Marechal Laura Lis

História de bebê que comoveu a comunidade rondonense tem final feliz; confira

Depois de 23 dias de internamento, de passar pela UTI e algumas cirurgias, bebê rondonense de um ano e quatro meses que se feriu com soda cáustica voltou para casa. Recuperada, ela ainda terá que passar por novos procedimentos médicos. “Peço que Deus abençoe, dê saúde e vida-longa a cada pessoa que rezou pela gente”, destaca a mãe, Indianara (Foto: Sandro Mesquita/OP)

“Eu entreguei a Laura para a médica da UPA (Unidade de Pronto Atendimento), me ajoelhei e disse a Deus: estou te entregando a minha filha, por favor, me devolve ela curada, e foi o que Ele fez”, conta Indianara Willemann, mãe de Laura Lis Willemann, a pequena que protagonizou, recentemente, uma história que comoveu a comunidade de Marechal Cândido Rondon.

Ver o sorriso da pequena Laura, de um ano e quatro meses, correndo de um lado para o outro, causa admiração e alegria, considerando a gravidade dos ferimentos que ela sofreu.
Laura foi vítima de um acidente doméstico no dia 12 de maio na casa da babá, em Marechal Rondon. A criança teve queimaduras na boca e na região do abdômen, após tentar ingerir acidentalmente soda cáustica.

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Laura e a mãe Indianara ao lado de parte das bonecas que a filha ganhou de pessoas que se comoveram com o caso da menina (Foto: Sandro Mesquita/OP)

 

O ACIDENTE

Indianara relembra com angústia o dia em que recebeu a ligação da babá para comunicar que algo havia acontecido com sua filha. Ela explica que normalmente a babá enviava fotos ou vídeos para mostrar que a criança estava bem, e que nunca precisou ligar. Mas naquele dia, a ligação da babá deixou a mãe preocupada. “Eu atendi e ela me falou, num tom desesperado, que a Laura tinha colocado alguma coisa na boca e estava gritando muito”, relata Indianara.

Ela conta que pediu para a babá levar rapidamente a criança para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA), onde foram feitos os primeiros atendimentos.

A mãe diz que desligou o telefone, largou tudo que estava fazendo e se dirigiu à UPA para ver o que havia acontecido com a filha. “Lembro que quando eu entrei no carro pedi pra Deus não deixar que nenhum carro entrasse na minha frente. Eu não cruzei com nenhum carro. Essa foi a primeira graça que Deus fez pela gente”, comenta Indianara, emocionada.

A rondonense menciona que quando chegou na UPA ouviu os gritos de Laura e logo que se identificou como a mãe da criança foi levada ao encontro da filha. “Quando peguei ela no colo para tentar acalmá-la, percebi que havia uma marca na blusa dela”, pontua.

Indianara expõe que até então ninguém sabia o que havia provocado o ferimento no rosto da filha, e que tanto a babá quanto a mãe dela falavam apenas que a menina havia derramado algo sobre si. “Inicialmente elas também não sabiam o que era”, declara.

De acordo com a mãe de Laura, a babá relatou que quando viu o ferimento no rosto, lavou a boca da criança com água. “Acredito que elas não viram, porque a Laura estava com uma roupa de lã, pois quando eu peguei ela também não senti nada molhado, então não foi visto que ela tinha alguma coisa dentro do corpinho”, explica.

Após a equipe médica retirar a roupa da criança foi constatado que além da lesão na boca, a queimadura se estendia a partir do abdômen até pouco abaixo da cintura.

Segundo Indianara, diante da gravidade da lesão, a médica que prestou o primeiro atendimento na UPA decidiu solicitar uma vaga para transferir a paciente para um hospital.

Aproximadamente três horas após a entrada na UPA, Laura passou pelo procedimento de entubação e foi transferida para o Hospital Universitário (HU) em Cascavel.

No município vizinho foi realizada uma endoscopia, que felizmente, pontua a mãe, descartou a ingestão de qualquer tipo de produto, o que tornaria o caso muito mais grave.

Enquanto recebia atendimento em Cascavel e aguardava uma vaga em um hospital especializado em queimados, os médicos do HU receberam a informação de que o produto causador da lesão em Laura era soda cáustica.

