista e diretora técnica do Hospital de Olhos Rondon, Verônica Perazolo: “Geralmente, quando estamos à frente do computador ou celulares pisca-se menos, o que causa a sensação de olhos secos e leva as pessoas a esfregarem mais os olhos, o que não deve ser feito” (Foto: Arquivo/OP)

 

CAUSA EM POTENCIAL

De acordo com a médica oftalmologista e diretora técnica do Hospital de Olhos Rondon, Verônica Perazolo, a maior exposição a telas pode, sim, interferir na saúde dos olhos. “Geralmente, quando estamos à frente do computador ou celulares pisca-se menos, o que causa uma sensação de olhos secos e leva as pessoas a esfregarem mais os olhos, o que não deve ser feito”, declarou ao O Presente.

Além disso, a oftalmologista rondonense aponta que a proximidade às telas também gera efeitos. “O pouco uso da visão para objetos a distância pode favorecer o desenvolvimento da miopia”, expõe.

Para o oftalmologista Jean Pierre Mette Batisti, a pandemia e o consequente home office trouxeram problemas de visão que antes eram latentes e agora estão no cotidiano. “É crescente o número de pacientes que procuram o consultório com sintomas de olho seco, fadiga e flutuação visual. Em geral, os sintomas são apresentados após o início do trabalho em home office. Com orientação adequada e, quando necessário, prescrição correta de lentes corretivas, a qualidade visual, laboral e de vida dos pacientes melhora”, enaltece.

 

SÍNDROME DO USUÁRIO DE MÚLTIPLAS TELAS

Apesar de ter ficado mais “popular”, o médico destaca que o problema com telas e luz artificial não é algo recente e, na literatura médica, fala-se da Síndrome do Usuário de Múltiplas Telas. “Essa síndrome é responsável por sintomas oculares que causam grande desconforto e podem até dificultar a capacidade laboral. São eles: dores de cabeça, dores oculares e atrás dos olhos, olhos vermelhos, lacrimejamento, flutuação visual, cansaço, fadiga e até mesmo baixa visual”, detalha ao O Presente.

Parte das discussões atuais sobre saúde dos olhos, menciona Batisti, tem como pauta a luz azul nociva, prejudicial às células da retina e que acentuam doenças. “Parte dos especialistas recomendam filtros de luz azul nos óculos, com a finalidade de evitar danos”, comenta.

Ao passo que a luz artificial prejudica, a menor exposição à luz natural também gera problemas, observa o oftalmologista. “Estudos populacionais, principalmente em populações orientais, têm alertado para uma maior incidência de miopia em crianças, principalmente naquelas que são inseridas no mundo das telas nas idades mais precoces. Hoje, sabe-se que a exposição à luz natural é um forte fator de prevenção à miopia”, salienta.

 

CANSAÇO VISUAL

Apesar dos índices notados em níveis nacionais, a médica diz que não tem percebido aumento nas consultas oftalmológicas em seu consultório em Marechal Rondon. Quanto à piora da saúde dos olhos com a pandemia, Verônica afirma que não há estudos comprovatórios a respeito e, tratando-se do município rondonense, aparentemente isso não aconteceu.

“Talvez por forçarem mais a visão, tenha causado um cansaço visual, levando a pessoa a sentir necessidade do uso de lentes corretivas de baixo grau, o que antes não precisava”, constata ela, que atua no ramo da oftalmologia há cerca de 28 anos em Marechal Rondon.

 

PERFIL DOS PACIENTES

De acordo com a oftalmologista, o perfil de pacientes que se sobressai no município é o de pessoas com profissões que exigem esforço visual e estudantes. O motivo mais recorrente para as consultas, contudo, não é possível de ser definido, pontua. “Há problemas visuais característicos relacionados à idade e também a doenças, tipo diabetes, que podem prejudicar a visão”, relata.

Batisti também não presenciou um aumento no número de consultas, mas constatou uma mudança no perfil dos pacientes. “Aqueles que antes faziam reuniões e demais atividades predominantemente de forma presencial, agora sentem o desconforto das telas e nos procuram para atualizar os óculos e ter orientações quanto ao uso adequado do computador, lubrificação ocular, etc”, expõe, acrescentando: “O que sobressai no consultório hoje é o adulto jovem e o paciente intolerante à lente de contato, que precisa de um exame mais detalhado, pois está suscetível às complicações relacionadas ao uso de lentes”.

O médico conta que a questão mais frequente relatada no seu consultório é a dificuldade de lidar com telas. “A pandemia agravou e evidenciou este problema. Quem antes sentia um leve desconforto e turvamento na visão de perto, com a pandemia teve de procurar atendimento a fim de diminuir os sintomas”, aponta.

 

“HIPERTROFIA” DO MÚSCULO CILIAR

Verônica explica que a miopia acontece devido ao uso excessivo da visão para perto, gerando uma “hipertrofia” do músculo ciliar. “A miopia é uma alteração da visão relacionada à anatomia dos olhos e possui relações com a genética”, detalha.

Nas palavras de Batisti, a miopia acontece “quando os raios de luz entram nos olhos e, ao serem convergidos pelas nossas lentes naturais (córnea e cristalino), formam a imagem anterior ao plano da retina”. Há, segundo ele, três maneiras de formação da miopia: um globo ocular comprido, o excesso de poder das lentes naturais dos olhos ou por mudança no índice de refração nos meios oculares pelos quais a luz passa, fenômeno nítido em pacientes diabéticos.

 

Médico oftalmologista Jean Pierre Mette Batisti: “Estudos registram o aumento nos casos e na gravidade da miopia, relacionados ao uso de telas e baixa exposição ao ambiente aberto como principais responsáveis, principalmente quando crianças são expostas a telas desde muito novas” (Foto: Divulgação)

 

SURTO DE MIOPIA

Antes da comunidade se atentar à Covid-19, a pandemia de miopia já era uma preocupação dos oftalmologistas, afirma Batisti. De acordo com ele, o surto de miopia não é recente e vem sendo alertado. “Estudos registram o aumento nos casos e na gravidade da miopia, relacionando o uso de telas e baixa exposição ao ambiente aberto como principais responsáveis, principalmente quando crianças são expostas a telas desde muito novas”, frisa, acrescentando, contudo, que a pandemia do coronavírus ainda é muito recente para que se afirme um possível agravamento no número de míopes.

O médico ressalta ainda a existência de uma falsa miopia, o que requer avaliação médica minuciosa. “Ocorre devido ao espasmo de acomodação, ou seja, quando o paciente força de maneira excessiva a visão para perto”, explica.

 

PREVENÇÃO

De acordo com Verônica, não há muito o que ser feito para evitar a miopia, porém algumas medidas podem minimizar a ocorrência. “Intervalos constantes aos esforços visuais e o uso da visão mais frequente para longe para relaxar o músculo ciliar podem ajudar. O tratamento é baseado em lentes corretivas, seja óculos ou lentes de contato. Quando o grau se estabiliza, é possível pensar em tratamento cirúrgico”, amplia.

Batisti, por sua vez, retoma o fator exposição excessiva e precoce a telas versus a baixa exposição a luzes naturais como meio de desenvolver a miopia para buscar maneiras de evitá-la. “Corrigir essas influências externas pode ser uma forma de prevenção. Ao míope, é importante passar por avaliação médica periódica com o objetivo de estabelecer o mecanismo da miopia, propor o melhor tratamento, seja com óculos, lentes de contato, cirurgia refrativa ou outra terapia específica em casos especiais, bem como acompanhar a do grau de miopia, pois é sabido que a miopia em si é um forte fator de risco para outras doenças oculares”, finaliza.

 

O Presente

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