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Paraná

Mais peso no bolso dos consumidores

A cada 25 dias, um novo botijão de gás entra na casa de dona Ilma e uma média de R$ 80 saem do bolso da aposentada. O preço do gás liquefeito de petróleo (GLP), utilizado na maioria das residências para cozinhar alimentos em fogões e fornos convencionais, é um dos itens mais caros na cozinha dos rondonenses.

Aliás, não só dos rondonenses, mas da maioria dos brasileiros, já que em 2017 o preço do gás passou a ser revisado todos os meses pela nova política de preços adotada pela Petrobras em junho. No dia 05 de dezembro ocorreu a sétima alta do ano, de 8,9%, impulsionando para 68% o aumento nos preços do botijão de 13 quilos, conforme dados da Agência de Notícias Reuters.

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As altas deram-se por conta de uma política de acompanhamento mais próximo das cotações internacionais dos combustíveis, adotada pela estatal brasileira que atua na exploração, produção, refino, comercialização e transporte de petróleo, gás natural e seus derivados. O aumento, porém, foi o último com base nessas regras.

A Petrobras decidiu mudar a metodologia, mas ainda não divulgou como será o novo cálculo.

 

Nova Preocupação

A novidade, entretanto, não tira a preocupação da cabeça e do bolso dos consumidores, já que desde o dia 20 de dezembro, em todo o Paraná, estabelecimentos como shoppings, farmácias e supermercados não poderão mais vender o “vale-gás”. Aprovada pela Assembleia Legislativa do Estado e sancionada pelo governador Beto Richa, a lei nº 19.372 veda a comercialização de combustíveis e derivados de petróleo “por intermédio de vales, cartões ou quaisquer representativos”. Costumeiramente, quando um consumidor adquire um vale-gás em um supermercado, por exemplo, o produto é entregue em sua residência por uma distribuidora.

O autor da lei, deputado Tião Medeiros (PTB), ressalta que a revenda de gás é uma atividade reservada às empresas que seguem rigoroso critério de controle, de acordo com regras da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Robson Lopes é neto de dona Ilma e responsável por cuidar das finanças da avó junto da esposa Veruska. “A última vez que compramos o vale-gás para ela no supermercado, em questão de um mês havia tido alta de R$ 10, então deixamos de pegar e fizemos uma pesquisa de preço nas distribuidoras para verificar onde estava mais viável comprar”, explica Veruska.

Mesmo nas distribuidoras, ela diz que houve um aumento assustador nos últimos meses no preço do produto, essencial para a dona de casa preparar almoço, jantar e diversos pratos adorados pela família, como pães, bolos e bolachas, caseiras. “Ainda que ela não utiliza o forno convencional porque tem o forno elétrico. Se fosse utilizado, sem dúvida seriam dois botijões ao mês”, avalia. Veruska acredita que se o aumento continuar desta forma, em poucas semanas pode atingir os R$ 100 e, quando comparado com o salário-mínimo atual, de R$ 954, o valor de um botijão de gás representa 10% do total.

 “Quem cozinha todos os dias em casa geralmente precisa comprar gás todos os meses. Para quem precisa pagar aluguel, água e luz, fora a alimentação, tudo tem aumentado assustadoramente e o salário-mínimo não tem acompanhado esse aumento, daqui a pouco não conseguirá comprar mais nada”, reflete.

Na visão dela, a venda do vale-gás é necessária para manter a concorrência no mercado e delimitar os preços do gás no mercado.

 

Consumidor sai no prejuízo

 A Associação Paranaense de Supermercados (Apras) emitiu parecer considerando a lei inconstitucional. Por isso, o vale-gás ainda está sendo comercializado nos mercados e a lei ainda não está valendo. “O supermercado nada mais faz do que oferecer mais um serviço ao consumidor, já que comprando o vale-gás o consumidor liga na distribuidora e pede o gás, é uma facilidade que os supermercados agregaram”, enaltece o superintendente da Apras, Valmor Rovaris.

Na visão dele, uma das alegações apresentadas pelo autor do projeto de lei tem como base o fato de que os supermercados praticavam preços “depreciativos” e isso gerava problemas ao setor de distribuidoras de gás, ou seja, ao pequeno distribuidor.

“Segundo as palavras do próprio deputado, se isso era uma verdade e gerava preços que prejudicavam o setor porque a posição dos supermercados era muito competitiva, somente por essa afirmação é natural que saindo um grande player do mercado automaticamente os preços se realinhem um pouco acima do que era praticado”, destaca Rovaris.

“Não sabemos estimar o quanto pode subir, até porque existe uma concorrência entre as distribuidoras e isso também pode segurar o preço”, complementa. Pelos supermercados “segurarem” os preços do gás doméstico, Rovaris pontua que a lei em questão prejudica os interesses do consumidor, já que ao restringir a venda do vale-gás a concorrência diminui e, consequentemente, a tendência é de que os preços subam.

“A concorrência é sempre muito positiva de todas as formas. Ela faz você acordar mais cedo, o seu concorrente acordar mais cedo e trabalhar melhor para atender o consumidor”, avalia.

 

Confira essa matéria completa em nossa edição impressa desta terça-feira (09).

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