Imediatamente, e ainda em coma induzido, a equipe médica do HU submeteu Laura a uma cirurgia para a remoção da pele necrosada.

Dois dias após a internação no HU de Cascavel, Laura foi transferida de helicóptero para uma Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) no Centro de Tratamento de Queimaduras (CTQ) do Hospital Universitário de Londrina, no Norte do Estado.

Indianara Willemann, mãe de Laura: “Ver um filho em coma, no estado que ela estava, não é fácil, mas eu estava tranquila porque tinha fé que ela ficaria bem” (Foto: Sandro Mesquita/OP)

 

INTERNAMENTO

Desde a transferência para o HU de Cascavel até a alta hospitalar em Londrina foram longos 23 dias de internamento, porém, segundo a mãe da menina, foi necessário permanecer por mais alguns dias em Londrina. “No total nós ficamos 35 dias porque ela precisou passar por uma cirurgia um dia antes de receber alta”, detalha.

 

RECUPERAÇÃO

A recuperação de Laura surpreendeu toda a equipe médica que atendeu a criança no HU de Londrina. “Eu saí de Cascavel com uma previsão de 60 a 90 dias de internamento, mas ela evoluiu de uma forma tão incrível que surpreendeu a todos”, comemora Indianara.

Ela diz que devido à gravidade do ferimento, foi necessário fazer cerca de 60 pontos e por conta disso a previsão dos médicos era de que ela demoraria alguns dias para conseguir sentar e voltar a andar. “Mas no dia seguinte ela já estava sentando”, compartilha.

Em poucos dias Laura já estava andando pelos corredores do hospital. “No primeiro dia da fisioterapia, ela queria empurrar o soro, como quem diz: tô bem, quero ir para casa. E hoje estamos levando uma vida praticamente normal”, comemora Indianara.

 

O TRATAMENTO

Apesar de Laura estar bem melhor, a família terá que levá-la a Londrina a cada 14 dias para realizar alguns procedimentos médicos. “As feridas já estão bem cicatrizadas, mas ela terá que usar uma malha de compressão para evitar a expansão. Temos muitos cuidados ainda para tomar, inclusive talvez ela precise passar por plásticas, mas isso será avaliado conforme acontecer o tratamento”, explica Indianara.

Laura terá que continuar o tratamento no Hospital Universitário na cidade de Londrina (Foto: Sandro Mesquita/OP)

 

ANTES DO ACIDENTE

A mãe conta que a gestação da filha foi considerada de risco, e por conta disso ela foi obrigada a ficar em casa para se dedicar à gestação, uma vez que isso não foi possível na gravidez de Gabriel, primeiro filho dela e do marido Jair.

Um ano após o nascimento de Laura, Indianara precisou voltar ao mercado de trabalho e arrumou um emprego em fevereiro deste ano.

A mãe explica que enquanto a família aguardava uma vaga em um Centro Municipal de Educação Infantil (Cmei), a filha foi matriculada em uma escola particular. No entanto, a escola precisou fechar por conta da pandemia do coronavírus (Covid-19).

Ela menciona que, em vista disso, a criança ficava aos cuidados de alguns parentes, mas por causa dos transtornos que isso poderia causar, o casal decidiu contratar uma babá para cuidar da filha.

A rondonense explica que há cerca de um mês a criança estava ficando na casa da babá. “A rotina nossa era levar ela de manhã, pegar ao meio-dia para almoçar e amamentar, levar ela de volta para a casa da babá e pegar às seis horas da tarde”, relata.

 

MOMENTO DA ACIDENTE

Segundo Indianara, as pessoas que estavam na casa da babá no dia do acidente relataram que haviam se mudado para a residência recentemente, e um ralo do banheiro apresentou problema. A fim de tentar desentupir o cano, a vó da babá pegou o recipiente com a soda cáustica, mas quando ela foi até o local para colocar o produto no ralo, o banheiro estava ocupado, então, ela colocou a embalagem com o produto em cima de um climatizador de ar em um dos quartos.

De acordo com Indianara, a babá relatou que assim que viu que a criança estava saindo da sala, foi atrás da menina. “Quando ela levantou para ir atrás, a Laura já estava na pontinha dos pés pegando”, conta a mãe.

