Marechal

Qualidade de vida e conquistas do Judiciário

Desde 1996 na Comarca de Marechal Cândido Rondon, diretora do Fórum e juíza titular da Vara dos Juizados Especiais afirma que ainda não pensa em aposentadoria
Diretora do Fórum e juíza titular da Vara dos Juizados Especiais, Berenice Ferreira Silveira Nassar, enaltece a qualidade de vida da região: “Isso facilita muito a atividade do Poder Judiciário, porque as pessoas buscam seus direitos pelas vias corretas, ou seja, através da Justiça” (Foto: O Presente)

A Comarca de Marechal Cândido Rondon pode ser considerada diferenciada por somar algumas peculiaridades. Está situada em uma região de fronteira; possui seis municípios que integram sua comarca - além da sede, Entre Rios do Oeste, Mercedes, Nova Santa Rosa, Pato Bragado e Quatro Pontes, que juntos alcançam quase 80 mil habitantes; a cidade rondonense conta com dois cursos superiores de Direito e a subseção local da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) é formada por 238 profissionais ativos.

Outro diferencial que passa despercebido aos olhos de muitas pessoas é que os dois juízes com mais tempo de atividade em entrância intermediária do Poder Judiciário paranaense estão em Marechal Rondon: Clairton Spinassi já soma 33 anos de magistratura, sendo que desde 1989 reside no município; enquanto Berenice Ferreira Silveira Nassar atua na magistratura desde 1993, mas se tornou uma rondonense em 1996. Desta forma, ambos criaram um laço muito forte com a cidade e, hoje, é possível dizer que ambos não pensam tão cedo em deixar aquilo que eles construíram e hoje chamam de lar.

Berenice começou na magistratura, há 24 anos, como juíza substituta em Paranavaí. Posteriormente foi promovida para a entrância inicial em Terra Roxa, sendo que apenas três anos depois de ingressar na carreira já estava em Marechal Rondon, na entrância intermediária, onde permanece até hoje. Atualmente, ela responde pela Vara dos Juizados Especiais.

Conforme a juíza, o que a motivou a fixar residência no município em vez de seguir para uma cidade onde o Poder Judiciário fosse de entrância final é a qualidade de vida da região. “Isso facilita muito a atividade do Poder Judiciário, pois as pessoas buscam seus direitos pelas vias corretas, ou seja, através da Justiça. Claro que isso também acarreta em um volume de trabalho muito grande para o Fórum, mas em termos de qualidade de vida, de ambiente e de evolução social é o essencial para se viver”, afirma, emendando: “Além disso, Marechal Rondon é uma bela cidade. Quando vim para cá tinha duas filhas ainda bebês e foi muito bom criá-las aqui, pois havia boas escolas e bons amigos. Então o que nos prendeu aqui foi isso: uma boa qualidade de vida para minha família”, acrescenta, salientando que por enquanto não há planos de deixar o município.

Quando se fala em qualidade de vida, fala-se também em qualidade de pessoas, de relações sociais e interpessoais e, segundo a magistrada, no Fórum rondonense há um ótimo relacionamento entre os magistrados, servidores e colaboradores do foro judicial e extrajudicial. Neste 11 de agosto, Dia do Advogado, ela também não deixa de enaltecer este profissional do Direito. “Nós temos um relacionamento de compreensão, principalmente com a prática advocatícia. Afinal, fui advogada durante três anos antes de ser juíza”, elogia.

 

Escolha positiva

Na visão da magistrada, o fato de tanto ela quanto Spinassi terem escolhido permanecer na cidade foi algo positivo para a comarca, principalmente em termos de agilidade de processos. “O fato de estarmos aqui há muito tempo e já conhecermos os processos facilita o desempenho processual. Sendo assim, quando o processo vem para minha análise, e se eu já o conheço desde o seu início, consigo atuar com mais desembaraço”, declara. “Além do mais, por conhecermos o estilo da vida da região podemos proferir os nossos julgamentos conscientes e conhecedores da realidade local”, menciona.

 

Sem planos

Aposentadoria é algo que ainda não passou pela cabeça de Berenice. Conforme ela, 70 anos é a idade em que é obrigatória a aposentadoria. “Ainda não parei para pensar sobre isso. Eu gosto de trabalhar aqui e no momento não tenho planos de sair. Em contrapartida, não tenho familiares nesta cidade, então pode ser que quando me aposente eu procure estar mais próxima da minha família”, revela.

 

Conquistas

Há pouco mais de 20 anos com atuação no Poder Judiciário de Marechal Rondon, a magistrada avalia as conquistas obtidas nesse período de forma positiva. Dentre as principais está a elevação da comarca à sede de seção judiciária. “Antes éramos somente em dois juízes e, em 2008, quando conseguimos elevar a comarca à sede de seção judiciária, um juiz substituto foi designado para colaborar conosco e também com o juiz de Santa Helena”, conta. 

No fim de 2012, após forte insistência de juízes, promotores, advogados, deputados estaduais, prefeitos e vereadores, além das associações comerciais de todos os municípios que integram a comarca, o Judiciário rondonense conseguiu mais uma conquista em termos de estruturação: a criação e implantação da Vara da Família, Infância e Juventude e da Vara dos Juizado Especiais. “Até então, somente eu e o juiz Clairton geríamos todas as atividades judiciárias da comarca. Com a criação dessas duas varas as atividades foram desmembradas e passamos a contar com mais dois juízes, respondendo pela Vara da Família e dos Juizados Especiais, respectivamente”, enaltece. 

Posteriormente, em 2015, iniciou-se a construção do novo Fórum, que já era uma pretensão antiga do Judiciário. “O nosso espaço físico no antigo prédio era insuficiente e mal abrigava as duas varas que tínhamos até 2012, e quando veio mais duas varas a situação ficou insustentável”, afirma a magistrada. “Por sua vez, o novo prédio apresenta excelentes instalações para os nossos serviços, dispondo, inclusive, de espaço para a criação de mais uma vara, que é a nossa maior pretensão no momento”, reforça, destacando que quando chegou ao município, em 1996, havia em torno de 20 pessoas trabalhando no Fórum. Hoje já passam de 100 funcionários. “Agora todo mundo está bem acomodado e o ambiente é adequado para nossa produção de trabalho”, finaliza.