Marechal

Rondonenses têm hábito de economizar energia

(Foto: Joni Lang/O Presente)

A bandeira tarifária na conta de energia elétrica para o mês de novembro é vermelha no nível 2, com custo de R$ 5 a cada 100 quilowatts/hora (kWh) consumidos. Informações da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) apontam que não houve evolução na situação dos reservatórios das usinas hidrelétricas em relação ao mês anterior, contudo, apesar de descartar o desabastecimento de energia, é preciso reforçar ações relacionadas ao uso consciente e combate ao desperdício.

Criado pela Aneel, o sistema de bandeiras tarifárias sinaliza o custo real da energia gerada, possibilitando aos consumidores o uso correto da energia elétrica. O funcionamento das bandeiras tarifárias é simples: as cores verde, amarela ou vermelha (nos patamares 1 e 2) indicam se a energia custará mais ou menos em função das condições de geração. As bandeiras variam para sinalizar os consumidores. O patamar 2 indica a necessidade de operar usinas termelétricas mais caras para compensar a geração hidráulica reduzida pela falta de chuvas em uma ou mais regiões do país.

O consumo de energia elétrica aumentou cerca de 3,1% - 61.909 megawatts (MWh) -, ao passo em que a geração de energia elétrica no país cresceu 2,4%, segundo dados de medição recolhidos no período de 1º a 31 de outubro em comparação com o mesmo período do ano passado, conforme o boletim da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), que demonstra dados sobre geração e consumo, bem como a posição líquida dos consumidores livres e especiais. Foi esse aumento de consumo e o leve crescimento na geração de energia que determinaram a tomada da medida.

Influência

De acordo com o gerente da agência da Companhia Paranaense de Energia (Copel) em Marechal Cândido Rondon, Hélio José Dalgallo, não é possível auferir quanto o consumo de energia elétrica reduz com a entrada em vigor da bandeira vermelha, até porque ela entra em momentos de escassez hídrica, “não exatamente na nossa região, mas em alguma região do país, ou apenas em alguns locais”, diz.

“A cobrança dessa faixa adicional - das bandeiras tarifárias amarela, vermelha nível 1 e 2 em novembro - tem um efeito que induz a adquirir hábitos para economizar energia. Sabendo que a cada 100 KWh equivale a 50% do consumo de uma residência de porte médio, onde o gasto gera 200 KWh por mês, o consumo nesse patamar tem um aumento de R$ 10, o que é significativo porque não está subindo necessariamente a tarifa, mas, sim, uma sobretaxa sobre a tarifa de energia”, esclarece Dalgallo.

Segundo o gerente, essa sobretaxa influencia nos hábitos de consumo porque se o consumidor não economizar energia neste período vai pagar um adicional que é proporcional ao consumo. Se consumir 150 KWh ao mês vai pagar R$ 5 mais R$ 2,50 proporcionalmente ao KWh.

Em relação à estrutura elétrica em Marechal Rondon, o gerente da Copel comenta que a subestação é de 138 KW, que atende à demanda de oito municípios, além de outra subestação de 138 KW na região de Guaíra e Terra Roxa. “As duas subestações estão dimensionadas para o consumo da demanda na região. Claro que podem acontecer interrupções locais ocasionadas por fatores externos, mas a nossa subestação ainda suporta a demanda de energia”, menciona.

Conforme ele, uma subestação com capacidade para transformar 138 KW deve entrar em operação em 2020, sendo instalada entre a Vila Gaúcha e as proximidades do Clube Lira. “Essa nova subestação sofreu um pouco de atraso, porque inicialmente deveria operar desde 2016, o que não ocorreu devido à retração no consumo de energia em nível geral no país. A área está adquirida, o projeto está pronto, então é uma questão de tempo para operar. Essa nova subestação deve dobrar a capacidade de transformação de energia no município e na região, lembrando que a atual subestação está preparada para atender as necessidades”, enaltece.

Principais demandas

Além do comércio, indústria e da agroindústria, uma das principais demandas está nas propriedades rurais que exercem forte influência no consumo de energia. Por outro lado, um fator sazonal se refere aos equipamentos de refrigeração utilizados na primavera e no verão. “Nós observamos picos de energia nos meses mais quentes dos anos retrasado e passado, o que não deve ser diferente neste ano, impulsionado muito pelos equipamentos de refrigeração. Qualquer comércio e residência tem equipamentos de refrigeração, o que acaba demandando bastante energia. Em dias quentes, uma boa parte ou todos os equipamentos de refrigeração estão ligados, o que gera um fator novo, haja vista que nos últimos anos registramos o deslocamento do horário de pico, que historicamente era depois das 18 até as 20, 21 horas. Devido aos ares-condicionados esse pico de consumo se deslocou para as 14 horas, período no qual o sistema elétrico passou a trabalhar em capacidade máxima”, revela.

Embora o limite vá às alturas, Dalgallo descarta a possibilidade de faltar energia para atender às necessidades. “A Copel tem uma subestação móvel que pode ser acionada caso o consumo se aproxime de um limite crítico, oferecendo condição de atender essa demanda com tranquilidade. Além do mais, as linhas de distribuição que alimentam a subestação são inspecionadas periodicamente, inclusive recentemente precisamos fazer uma poda emergencial em árvores na Avenida das Torres, precavendo que nos meses mais quentes os cabos que trazem energia até a subestação sofram um efeito termodinâmico, ou seja, acabem cedendo. A poda preventiva foi realizada para evitar que isso possa se tornar um fator gerador de problema”, menciona.

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