Segundo ela, o acidente aconteceu muito rápido, e ela acredita que a menina possa ter pensado que dentro da embalagem havia água. “A Laura é uma criança que toma muita água. Acho que quando ela viu o potinho, logo levou para a boca por causa disso”, sugere.

A mãe da pequena comenta que na tarde do dia do acidente, já no HU em Cascavel, chegou a informação de que o produto era mesmo soda cáustica. “A vó entrou em estado de choque. Ela só chorava e não conseguia falar o que era, mas eu não a culpo porque poderia acontecer com qualquer pessoa”, ressalta.

Os dias de sofrimento ficaram para trás: hoje o que se vê é o sorriso fácil no rosto da pequena Laura (Foto: Sandro Mesquita/OP)

 

GRATIDÃO

“Eu gostaria de agradecer de todo o coração cada pessoa que se comoveu com o caso da minha filha. A gente sentiu muito esse amor que vinha. Cada palavra de carinho, cada palavra de apoio. Eu peço que Deus abençoe, dê saúde e vida-longa a cada pessoa que rezou pela gente”, destaca Indianara.

O acidente com a pequena Laura causou uma enorme comoção e despertou o sentimento de solidariedade em muitas pessoas que acompanharam o caso. A ajuda veio em forma de orações e palavras de conforto, o que, conforme Indianara, foi fundamental para a recuperação de Laura. “Eu acho que foi Deus colocando pessoas boas no caminho da gente”, salienta.

Ela enaltece o trabalho de todos os profissionais da área da saúde que atenderam sua filha, desde o primeiro atendimento na UPA em Marechal Rondon até os procedimentos em que Laura passou no HU de Cascavel e Londrina. “Hoje a Laura tá aqui graças a Deus e a todos os médicos que tomaram todas as decisões, e foram as melhores. Graças a eles nossa menina está de volta em casa”, agradece Indianara.

Ela conta que durante os 23 dias de internamento hospitalar conheceu muitas pessoas dispostas a ajudar de alguma maneira. “Algumas pessoas me trouxeram comida, falando: a gente sabe que comida de hospital não é legal; pessoas trazendo presentes para Laura com cartas, e essas cartas trouxeram muita força para a gente”, evidencia.

Entre as inúmeras pessoas que apoiaram de alguma forma, ela faz um agradecimento especial a uma família de Londrina que custeou toda a despesa com a hospedagem de Indianara durante os dias que acompanhou o tratamento da filha. “Quero agradecer de todo meu coração a Ana Cláudia Cavina, seu esposo Wilson, Thaís Mallmann e a toda a família. São pessoas incríveis. Eu tenho certeza que foi Deus que colocou vocês em nosso caminho”, considera.

Ela afirma que tudo que aconteceu com a filha lhe deu mais força e a fez enxergar a vida com outros olhos. “Eu penso em estender essa solidariedade, aproveitar esse momento que todo mundo está olhando para a Laura e ajudar outras pessoas também. Retribuir tudo que fizeram pela gente”, revela.

 

AJUDA

Indianara relata que precisou sair do emprego para se dedicar exclusivamente aos cuidados com a filha e, por conta disso, a família está passando por dificuldades financeiras. “A gente ainda vai precisar de ajuda nesse sentido, porque o tratamento dela ainda não terminou”, expõe.

Para tentar conseguir recursos para continuar o tratamento, a família pensa em realizar uma rifa.
Quem quiser ajudar pode entrar em contato pelo telefone (45) 99907-8844 ou no perfil do Instagram: @laura_lis_baby.

 

SODA CÁUSTICA

O hidróxido de sódio (NaOH), mais conhecido como soda cáustica, é um composto químico altamente corrosivo e reativo, que é utilizado na indústria como base para a fabricação de detergentes, alimentos, papel, tecidos, borrachas e dezenas de outros produtos.

Apesar de não indicado, é muito usado para desentupir pias e vasos sanitários.

Em contato com a pele, a soda cáustica causa graves lesões. Para minimizar a gravidade dos ferimentos a pessoa deve retirar a roupa que teve contato com o produto, lavar o local atingido com água gelada e procurar atendimento médico o mais rápido possível.

Todo e qualquer produto químico, a exemplo de medicamentos, devem ser deixados fora do alcance de crianças.

 

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