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Marechal Acúmulo de lixo

Moradores reclamam de mau cheiro e cor escura nas águas do Rio Guará

Fotos: O Presente

 

O cheiro forte e a coloração verde das águas do Rio Guará, no interior de Marechal Cândido Rondon, se tornaram reclamações constantes dos produtores rurais que moram naquela região, principalmente aqueles que têm suas propriedades às margens do rio.

O local que forma belas paisagens por entre as árvores e que normalmente recebia visitantes, principalmente aos finais de semana, servindo como um ambiente de descanso e descontração, hoje está com as águas escuras e fétidas e acumula lixos em sua encosta, como pneus, restos de construção, embalagens de agrotóxicos e sacos plásticos.

Debaixo da ponte se formou uma barreira de sujeiras e entulhos que impede a passagem total da água, além de manter ali a principal evidência da água contaminada: peixes mortos.

O descaso com o local, de acordo com alguns moradores, não é novidade, sendo que em muitas situações eles próprios recolheram os lixos e entulhos jogados às margens do rio e na beira da estrada para evitar a contaminação das águas.

Um avicultor que mora a poucos metros do rio diz que pessoas costumam depositar lixo no período da noite, pois de um dia para o outro eles aparecem no local. “Já teve situações em que jogaram pedaços de um carro na beira do rio e depois voltaram no período na noite e queimaram”, comenta, o qual prefere não se identificar.

Ele também revela que nos fins de semana muitas pessoas, principalmente famílias, iam até o local para tomar banho de rio e almoçar debaixo das árvores. “Antes até brincavam na água, hoje não vem mais ninguém”, destaca.

Outro agricultor ribeirinho desabafa e afirma que há muito tempo o rio está poluído e com cheiro insuportável. “Já vi muitos peixes mortos. Há até animais silvestres vindo beber água no meu açude, pois a água do rio parece estar podre”, relata.

 

SUSPEITAS

Um casal que há 34 anos reside em uma propriedade também nas proximidades do rio conta que perceberam que o local está poluído há cerca de dois a três meses. “Nossos filhos estavam passeando pelo local e perceberam a contaminação. Na época até sugeriram que nós denunciássemos, mas não fizemos. Não queríamos complicações”, revelam.

Há mais de 20 anos eles se dedicam à produção de melado e hoje a situação do rio tem se tornado um incômodo. A questão que gera dúvida é o que está poluindo o rio e de onde está surgindo o problema. “Teria que ir até a cabeceira do rio e investigar isso”, sugerem. “O rio sempre foi muito bonito. Sempre vinham pessoas, mas hoje não vem mais ninguém. Meus filhos quando eram pequenos brincavam muito ali”, acrescentam.

Na opinião dos produtores, outros moradores não despejariam dejetos ou venenos no rio. No entanto, eles acreditam que alguma indústria possa estar usando o rio para descartar substâncias.

 

“NÃO SOMOS LIXEIROS”

O casal rondonense ainda ressalta que não somente o rio é poluído, mas que constantemente lixos são jogados nas estradas e até mesmo nas áreas de terra da sua propriedade. “Já foram feitos vídeos e colocados no Face (Facebook) e também mandamos recado nas rádios fazendo a reclamação, porque parece que somos os lixeiros. A gente faz o que pode e alguém traz os lixos por conta ao invés de levar nos locais corretos”, criticam.

Conforme o relato, animais mortos, como cachorros, também são deixados no local. “Ainda não encontramos uma pessoa morta, mas de resto já foi de tudo”, afirma o casal.

A ousadia e o descaso parecem ultrapassar os limites. “Uma vez até tiraram fotos de um carro descendo a estrada e jogando lixos nas beiradas. Em outra situação descarregaram mais de 15 pneus de carro, moto e bicicleta. Não dá para continuar desse jeito”, contestam.

 

O Presente

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